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Demência por corpos de Lewy: saiba o que é e conheça os sinais

Atualizado em 20/10/2025
Tempo de leitura: 3 minutos

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A detecção precoce é crucial. Identificar os sinais logo no início aumenta as chances de melhorar a qualidade de vida do paciente.

A demência por corpos de Lewy (DCL) é considerada uma das formas mais complexas e desafiadoras de neurodegeneração. Apesar de menos conhecida do que as doenças de Alzheimer e Parkinson, essa condição afeta milhares de pessoas e, segundo a organização Alzheimer's Disease International (ADI), representa cerca de 10% a 15% de todos os casos de demência no mundo. Recentemente, o cantor Milton Nascimento foi diagnosticado com a condição.

Seu nome faz menção aos “corpos de Lewy”, depósitos anormais da proteína alfa-sinucleína, tipicamente formados sobre o córtex cerebral. Esses aglomerados afetam diretamente a comunicação entre os neurônios, o que pode comprometer funções como memória, aprendizado, humor e movimento. A longo prazo, esse processo mata as células nervosas, prejudicando a cognição de maneira irreversível.

Causa desconhecida e fatores de risco

A causa exata da DCL ainda é desconhecida. Mas acredita-se que a condição pode estar associada à perda de neurônios produtores de neurotransmissores como a acetilcolina (ligada à memória e ao aprendizado) e a dopamina (relacionada a motivação, humor e movimentos).

Geralmente, a condição começa a se manifestar após os 50 anos, e os homens são mais afetados por ela do que as mulheres. Entre os sinais precoces da doença estão o distúrbio comportamental do sono REM e perda do olfato.

Embora alguns casos apresentem predisposição familiar, a DCL não é considerada uma doença hereditária. Da mesma forma, tampouco há evidência de fatores diretos envolvendo o estilo de vida, no entanto, hábitos saudáveis, como praticar exercícios regularmente, evitar o tabagismo e manter uma dieta equilibrada, parecem reduzir o risco geral de demências.

Como essa demência se manifesta

Assim como em outros casos de neurodegeneração, a DCL compromete a capacidade cognitiva. Seus sintomas mais comuns podem incluir:

  • Flutuações na atenção e no estado de alerta;
  • Dificuldade de raciocínio;
  • Problemas de percepção visual;
  • Alucinações realistas (frequentemente de pessoas ou animais);
  • Rigidez muscular;
  • Lentidão;
  • Tremores;
  • Dificuldades de equilíbrio, que podem levar a quedas frequentes;
  • Distúrbio do sono REM;
  • Sonolência diurna;
  • Insônia;
  • Depressão;
  • Apatia;
  • Ansiedade;
  • Agitação;
  • Delírio;
  • Paranoia;
  • Queda na pressão arterial ao se levantar;
  • Constipação;
  • Incontinência urinária; 
  • Disfunção sexual.

Como detectar

Identificar a DCL pode ser uma tarefa difícil, já que os sintomas se confundem com os de outros problemas, como Alzheimer e Parkinson. Não existe um exame definitivo em vida — a confirmação só pode ser feita após a morte, por meio de análise do tecido cerebral.

Ainda assim, médicos utilizam recursos como exames de imagem, estudos do sono e testes neuropsicológicos para apoiar o diagnóstico. Esse processo costuma ser feito por neurologistas especializados em demências ou distúrbios do movimento.

Existe tratamento?

Atualmente, não há uma cura para a demência por corpos de Lewy. Por isso, seu tratamento é baseado em aliviar os sintomas e melhorar a qualidade de vida dos pacientes. Essa abordagem envolve:

  • Emprego de medicamentos comumente utilizados para controlar o Alzheimer e o Parkinson, que podem ajudar a melhorar funções cognitivas, a rigidez e a lentidão;
  • Adoção de medidas de apoio para promover rotinas estruturadas, ambientes seguros e atividades físicas e cognitivas adaptadas, que ainda possibilitam uma maior autonomia do indivíduo;
  • Acompanhamento multiprofissional, como neurologistas, psiquiatras geriátricos, psicólogos, fisioterapeutas e especialistas em sono.

Estilo de vida importa

Uma vez que a ciência ainda não consegue definir as causas e os fatores de risco da DCL, também não se tem certeza sobre as melhores formas de preveni-la. Entretanto, acredita-se que manter hábitos saudáveis e estímulo mental durante todo o processo de envelhecimento pode reduzir o risco de desenvolver problemas cognitivos.


Revisão técnica: Mariana Jancis Unelo Rigolo (CRM 198725), membro do corpo clínico e da unidade de pronto-atendimento do Einstein Hospital Israelita. Residência em Clínica Médica pela Faculdade de Medicina do ABC e especialização em Geriatria pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

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