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O que é teranóstica e como ela pode ajudar no tratamento do câncer

Atualizado em 03/09/2025
Tempo de leitura: 2 minutos

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Célula cancerígena em destaque, ilustrando a importância da teranóstica na identificação de características tumorais para tratamentos mais eficazes.

Você já ouviu falar em teranóstica? Apesar do nome diferente, essa tecnologia representa um grande avanço no tratamento do câncer — unindo diagnóstico e terapia de forma personalizada e precisa.

A teranóstica combina duas etapas importantes do cuidado médico: descobrir onde está a doença e tratá-la utilizando-se vias metabólicas e moleculares específicas. Tudo isso é feito com a ajuda de substâncias chamadas radiofármacos, que se ligam especificamente às células doentes, como as do câncer. 

Esses radiofármacos funcionam como um “rastreador”, que localiza o tumor no corpo e, ao mesmo tempo, leva a radiação diretamente a ele, combatendo as células malignas com menos impacto nos tecidos saudáveis.

Evolução da teranóstica

Um dos primeiros e mais conhecidos usos da teranóstica foi no tratamento do câncer de tireoide. Desde a década de 1940, é utilizado o iodo-131, que se acumula naturalmente nas células dessa glândula. Ele é usado tanto para realizar exames (como a cintilografia) quanto para tratar as células cancerígenas — tudo com a mesma substância.

Esse sucesso abriu portas para aplicar a teranóstica em outros tipos de câncer, como os de próstata, fígado, tumores neuroendócrinos, entre outros. 

Com o avanço da ciência, pesquisadores conseguiram identificar “alvos” específicos nas células do câncer e desenvolver radiofármacos cada vez mais precisos. É como se fossem medicamentos “inteligentes”, capazes de localizar e atacar o tumor com exatidão, preservando as partes saudáveis do corpo.

Qual a diferença entre teranóstica e outros tratamentos?

A teranóstica se diferencia dos tratamentos convencionais principalmente pela precisão. Veja a comparação:

  • Quimioterapia: atua em todo o corpo, podendo causar efeitos colaterais significativos, já que atinge também células saudáveis;
  • Radioterapia externa: é mais localizada, mas ainda pode afetar tecidos saudáveis ao redor do tumor;
  • Cirurgia: pode remover o tumor visível, mas nem sempre alcança todas as células cancerígenas, especialmente se houver metástases.

Já a teranóstica entrega o tratamento diretamente nas células doentes. Outro diferencial é que, antes de iniciar a terapia, os médicos podem usar exames para verificar se o tumor apresenta o "alvo" ideal para aquele radiofármaco. Isso evita tratamentos desnecessários e aumenta a chance de sucesso.

Apesar de não substituir os tratamentos tradicionais, a teranóstica pode ser combinada com eles, trazendo melhores resultados e menos efeitos colaterais.

Cânceres com indicação ao tratamento

  • Câncer de tireoide bem diferenciado (comportamento menos agressivo) - tratamento com iodo-131
  • Tumores neuroendócrinos e outros com receptores de somatostatina - Terapia com DOTATATE-177Lu
  • Câncer de próstata com metástases - Terapia com PSMA-177Lu
  • Metástases ósseas do câncer de próstata - Terapia com rádio-223
  • Metástases no fígado - Radioembolização com ítrio-90
  • Neuroblastoma - Terapia com MIBG-131I

A teranóstica representa uma das principais modalidades em desenvolvimento da medicina personalizada — com mais precisão, menos efeitos colaterais e melhores resultados. Se você tem dúvidas sobre esse tipo de tratamento ou quer saber se ele é indicado para o seu caso, converse com seu médico.


Revisão técnica:

Sabrina Bernardez Pereira (CRM 154.981/RQE 45120), médica Escritório de Valor em Saúde no Einstein Hospital Israelita. Doutorado em Ciências Cardiovasculares pela UFF e título de especialista em Cardiologia SBC/AMB.

Taise Vitor, coordenadora biomédica da Medicina Diagnóstica do Einstein.

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