O que é sífilis?
A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível (DST) causada pela bactéria Treponema pallidum. Ela pode afetar vários órgãos do corpo, mas é totalmente curável se detectada e tratada ainda no início.
Sintomas
A sífilis pode se manifestar de diferentes formas, cada uma com características distintas. É importante lembrar que os sintomas variam entre as pessoas, e algumas podem até mesmo não apresentar sinais:
- estágio primário: algumas feridas podem aparecer no local em que a bactéria está. Isso pode ocorrer nos órgãos genitais, ânus, boca ou outras áreas. Essas feridas, chamadas de "cancros", podem sumir sozinhas, mas a infecção ainda está lá e continua se espalhando
- estágio secundário: cerca de duas a 12 semanas após o aparecimento do “cancro”, podem surgir sintomas secundários. Isso inclui uma erupção cutânea não pruriginosa (alteração na cor e textura da pele, sem coceira), lesões mucosas (como na boca e genitais), febre, mal-estar, dor de garganta, perda de cabelo e inflamação dos gânglios linfáticos (parte importante do sistema imunológico, que ajuda a combater infecções)
- estágio latente: após o estágio secundário, a sífilis pode entrar em um estágio latente, em que os sintomas desaparecem, mas a bactéria permanece no corpo. Este estágio pode durar anos, mas pessoa continua transmitindo a doença, mesmo sem sintomas
- estágio terciário: quando não tratada, a sífilis pode progredir para o estágio terciário, o qual pode causar danos graves aos órgãos internos, incluindo o coração, cérebro, nervos, olhos, ossos e articulações. As complicações nesse estágio podem ser graves, mas geralmente são tratáveis com acompanhamento médico adequado
Causas
A sífilis é causada pela bactéria Treponema pallidum, que é transmitida principalmente por contato direto com as lesões de uma pessoa infectada. As principais formas de transmissão da sífilis incluem:
- contato sexual: a sífilis é principalmente uma doença sexualmente transmissível (DST). A transmissão ocorre quando há contato direto com uma ferida ou lesão causada pela bactéria, durante a atividade sexual, que inclui sexo vaginal, anal e/ou oral
- transmissão vertical: uma pessoa infectada com sífilis pode transmitir a infecção para o feto durante a gravidez. Isso é conhecido como sífilis congênita e pode resultar em complicações graves para o bebê, inclusive defeitos de nascimento e danos ao sistema nervoso
- contato com sangue infectado: embora seja menos comum, a sífilis também pode ser transmitida através do contato direto com o sangue de uma pessoa infectada. Isso pode ocorrer, por exemplo, por meio do compartilhamento de agulhas ou outros instrumentos contaminados
Diagnóstico
Os testes treponêmicos e não treponêmicos são tipos de testes usados para detectar a sífilis, uma doença sexualmente transmissível causada pela bactéria Treponema pallidum. Ambos os tipos de testes têm diferentes mecanismos de detecção e fornecem informações diferentes sobre a infecção.
Testes não treponêmicos
- VDRL (Venereal Disease Research Laboratory): detecta a presença de anticorpos não específicos que o organismo produz como uma resposta à infecção pela bactéria Treponema pallidum
- RPR (Rapid Plasma Reagin): semelhante ao VDRL, este teste também detecta os chamados “anticorpos não treponêmicos” na corrente sanguínea do paciente
Testes Treponêmicos
- FTA-ABS (Fluorescent Treponemal Antibody Absorption): este teste detecta anticorpos específicos contra o Treponema pallidum. É muito sensível e específico para a sífilis, mas pode permanecer positivo mesmo após a cura doença, o que faz com que seja mais útil principalmente para o diagnóstico de infecções ativas
- Teste de ELISA para sífilis: é um teste usado para detectar anticorpos específicos contra a doença na corrente sanguínea do paciente
Tratamento
O tratamento da sífilis é realizado com a penicilina benzatina, antibiótico que está disponível nos serviços de saúde do SUS (Sistema Único de Saúde). A dose que será utilizada vai depender do estágio da sífilis. A penicilina é o tratamento mais comum para a sífilis, mas é importante seguir a indicação do médico.
Depois do tratamento completo, é importante fazer mais testes para ter certeza de que a sífilis foi curada. Também é necessário que todas as pessoas com quem você teve relações sexuais nos últimos três meses façam testes e, se necessário, também sejam tratadas. Isso ajuda a parar a transmissão da doença.
Quando a sífilis é detectada na gravidez, o tratamento deve ser iniciado o mais rápido possível, com a penicilina benzatina. Esse é o único medicamento capaz de prevenir a transmissão vertical (passagem da sífilis da mãe para o bebê). A parceria sexual também deve ser testada e tratada para evitar a reinfecção da gestante que foi tratada. São critérios de tratamento adequados da gestante:
- administração de penicilina benzatina
- início do tratamento até 30 dias antes do parto
- uso de medicamento, dosagem e duração do tratamento de acordo com o estágio clínico da sífilis
- respeito ao intervalo recomendado das doses
Prevenção
A prevenção da sífilis envolve práticas que reduzem o risco de contrair ou transmitir a infecção. Aqui estão algumas medidas preventivas:
- uso de preservativos: durante a atividade sexual, que inclui sexo vaginal, anal e oral, pode ajudar a reduzir significativamente o risco de transmissão da sífilis e de outras doenças sexualmente transmissíveis. É importante lembrar que a doença também pode ser transmitida por sexo oral
- testagem regular e exames médicos: especialmente para aqueles que têm múltiplos parceiros sexuais ou se encontram em grupos de maior risco. A detecção precoce permite o tratamento adequado e a prevenção de complicações
- tratamento adequado dos parceiros: se uma pessoa for diagnosticada com sífilis, é crucial que todos os parceiros sexuais sejam informados para que possam ser testados e tratados se necessário. Isso ajuda a interromper a cadeia de transmissão
Referências
Sífilis — Ministério da Saúde
SESA - Sífilis adquirida e Sífilis congênita