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Doações

Lúpus

Glossário de Saúde do Einstein

  • Doença

No calendário das campanhas de conscientização sobre diversas condições médicas, o Fevereiro Roxo simboliza a compreensão e a conscientização sobre algumas doenças autoimunes, entre elas está o lúpus.

O lúpus é um exemplo de doença autoimune porque pode afetar diferentes órgãos e tecidos humano. Por isso, os sintomas do lúpus podem ser muito diferentes de uma pessoa a outra e podem surgir de repente ou se desenvolver ao longo do tempo. Por isso, é importante entender como é essa doença, como identificá-la e quando é a hora de procurar um(a) profissional de saúde.  

Neste post, você vai entender o que é lúpus, como essa doença se desenvolve no organismo e qual o melhor tratamento para controlá-la, com o objetivo de manter a qualidade de vida. Continue a leitura e confira!

Infográfico sobre lúpus com imagem de lesão no rosto, explicando o que é a doença autoimune, chama atenção para o fato de o lúpus eritematoso sistêmico (LES) poder atingir diferentes partes do corpo, informa que cerca de 65 mil pessoas no Brasil convivem com a doença e ilustra sintomas como febre, cansaço, queda de cabelo e insuficiência renal.

O que é lúpus?

A palavra lúpus significa lobo em latim. Este termo foi usado pela primeira vez, muitos séculos atrás, para descrever a aparência de manchas que podem surgir na face de algumas pessoas com lúpus.

O lúpus eritematoso sistêmico ou, simplesmente LES, deve ser diferenciado do lúpus discoide e de outras formas de lúpus que afetam apenas a pele. No caso do LES, além da pele, o sistema imunológico passa a atacar os órgãos e tecidos saudáveis do próprio corpo. A condição é capaz de afetar estruturas importantes do organismo, como articulações, rins, pulmões, coração e cérebro.

No Brasil, cerca de 65 mil pessoas convivem com essa doença, sendo em sua maioria mulheres em idade ativa. Vale destacar que o lúpus eritematoso sistêmico é uma doença que pode causar complicações e impactar qualidade de vida quando não é tratada corretamente. A boa notícia é que existem tratamentos muito eficientes no controle da doença e na prevenção de complicações mais sérias.

Apesar de grandes avanços recentes, a causa do lúpus ainda não é totalmente conhecida.

Sabemos que a doença possui uma predisposição genética, e alguns fatores podem atuam como gatilhos, desencadeando o início da doença em pessoas predispostas. Situações de estresse para o organismo, como gestação, infecções virais, exposição solar ou, menos frequentemente, o uso de alguns medicamentos, podem desencadear a primeira crise ou mesmo a recorrência da doença preexistente. Além disso, o lúpus é muito mais comum em mulheres em idade fértil do que em homens, sugerindo que o estrogênio tenha um papel importante na origem e no desenvolvimento desse problema.

Quais são os sintomas do lúpus?

O lúpus é uma doença crônica que evolui com períodos de maior atividade (crises) e períodos de remissão. Como a doença pode afetar qualquer órgão, os sintomas também podem variar muito de uma pessoa para outra. Da mesma forma, os sintomas vão depender de a doença está em atividade ou remissão.

Os sintomas mais comuns da doença são dores nas articulações, que acometem cerca de 90% das pessoas com lúpus, e problemas de pele, presentes em cerca de 80% dos casos, mas a lista de sintomas possíveis é bem mais extensa, incluindo:

  • febre, cansaço e perda de peso
  • queda de cabelo
  • aftas orais
  • inflamação na membrana que recobre o pulmão (pleurite) ou o coração (pericardite)
  • insuficiência renal
  • alterações de exames laboratoriais no sangue e urina

Qual médico procurar?

Caso identifique alguns sintomas e esteja com suspeita de estar com lúpus, é recomendado agendar um exame com um médico reumatologista para fazer o diagnóstico e avaliar o quadro clínico do paciente com o auxílio de exames de sangue, de creatinina e de urina, podendo ainda ser requeridos exames de imagens e biópsia, dependendo de qual parte do corpo é acometida. 

Além do mais, caso o lúpus se limite à região cutânea, um médico dermatologista é o mais indicado para atuar em conjunto com o reumatologista como forma de ajudar o paciente ao máximo.

Como funciona o diagnóstico de lúpus?

O diagnóstico do lúpus é uma tarefa complicada, pois seus sintomas variam de pessoa para pessoa e, por terem sintomas muito semelhantes a outras patologias, podem ser facilmente confundidos. O diagnóstico depende de conhecimento esoecializado e envolve um quebra cabeças que inclui dados da história do paciente, do exame físico, exames de sangue e urina , exames de imagem e as vezes biópsias de órgãos acometidos.

Qual é o tratamento para lúpus?

Lúpus é uma doença crônica. Assim como a hipertensão ou o diabetes, o lúpus tem um tratamento muito eficiente mas que depende de um acompanhamento constante.

Como a doença varia muito de pessoa para pessoa, o tratamento também deve ser individualizado. Existem casos de lúpus muito leves com sintomas eventuais que não envolvem nenhum órgão mais importante enquanto que outros casos ocorrem de maneira intensa, e rápida com acometimento de rins e outros órgãos essenciais. De uma forma geral é preciso entender que o tratamento tem dois objetivos:

  1. Tratar a crise inicial ou uma nova crise da doença. O médico vai chamar isso de tratar a “atividade da doença”. O tratamento da atividade de doença deve ser feito o mais cedo possível para evitar complicações definitivas;
  2. Manter a doença em remissão (sem novas crises).

Diferentes tipos de medicamentos são utilizados, de acordo com cada caso como cloroquina, corticosteróides, drogas imunossupressoras e, mais recentemente, alguns medicamentos imunomoduladores chamados biológicos podem ser usados em casos especiais.

Mulheres com lúpus devem evitar o uso de anticoncepcionais contendo estrogênio, e , no caso de gestação, devem fazer acompanhamento médico especializado. Hábitos de vida saudáveis incluindo evitar tabagismo, praticar exercícios físicos regularmente e adotar dietas saudáveis são úteis para todos, assim como a utilizar proteção solar eficiente.

Uma orientação super importante para quem tem lúpus é fazer acompanhamento médico regular. Como toda doença crônica, é preciso controlar a cada momento a necessidade de continuar algum medicamento bem como ajustar as doses dos mesmos.

Neste sentido é super importante que o paciente conheça a sua doença. Esteja familiarizado e saiba identificar sintomas sugestivos de nova crise, bem como estar sempre a par dos medicamentos que utiliza , suas vantagens, desvantagens e modo de utilização.

Em síntese, o lúpus é uma doença autoimune crônica, de gravidade variável, com tratamentos eficientes, que necessita de um acompanhamento especializado e regular

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Revisão técnica: Alexandre R. Marra, pesquisador do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein (IIEP) e docente permanente do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde da Faculdade Israelita de Ciências da Saúde Albert Einstein (FICSAE).