A vacinação é mais uma importante ferramenta na busca pelo controle da doença, que continua causando a epidemia no Brasil. Ela ainda não está amplamente disponível para todas as pessoas.
No início de 2023, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro da vacina Qdenga, da farmacêutica Takeda. Em dezembro do mesmo ano, o Ministério da Saúde anunciou a incorporação da vacina ao Sistema Único de Saúde (SUS). Com isso, o imunizante integrou o Calendário Nacional de Vacinação em 2024 por meio da aplicação de duas doses.
Por enquanto, a vacina será oferecida em municípios com mais de 100 mil habitantes que tiveram altas taxas de transmissão da doença. O público-alvo são crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos.
Com essa decisão, o Brasil se tornou o primeiro país do mundo a oferecer a vacina contra a dengue no sistema público de saúde. Essa vacina também estava disponível nos Centros de Imunização da rede privada, porém em quantidades limitadas porque a prioridade do laboratório é atender o sistema público de saúde.
“A vacina da Takeda é extremamente importante porque ela mostrou uma eficácia importante durante até quatro anos depois da vacinação. Embora ao longo dos anos a eficácia tenha diminuído, na prática constatou-se que tomar a vacina promove de duas a duas vezes e meia menos risco de ter dengue do que não tomar a vacina. É um resultado bem razoável”, disse o infectologista Camargo. Outra vantagem da vacinação, segundo o médico, é que ela diminuiu casos de internação e de dengue grave.
Além disso, o Instituto Butantan também está desenvolvendo uma vacina contra a dengue que até o momento apresenta resultados promissores – os resultados do estudo clínico com 16.235 voluntários apontaram a eficácia de 79,6% com uma única dose do imunizante, o que é uma vantagem. A expectativa é apresentar os dados para o pedido de registro à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no segundo semestre de 2024.
“A vacina do Butantan tem uma vantagem, que é a administração em dose única. E, em até dois anos de estudo, ela tem se mostrado bastante eficaz, em torno de 80%”, disse o professor. Segundo Camargo, o maior desafio é conseguir promover a vacinação em massa da população.