Os estudos científicos indicam uma prevalência em torno de 1% a 12% nas crianças entre cinco e dez anos de idade com TOD, sendo um transtorno mais comum em meninos.
“Conseguir identificar os sintomas recorrentes torna-se mais difícil à medida que chega à adolescência. Quanto mais jovens forem tratados corretamente, melhor será o prognóstico desses pacientes em relação ao controle dos sintomas. Além disso, a identificação desse transtorno pode evitar muitos episódios de estresse e bullying no ambiente escolar”, ressalta o médico psiquiatra e psicoterapeuta Gabriel Okuda, que atua nos hospitais Israelita Albert Einstein, no Alemão Oswaldo Cruz e no São Camilo.
A psicopedagoga Gisele Lino Wandermur, mãe de Erick, de 16 anos, conta que o filho começou apresentar os sintomas por volta dos seis anos, mas que foi diagnosticado com TOD somente aos 11 anos. Ela recorda que os sintomas comportamentais associados ao TOD causaram muitos problemas na escola. “A convivência com colegas e professores passou a ser algo muito desafiador e a equipe pedagógica da escola não conseguia ajudá-lo. Como os problemas de convivência não diminuíram, recebi o convite de retirá-lo do colégio. Daí comecei a procurar ajuda profissional”, recorda a mãe de Erick.
“Quando uma criança apresenta uma birra, desafiando a nossa autoridade, temos a tendência de banalizar e achar que é apenas uma fase. E que basta falar mais alto ou colocar de castigo para resolver. Só que birra e TOD são completamente diferentes. Para diferenciar, é necessário analisar esse comportamento por três parâmetros: a frequência, a persistência e os prejuízos envolvidos”, complementa.
Segundo a psicopedagoga, a frequência mínima para considerar esse comportamento em crianças acima de cinco anos é de uma vez por semana por, pelo menos, seis meses. Já para crianças menores de cinco anos, a frequência mínima é superior à metade dos dias da semana, de forma persistente, também por mais de seis meses.
“A criança costuma apresentar quadros recorrentes e intensos de desregulação emocional, o que leva a comportamentos inadequados, com quadros comportamentais e emocionais bastante disfuncionais”, explica Wandermur.
Ela afirma que o segundo parâmetro para desconfiar do transtorno é a persistência, ou seja, mesmo que os pais tentem intervir, aquele comportamento volta a acontecer. A psicopedagoga diz que o terceiro ponto é sobre os prejuízos envolvidos com esses episódios.
“Esses comportamentos inadequados atrapalham a aprendizagem, a autoestima e a parte social da criança, além de acarretar prejuízos para as pessoas diretamente envolvidas no cuidado dessa criança, principalmente em relação à mãe, que pode ter dificuldades de continuar trabalhando e estudando porque ninguém consegue lidar com o filho”, diz.