Paralisia facial periférica ou Paralisia de Bell
Glossário de Saúde do Einstein
CID 10 - G510
CID 10 - G510
A paralisia de Bell ou paralisia facial periférica é uma condição na qual o nervo facial que controla a contração da musculatura do rosto, é lesado por uma inflamação, que leva o nervo a parar de funcionar parcial ou completamente.
A inflamação leva a inchaço do nervo e dos pequenos vasos sanguíneos ao redor do nervo, que por serem cercados pelos ossos do crânio, são comprimidos por esses ossos e interferem na capacidade do nervo em conduzir os impulsos elétricos, levando a incapacidade do nervo de se comunicar com os músculos do rosto, causando paralisia da face.
Uma estimativa americana sugere uma média de 40.000 casos por ano nos EUA. Possivelmente as estatísticas são semelhantes no Brasil. À paralisia de Bell afeta todas as raças e ambos os sexos de forma semelhante. O diabetes e a gravidez aumentam o risco de desenvolver a paralisia de Bell.
Os sinais e sintomas comuns da paralisia de Bell são: fraqueza dos músculos de um lado do rosto com paralisia da pálpebra superior que leva a dificuldade de fechar o olho e dificuldade para piscar, pode levar a ressecamento do olho com lesões da córnea. Pode ocorrer ainda desvio da boca para o lado contrário ao da paralisia (boca torta), pois, a boca desvia para o lado bom que é o lado que a musculatura contrai.
Pode cursar com, diminuição do paladar na parte anterior da língua e salivação excessiva levando o paciente a babar. Pode apresentar dor atrás do ouvido e ruídos altos podem causar desconforto no ouvido do lado afetado, uma condição chamada hiperacusia. As mudanças causadas pela paralisia de Bell afetarão a aparência do seu rosto, incluindo como você sorri. Essas mudanças são muitas vezes óbvias para os outros e podem fazer com que as pessoas com paralisia de Bell se sintam angustiadas e evitem atividades sociais.
O maior medo do paciente com paralisia de Bell é a preocupação de estar apresentando um derrame (AVC). Algumas pistas clínicas tornam menos prováveis um derrame, entre elas: o fato de não haver paralisia em outra região do corpo, na paralisia de Bell a paralisia atinge a parte superior do rosto e no derrame geralmente a boca entorta sem atingir o olho. Apesar das pistas clínicas é importante procurar um médico com urgência para afastar causas graves de lesões neurológicas e iniciar o tratamento precoce. O diagnóstico de paralisia Bell é um diagnóstico clínico e não depende de exames complementares. Não há necessidade de realizar exames complementares na emergência. O papel de exames complementares é restrito aqueles casos que demoram a melhorar. Não há motivo para fazer tomografia de crânio, caso optem por um exame de imagem a ressonância magnética é a melhor opção. Algumas sorologias para doenças infecciosas causadas por vírus e bactérias podem ser úteis. O exame de eletroneuromiografia pode ajudar a analisar o estado do nervo para casos que demorem a melhorar, principalmente naqueles que demoram mais de 3 meses.
A maioria das pessoas com paralisia de Bell se recuperam completamente, isso pode demorar um período de três semanas até 9 meses. Uma minoria de pessoas mantém algumas sequelas ao longo da vida. Se você tiver algum sinal de paralisia de Bell, você deve consultar um médico imediatamente porque o tratamento está disponível e deve ser iniciado precocemente, dentro de dois a três dias do início dos sintomas. O início precoce do tratamento encurta a duração dos sintomas e diminui as chances de sequelas.
A causa da paralisia de Bell já foi motivo de grande controvérsia, inclusive, há uma crença popular, de que ela possa ser causada por “choques térmicos” e “golpes de ar” o que não possui respaldo científico.
Hoje a teoria mais aceita é que a lesão que causa inflamação do nervo facial, com interrupção do seu funcionamento, ocorre por infecções virais de diversos tipos. O vírus que mais frequentemente leva a paralisia de Bell é o herpes simples, o mesmo vírus que causa o herpes labial e o herpes genital. Outros vírus também podem causar a paralisia de Bell, incluindo o vírus do herpes zoster que causa a catapora, entre outros vírus como citomegalovírus e vírus Epstein-Barr que causa a mononucleose.
O tratamento não reverte a paralisia facial ele ajuda a melhorar mais rápido, especialmente se você iniciar o tratamento nos primeiros dias dos sintomas.
Cuidados com os olhos - Você vai precisar de cuidados com os olhos se você não conseguir fechar o olho. Existe um risco de lesões oculares permanentes da córnea, que é a cobertura transparente e protetora do olho, caso o olho fique excessivamente seco. Você pode usar lágrimas artificiais para manter o olho úmido. Se o seu olho não fechar completamente, você deve protegê-lo durante o dia com óculos. Oclua a pálpebra superior ao dormir para evitar lesões da córnea.
Tratamento medicamentoso - A maioria das pessoas diagnosticadas com paralisia de Bell (dentro de dois a três dias dos primeiros sintomas) são tratadas com esteroides (por exemplo, prednisona). Os esteroides, também são chamados de corticoides, podem reduzir o inchaço e melhorar suas chances de se recuperar completamente. Estes medicamentos funcionam melhor quando iniciados precocemente (no prazo de três dias após os primeiros sintomas). Medicamentos antivirais (por exemplo, aciclovir, valaciclovir) são por vezes utilizados em conjunto com glicocorticoides, especialmente quando a fraqueza facial é grave. Alguns ensaios controlados encontraram um benefício adicional do uso destes agentes em pacientes com fraqueza facial muito severa. Outras formas de tratamento não estão comprovadas.
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