O que é AIDS?
A síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS) é uma doença causada pelo vírus da imunodeficiência humana, o HIV. Esse vírus ataca o sistema imunológico, aquele que evita que substâncias estranhas e patógenos afetem negativamente o organismo, e prejudica o funcionamento dos linfócitos T CD4 +, células que coordenam a defesa do corpo contra vírus, bactérias e fungos.
Com a destruição dessas células (linfócitos), o sistema imunológico enfraquece e o organismo se torna incapaz de se defender adequadamente.
Sintomas
Inicialmente, cerca de 50% dos pacientes podem apresentar sintomas de infecção aguda. No entanto, todos passarão por um período assintomático que, em alguns casos, pode se estender por até 10 anos. Nesse período, não há sintomas visíveis, mas o risco de transmissão é mais elevado.
Existem casos em que os sintomas começam a aparecer entre duas e quatro semanas após a infecção, incluindo:
- febre: a temperatura do corpo aumenta (37,5 ºC e 38 ºC) porque o organismo tenta combater a infecção. É sinal de que o sistema de defesa em alerta
- dor de cabeça: pode ocorrer devido à ação do vírus no corpo e ao esforço do organismo de reagir. Também pode estar ligada à febre e ao mal-estar em geral
- cansaço extremo (fadiga): a pessoa sente muito cansaço, mesmo sem ter feito esforço. Isso ocorre porque o corpo gasta energia para tentar se defender
- dores musculares e articulares: o corpo pode ficar dolorido, como em uma gripe forte. Isso acontece pela reação do organismo à infecção
- garganta inflamada: a região pode ficar vermelha, dolorida e com dificuldade para engolir. É resultado da resposta do corpo contra o vírus
- linfonodos inchados: pequenas glândulas distribuídas por todo o corpo, que ajudam o sistema de defesa do corpo a funcionar de forma correta
- erupção cutânea: podem surgir manchas vermelhas pelo corpo devido a reação do organismo à presença do vírus
Durante o tratamento, as células de defesa podem alcançar um nível crítico, que resulta em infecções oportunistas, causadas por fungos, bactérias e vírus quando a imunidade está baixa, além de:
- perda de peso sem motivo aparente: ocorre devido ao enfraquecimento do organismo e ao maior gasto de energia para combater infecções
- suores noturnos: episódios de transpiração intensa durante o sono, mesmo em ambientes frios, relacionados a infecções e à resposta inflamatória do corpo
- cansaço extremo: sensação persistente de fadiga, mesmo após repouso. Acontece porque o sistema imunológico está constantemente sobrecarregado
- diarreia crônica: sensação persistente de fadiga, mesmo após repouso. Acontece porque o sistema imunológico está constantemente sobrecarregado
- infecções (podem afetar todo o corpo): ocorrem quando microrganismos se espalham além do local inicial da infecção. A candidíase esofágica, por exemplo, pode causar dor e dificuldade para engolir
- infecções recorrentes na pele ou nas membranas mucosas: são infecções que ocorrem na pele ou em superfícies úmidas do corpo, como a área bucal e nasal, e voltam com frequência devido à fragilidade do sistema imunológico
- dificuldade de concentração e perda de memória (problemas neurológicos): acontecem quando o vírus e as infecções afetam o sistema nervoso, que prejudicam a atenção
- desenvolvimento de certos tipos de câncer: a baixa imunidade facilita o surgimento de tumores associados a infecções virais (como o sarcoma de Kaposi e alguns tipos de linfoma
Causas
A AIDS é causada pela infecção do HIV, vírus que, após entrar no organismo, se multiplica e destroi progressivamente as células de defesa do corpo (os linfócitos T-CD4+). A redução dessas células favorece o surgimento de infecções oportunistas que caracterizam a doença. Esse processo pode levar anos para se manifestar ou até não evoluir para a AIDS, mas mesmo sem apresentar a doença, a pessoa infectada pelo HIV pode transmitir o vírus.
Diagnóstico
O diagnóstico da AIDS identifica a presença do vírus ou a resposta do organismo à infecção. Os principais procedimentos são:
- PCR (detecção viral direta): pode apresentar resultado positivo entre 10 e 15 dias após o contato
- sorologia (detecção de anticorpos): geralmente apresenta resultado positivo entre 15 e 30 dias após o contato
É importante destacar que o(a) profissional da saúde deve ser o responsável por avaliar e indicar o melhor momento para realizar cada teste.
Tratamento
Embora ainda não exista cura definitiva para a AIDS, há terapias capazes de impedir que o vírus HIV se multiplique no organismo e auxiliar no controle da infecção, o que permite melhor qualidade de vida às pessoas que vivem com o vírus. As principais formas de tratamento são:
- terapia antirretroviral (TARV): envolve a combinação de diferentes medicamentos, com o objetivo de reduzir a quantidade de vírus presentes no corpo. A TARV controla a infecção pelo HIV, preserva a função imunológica e previne o desenvolvimento da AIDS e de outras complicações
- medicamentos para infecções: utilizados para prevenir ou tratar doenças que afetam com maior frequência pessoas com baixa imunidade, como pneumocistose, tuberculose e outras infecções causadas por bactérias, que podem surgir devido ao mau funcionamento do sistema imunológico
É fundamental iniciar o tratamento o mais cedo possível após o diagnóstico, a fim de minimizar os danos à saúde. O acompanhamento por um(a) profissional da saúde, é essencial para monitorar a resposta ao tratamento, ajustar a TARV, controlar possíveis efeitos colaterais, além de oferecer suporte emocional e social.
Prevenção
Além da educação e conscientização sobre a doença, existem medidas focadas em reduzir o risco de transmissão do vírus HIV, como:
- uso de preservativo: utilizar camisinha durante as relações sexuais para evitar a transmissão
não compartilhar seringas e agulhas: em caso de necessidade, utilizar apenas materiais descartáveis e de uso individual - testagem regular: realizar exames periódicos para diagnóstico precoce
- antirretrovirais para evitar transmissão vertical (mãe para filho): gestantes que vivem com o vírus HIV devem realizar acompanhamento com o(a) profissional da saúde e fazer o uso de antirretrovirais (remédios que não eliminam o HIV, mas ajudam a reduzir o risco de transmissão do vírus para o bebê durante a gestação, parto e amamentação)
- PrEP (Profilaxia Pré-Exposição): consiste no uso de comprimidos antes da relação sexual, que permite ao organismo estar preparado para enfrentar um possível contato com o HIV
- Profilaxia pós-exposição (PEP): é uma prevenção de urgência, utilizada após a vivência de uma situação com risco de transmissão do vírus, como pessoas vítimas de violência sexual, relação sexual desprotegida ou acidentes ocupacionais (com instrumentos perfurocortantes ou contato direto com material biológico)