Além de reduzir custos, a ideia é também diminuir o intervalo entre a coleta do material genético do paciente e o início da terapia para, no máximo, 12 dias. Atualmente, o processo industrial costuma demorar de 45 a 60 dias.
"A primeira paciente recebeu as células em maio de 2023 e foi super bem-sucedida com o desaparecimento total do linfoma", comemora Hamerschlak que coordena um dos poucos centros de tratamento credenciados no país para aplicar o remédio.
"Atualmente, fizemos uma pequena modificação no protocolo para podermos usar células congeladas e estamos aguardando a aprovação da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP) para continuá-la”, complementa.
Já o trabalho coordenado pelo Butantan é realizado em parceria com a Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), a Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP-USP) e o Hemocentro de Ribeirão Preto desde julho de 2022.
A iniciativa, batizada de Programa de Terapia Celular, ainda aguarda aprovação da Anvisa, mas prevê a participação de cerca de 80 voluntários com diagnóstico de linfoma difuso de células B refratárias. Ambas as pesquisas são focadas em pacientes refratários, como são chamados aqueles que não responderam bem a outros tratamentos.
No entanto, um novo estudo conduzido pela farmacêutica Janssen em parceria com o Einstein, A.C. Camargo Cancer Center e Hospital San Raphael testa a viabilidade do uso de células CAR-T em pacientes que não são elegíveis para transplante de medula após o tratamento medicamentoso inicial ou após seguir com a manutenção.
"Atualmente estamos com 13 pacientes incluídos no programa, dois estão sendo submetidos ao recurso terapêutico com CAR-T e cinco estão passando por quimioterapia prévia ao procedimento", conta Michelli da Silva Diniz, gerenciadora de pesquisa clínica do Hospital Israelita Albert Einstein. "O Cartitude-5 está de vento em popa aqui no Einstein e, por ser um estudo multicêntrico e multinacional, ainda não há resultados", afirma Hamerschlak, que também participa do projeto.
Com todas essas iniciativas é provável que o método se popularize e chegue a quem precisa. "No futuro, a minha impressão é a de que, no setor privado e na saúde suplementar, a terapia gênica em breve vai entrar na rotina de uso clínico", diz Hamerschlak. "E com esses avanços isso precisa ocorrer também na rede pública", acrescenta.