A lista de efeitos colaterais do Minoxidil assusta: uma vez que o remédio promove a dilatação dos vasos sanguíneos, os efeitos adversos podem atingir o coração. Os mais graves são a taquicardia, o qual é o aumento da frequência cardíaca, e a pericardite, uma inflamação da membrana que envolve o coração.
No entanto, a reação mais comum, é a hipertricose, nome científico para o crescimento exagerado de pelos por todo o corpo: cerca de 10% a 15% dos pacientes que fazem uso do Minoxidil via oral relatam esse sintoma. Outra reação frequente é o inchaço nas pernas ou no rosto.
O especialista Luciano Barsanti, da SBTri, relata que a maioria dos pacientes que chegam em seu consultório trazem efeitos colaterais do Minoxidil.
"Nos pacientes que eu atendo, 90% dos que vêm tomando Minoxidil têm efeitos adversos. Os outros 10% não relatam efeitos colaterais, mas muitos não necessariamente relacionam [o que estão sentindo] com o medicamento", explica o médico.
Em nota, a SBTri aconselha portadores da alopecia a procurarem "médicos e tricologistas que utilizem métodos não-invasivos para o tratamento", e cita terapias como eletroestimulação e laser de baixo comprimento.
Já a médica Fabiane Brenner, da SBD, destaca que as terapias realizadas em consultório não possuem evidências científicas tão robustas, e lembra que a calvície genética é uma doença crônica que depende de tratamento contínuo.
"O guia de tratamento da calvície é baseado principalmente no Minoxidil, especialmente de uso tópico, no transplante capilar e tratamento hormonal. É o que tem medicina baseada em evidências. Nos últimos 10 anos surgiram alguns tratamentos que a gente faz no consultório, mas esses deveriam ser tratamentos de exclusão, deveriam ser a última alternativa", explica.
O dermatologista Beni Grinblat também avalia que mesmo com os possíveis efeitos colaterais, o remédio é seguro e pode ser uma boa alternativa para pacientes com calvície. Inclusive, ele destaca que os efeitos colaterais são reversíveis, e que o acompanhamento médico garante que eles não afetem o paciente por um longo período.
"A gente tem que orientar a população que ele [Minoxidil] é uma opção no tratamento, mas claro que sempre com um diagnóstico correto, com acompanhamento médico, e aí uma avaliação do uso tópico ou oral. A gente nunca pode estimular a automedicação", completa Grimblat.