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A expertise acumulada, a atração de talentos e a estrutura construída para contemplar a pesquisa traz ganhos relevantes para o cuidado dos pacientes – a ponto de ser uma peça-chave em centros como o Einstein
Pesquisa clínica

Pesquisa Clínica aprimora o atendimento hospitalar como um todo

A expertise acumulada, a atração de talentos e a estrutura construída para contemplar a pesquisa traz ganhos relevantes para o cuidado dos pacientes – a ponto de ser uma peça-chave em centros como o Einstein

Diferentes estudos indicam que pessoas que recebem tratamento para doenças como o câncer em hospitais com atividades de Pesquisa Clínica apresentam melhores desfechos, mesmo se a intervenção em si não for experimental. “O Ensino e a Pesquisa mantêm os profissionais especialmente atualizados nas necessidades dos pacientes”, afirma o imunologista Luiz Vicente Rizzo, diretor de Pesquisa do Einstein. “Além disso, há uma tendência a adotar as melhores práticas possíveis, porque pesquisa clínica exige um alto controle de qualidade e uma avaliação minuciosa dos dados”, completa.

Está aí, portanto, uma tendência importante de centros médicos com um olhar para o futuro: integrar na rotina as pesquisas clínicas – aquelas que avaliam, em humanos, o efeito de possíveis intervenções para aprimorar o cuidado.

A organização se antecipou a esse movimento e, há décadas, começou a investir na capacitação técnica, na atração de pesquisadores e na infraestrutura. As Salas Limpas disponíveis hoje, por exemplo, possuem certificações internacionais de qualidade para o manejo de terapias altamente complexas, como as terapias gênicas. Graças a isso e ao preparo dos profissionais, o Einstein é, hoje, um dos poucos centros no Brasil capazes de receber pesquisas clínicas com terapias avançadas que começam a despontar.

Aliás, receber e coordenar pesquisas clínicas. A Academic Research Organization (ARO Einstein) é um centro capaz de coordenar esses tipos de estudo em diferentes locais do país e do mundo. “Nós planejamos a pesquisa junto com parceiros e colaboradores, viabilizando todas as suas etapas, da logística de entrega dos medicamentos ao manejo dos participantes, passando pela análise dos dados e pela interpretação dos resultados”, esclarece Rizzo. Que fique claro, vários dos estudos conduzidos pela ARO Einstein sequer têm participantes atendidos no hospital.

Durante a pandemia, o uso do medicamento tofacitinibe, da Pfizer, foi alvo de um estudo coordenado pela ARO Einstein, em pacientes hospitalizados com Covid-19. Os resultados saíram no periódico científico The New England Journal of Medicine, e contribuíram para o manejo da infecção em um momento crítico.

Infográfico sobre Pesquisa Clínica aprimora o atendimento hospitalar como um todo
Infográfico sobre Pesquisa Clínica aprimora o atendimento hospitalar como um todo

Novas possibilidades

As tradicionais três fases de uma pesquisa clínica, inclusive considerando o custo crescente dos novos tratamentos em si, são extremamente custosas e podem levar um tempo considerável. Diante desse desafio – e da necessidade de aprimorar a produção científica –, novos recursos vêm sendo integrados à Pesquisa Clínica.

“Atualmente, a Inteligência Artificial [IA] ajuda a desenhar estudos e analisar resultados. Mais do que isso, ela é capaz de consolidar diferentes artigos para oferecer informações valiosas e até encontrar voluntários para tratamentos específicos, o que é sempre um desafio”, indica Rizzo.

Outra tendência é usar recursos da Telemedicina. Uma que vem ganhando espaço – e sendo testada no Einstein – é o telemonitoramento dos voluntários. Em vez de viajar para um centro distante, o participante recebe em casa (ou em uma unidade de saúde próxima) dispositivos portáteis capazes de monitorar a sua saúde e alguns desfechos do tratamento experimental.

Essa prática não pode ser aplicada em todos os cenários, principalmente nos que envolvem doenças mais graves ou terapias de difícil manejo. Porém, em certos cenários e seguindo a regulação vigente, ela garante mais celeridade e economia de recursos.

As chamadas evidências de vida real (ou RWE, sigla para “real world evidence”, em inglês) também estão em ascensão. Aqui, em vez de recrutar participantes e aplicar uma intervenção, usa-se dados já disponíveis no mundo, que estão em diferentes plataformas (como o DATASUS) ou até em outras pesquisas. “Há uma vantagem interessante de verificar o efeito de uma terapia no cotidiano, onde ele não é acompanhado de perto por múltiplos profissionais”, diz Rizzo. “Por outro lado, os dados são menos controlados, então as análises estatísticas são especialmente complexas”, completa.

A atuação em pesquisa também ajuda a disseminar conhecimento de qualidade e a fomentar parcerias. A ARO Einstein possui acordos institucionais para conduzir pesquisas e compartilhar informações com outras organizações do tipo espalhadas pelo mundo, do Sri Lanka à África do Sul. Ao fazer isso, o hospital mantém-se atento a novas descobertas que repercutem positivamente na assistência médica.

Nacionalmente, o Einstein também desenvolve alianças de impacto. Retomando a pandemia, ele esteve envolvido com a Coalizão Covid Brasil, que reuniu vários hospitais para investigar possíveis tratamentos. Essa iniciativa produziu uma das pesquisas clínicas mais relevantes sobre a hidroxicloroquina, apontando a ineficácia contra a Covid-19 no grupo de pacientes testados dentro das condições momentâneas da pandemia. O projeto ainda serviu para capacitar outros centros no país, que hoje conseguem conduzir estudos clínicos próprios.
 

Em média, 13 422 estudos clínicos

foram iniciados por ano entre 2013 e 2022 no mundo, segundo relatório da Interfarma. O Brasil participou de cerca de 2% desses trabalhos, o que mostra uma oportunidade para crescimento. 

Já dentro do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (PROADI-SUS), o Einstein foi o primeiro centro autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a realizar estudos clínicos com uso de CAR-T Cells para linfomas e leucemias. As versões atualmente aprovadas desse tipo de tratamento, altamente complexo e com uma logística desafiadora, custam cerca 500 mil dólares – sem considerar valores indiretos, como a internação. Com o projeto coordenado pelo Einstein, espera-se chegar a uma opção nacional dez vezes mais barata. 

“A Pesquisa Clínica se beneficia muito das previsões que o Einstein faz. Acreditávamos que as terapias celulares, como as CAR-T Cells, ganhariam relevância, então desde cedo nos desenvolvemos para isso. Essa visão de futuro é resultado de uma cultura institucional que busca a excelência e as melhores soluções para questões de saúde”


Luiz Vicente Rizzo, diretor de Pesquisa do Einstein