O que é carcinoma de células de Merkel?
O carcinoma de células de Merkel, também conhecido como tumor de Merkel ou carcinoma neuroendócrino da pele, é um tipo de câncer de pele. Ele geralmente se forma em áreas que estão constantemente expostas aos raios solares (radiação ultravioleta - UV), como o rosto, o pescoço, os braços e as pernas. Costuma crescer rapidamente e pode se espalhar para outras partes do corpo (metástase).
Sintomas
O carcinoma de células de Merkel é caracterizado pelo surgimento de um caroço (nódulo) firme na pele. Suas principais características são:
- cor: avermelhado, arroxeado ou da mesma cor da pele ao redor. Pode apresentar um aspecto brilhante
- crescimento: costuma crescer rapidamente em algumas semanas ou poucos meses
- indolor: geralmente não causa sensibilidade ou dor
- localização: pode surgir em qualquer parte do corpo, mas aparece com mais frequência em áreas expostas à luz solar, como o rosto, o pescoço, os braços e as pernas
Além disso, conforme a doença avança, pode se espalhar para estruturas que ajudam a filtrar substâncias do corpo (linfonodos), localizadas principalmente no pescoço, nas axilas e na virilha. Quando isso ocorre, essas regiões podem apresentar inchaço. Os primeiros linfonodos afetados costumam ser aqueles mais próximos do local onde o câncer se originou.
Ao perceber esses sinais ou qualquer outra alteração incomum, é fundamental procurar um(a) profissional de saúde para obter um diagnóstico preciso.
Causas
O carcinoma de células de Merkel é um tipo de câncer de pele que se desenvolve quando ocorre uma alteração nas estruturas que carregam as informações para o funcionamento das células (genes). Isso faz com que elas se multipliquem rapidamente e formem uma massa (tumor maligno). Com o tempo, as células podem se espalhar para outras partes do corpo (metástase).
Ainda há debate sobre qual célula dá origem a esse câncer. As células localizadas na camada mais externa da pele (epiderme), que participam da detecção do toque leve e são conhecidas como células de Merkel, podem estar envolvidas. No entanto, estudos recentes indicam que outros tipos de células também podem ter relação com o surgimento da doença.
Alguns fatores de risco que contribuem para surgimento do carcinoma de células de Merkel são:
- idade avançada: a doença pode surgir em qualquer idade, mas é mais comum após os 50 anos
- pele clara: pessoas de pele clara têm uma menor quantidade da substância que dá cor à pele e ajuda a protegê-la dos raios solares (melanina)
- exposição à luz solar: realizar atividades ao ar livre com exposição prolongada aos raios solares (radiação ultravioleta – UV) sem proteção adequada é o principal fator de risco associado ao carcinoma de células de Merkel
- uso de bronzeamento artificial: as câmaras de bronzeamento artificial emitem o mesmo tipo de energia que os raios solares (radiação ultravioleta - UV) e podem aumentar o risco da doença
- sistema imunológico enfraquecido: esse tipo de câncer pode se desenvolver em pessoas com certas condições de saúde, como a infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV/AIDS), ou que tomam medicamentos para reduzir a ação do sistema de defesa do corpo (imunossupressores)
- infecção por poliomavírus de células de Merkel: é um tipo de vírus comum que costuma não causar sintomas. A maioria das pessoas diagnosticadas com carcinoma de células de Merkel já teve contato com esse vírus. No entanto, nem todas as pessoas infectadas desenvolvem o câncer
Diagnóstico
O(a) profissional de saúde especialista no cuidado da pele (dermatologista) pode diagnosticar o carcinoma de células de Merkel por meio de alguns exames, como:
- exame físico: todo o corpo do(a) paciente é examinado em busca de sinais físicos visíveis e que podem ser percebidos ao toque (palpáveis), como caroços ou inchaços na pele
- biópsia: para confirmar o diagnóstico, é feita a remoção de uma amostra do tecido suspeito da pele, a qual é analisada posteriormente em laboratório. Também pode ser realizada a coleta de uma amostra das estruturas que filtram substâncias no corpo (linfonodos) para determinar se a doença se espalhou
- exames de imagem: permitem gerar imagens detalhadas do interior do corpo e podem ser solicitados para verificar se o câncer se espalhou para além do seu local de origem. Os principais exames utilizados são a tomografia computadorizada e a tomografia por emissão de pósitrons
Tratamento
O tratamento do carcinoma de células de Merkel varia a depender do quanto a doença se desenvolveu (estágio). Os principais métodos utilizados são:
- cirurgia: pode envolver a remoção da massa (tumor) em camadas finas, a fim de preservar ao máximo o tecido saudável (cirurgia de Mohs). Outra opção é retirar o câncer e parte da pele ao redor (excisão local ampla). Essa escolha entre cirurgia de Mohs ou excisão ampla depende do tamanho, localização e profundidade do tumor. Caso a doença tenha se espalhado para as estruturas que filtram substâncias no corpo, elas também podem ser removidas (dissecção de linfonodos)
- radioterapia: aplicação de feixes de energia de alta potência (radiação) para eliminar células cancerígenas ou impedir seu crescimento. Geralmente é utilizada após a cirurgia para destruir as células restantes
- imunoterapia: uso de medicamentos que estimulam o sistema de defesa do corpo (imunológico) a combater as células cancerígenas
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Prevenção
A forma mais eficaz de evitar o desenvolvimento do carcinoma de células de Merkel é reduzir os fatores de risco. Para isso, deve-se:
- usar protetor solar diariamente: aplicar principalmente nas áreas da pele que ficam expostas à luz solar e reaplicar a cada duas horas ou após contato com água ou suor excessivo. O fator de proteção solar (FPS) deve ser, preferencialmente, de 30 ou mais
- evitar a exposição à luz solar entre 10h e 16h: nesse período, os raios solares (radiação ultravioleta - UV) são mais intensos
- usar roupas que cubram o corpo: optar por camisetas de manga longa, calças, chapéus ou bonés com aba
- evitar o uso de câmaras de bronzeamento artificial: pois elas emitem o mesmo tipo de energia que os raios solares (radiação ultravioleta - UV)
Referências
National Library of Medicine
National Cancer Institute