Enxaqueca crônica
Glossário de Saúde do Einstein
CID 10 - G43.3
- Doença
CID 10 - G43.3
A enxaqueca é uma síndrome dolorosa caracterizada por dores de cabeça, pulsáteis ou latejantes, acompanhadas pelo incômodo com a luz e o barulho. Náuseas e vômitos também podem ser presentes, que pioram com esforço físico e têm duração de 4 horas a 3 dias.

A enxaqueca é chamada crônica quando o paciente apresenta 15 dias ou mais de dores de cabeça por mês por pelo menos 3 meses. As pessoas que sofrem de enxaqueca crônica costumam fazer uso excessivo de analgésicos (mais de 15 comprimidos para dor por mês), ter mais sintomas ansiosos, depressivos e dificuldades no sono do que as pessoas que não têm enxaqueca ou que têm a forma episódica. Esses sintomas não são causa da enxaqueca, mas são muito comuns nos pacientes com enxaqueca crônica e podem dificultar a melhora dos sintomas se não forem diagnosticados e tratados.
A enxaqueca é determinada por causas genéticas, sendo muito comum a presença da enxaqueca em várias pessoas da mesma família. Além disso, vários gatilhos ou facilitadores são conhecidos, como por exemplo:
Quando a crise da enxaqueca começa, o cérebro libera uma grande quantidade de substâncias estimulantes que inflamam temporariamente os vasos sanguíneos das meninges. Quando as crises são muito frequentes, o cérebro perde a capacidade de bloquear esse processo.
Os principais sintomas são dores de cabeça no mínimo 15 dias ao mês por três meses. Na crônica há uma mudança na dor em relação a episódica. Com o aumento da frequência, a intensidade da dor diminui, assim como os sintomas de incômodo com a luz e barulhos, as náuseas e os vômitos. Assim, muitos pacientes com enxaqueca crônica terão um ou dois dias de dores fortes no mês, que lembram a enxaqueca, e o restante dos episódios serão mais fracos ou toleráveis - passando com analgésicos simples ou combinados, o que leva ao aumento do uso dos medicamentos para dor. Este aumento no consumo de analgésicos, por sua vez, irá levar a um aumento na frequência da dor - um círculo vicioso é criado.
Essencialmente clínico, baseado nas características da dor e dos sintomas que ocorrem juntos com a dor. Diante de uma dor típica e um exame físico e neurológico normal, o diagnóstico é confirmado. Exames de imagem como tomografia ou ressonância magnética do crânio não fazem parte do diagnóstico da enxaqueca e devem ser realizados apenas quando a dor mudar de características ou for atípica.
O tratamento da enxaqueca crônica tem como objetivo diminuir a frequência das dores de cabeça. O chamado tratamento preventivo consiste em uso diário de medicamentos que tenham a capacidade de diminuir a frequência da dor e não apenas tratar uma crise dolorosa. O tratamento preventivo pode ser feito com anticonvulsivantes, beta bloqueadores, antidepressivos tricíclicos e com a Toxina Botulínica Tipo A.
O tratamento da enxaqueca crônica através do protocolo PREEMPT consiste na aplicação da Toxina Botulínica Tipo A em 31 pontos musculares ao redor do crânio (Frontal, Temporal, Occipital) e na região cervical alta e dorso (Paraespinal e Trapézio), dos dois lados da cabeça.
Os resultados da aplicação de toxina botulínica na enxaqueca crônica iniciam depois da primeira semana de aplicação, podendo durar de 3 a 6 meses; aplicações sucessivas, com intervalo mínimo de 3 meses entre os tratamentos, podem garantir melhores resultados.
O tratamento deve ser aplicado por profissional médico treinado e experiente, visando o melhor resultado e uma menor chance de efeitos colaterais. O tratamento com Toxina Botulínica em estruturas faciais, também incluídas no protocolo PREEMPT pode resultar em efeitos adversos em raras ocasiões, como assimetria da mímica facial e queda da pálpebra. Seguindo o protocolo o risco de eventos adversos é mínimo. Todo possível efeito adverso relacionado ao tratamento com Toxina Botulínica é reversível, passando junto com a diminuição do efeito desejado.
Dores de cabeça diárias não podem ser consideradas uma condição benigna, uma vez que diminuem de maneira significativa a qualidade de vida. Portadores de enxaqueca crônica devem:
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