Sinéquia uterina ou síndrome de Asherman
Glossário de Saúde do Einstein
- Doença
A sinéquia uterina, também conhecida como "síndrome de Asherman", refere-se a aderências dentro do útero, as quais são semelhantes a cicatrizes internas no órgão do sistema reprodutor feminino.
O acúmulo dessas aderências, também chamadas de tecido cicatricial, tornam as “paredes” do útero mais espessas e, consequentemente, deixam a cavidade menor.
Esse problema de saúde é raro, mas, quando se manifesta, pode causar dores pélvicas e sangramentos constantes e, com o passar do tempo, trazer problemas de fertilidade.
A sinéquia uterina surge após algum procedimento que possa ter causado agressão ao útero, como cesariana, histeroscopia, cirurgia de retirada de mioma, curetagem e infecções. Um tratamento oncológico com radioterapia também pode levar ao desenvolvimento de aderências.
Além disso, pacientes com histórico frequente de infecções na pélvis e que passaram por tratamento de câncer também ficam mais propensas. Não há dados que indiquem alguma condição genética.
Devido à raridade da sinéquia uterina, muitas vezes a doença nem sequer apresenta sintomas, e com isso leva a um diagnóstico mais delicado e tardio. Mas há mulheres com essa condição que sentem fortes dores pélvicas e têm sangramentos ocasionais.
Além disso, a doença pode impactar no ciclo menstrual, tornando-o mais curto do que o normal (hipomenorreia) ou deixando a mulher sem menstruar e com cólicas.
A sinéquia uterina não significa infertilidade. Mas, apesar de não ser um impeditivo para que ocorra a gravidez, a aderência pode comprometer a fertilidade da mulher, com isso as chances de uma gestação diminuem consideravelmente.
Nas gestantes, pode influenciar na fixação da placenta à parede do útero, o que impacta no crescimento do bebê em desenvolvimento e pode levar a aborto espontâneo. Porém, uma vez que a condição é tratada, a gravidez pode ocorrer de forma saudável novamente.
O tratamento para a sinéquia uterina consiste na remoção do tecido cicatricial para restaurar o tamanho original e o formato do útero. Ele pode ser feito por um ginecologista por meio de uma histeroscopia, que, com a ajuda de uma ferramenta específica para essa função, consegue visualizar e remover o tecido excessivo.
Alguns especialistas podem recomendar também tratamentos hormonais com o uso de estrogênio em um catéter intrauterino durante alguns dias após a histeroscopia, a fim de reduzir o risco de uma nova formação do tecido após a cirurgia.
Nas semanas seguintes ao procedimento, a paciente pode precisar monitorar o útero, consultando o especialista mais uma ou duas vezes para verificar se novas aderências não estão se formando no órgão.
Revisão técnica: Sabrina Bernardez Pereira, médica da Economia da Saúde do Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE), mestrado e doutorado em Ciências Cardiovasculares pela Universidade Federal Fluminense.
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