O que é câncer de vesícula biliar?
O fígado é um órgão localizado na parte superior direita da barriga, responsável por eliminar substâncias tóxicas e produzir o fluido que auxilia na digestão da gordura dos alimentos (bile).
Logo abaixo do fígado, há um pequeno órgão, que tem em média de sete a 10 cm de comprimento, chamado vesícula biliar, cuja função é armazenar a bile. O câncer de vesícula biliar é uma doença que se origina a partir do crescimento descontrolado das células da camada mais interna desse órgão (mucosa). Com o avanço da doença, essas células podem invadir as camadas externas da vesícula biliar.
Sintomas
Nas fases inicias, o câncer de vesícula biliar não costuma causar sintomas. E muitas vezes o diagnóstico é ao acaso, ou seja, ao realizar uma cirurgia de retirada de vesícula (colecistectomia) por outra causa, como por exemplo pedras na vesícula. Conforme a doença evolui, alguns sinais podem aparecer, como:
- dor na barriga (abdominal): dor repentina e intensa (aguda) na região da barriga (abdome), principalmente na parte superior
- caroço (nódulo) na barriga: conforme o câncer cresce, uma massa pode ser notada e sentida através da pele, com aspecto de caroço
- inchaço na barriga (abdominal): aumento visível do tamanho da barriga, que parece estar inchada
- perda de apetite: diminuição inexplicada e involuntária da vontade de se alimentar
- perda de peso inexplicada: ocorre sem haver mudanças na dieta ou na prática de atividades físicas
- febre alta: temperatura corporal acima de 39 °C, que pode ser acompanhada de sensação de frio e tremores involuntários (calafrios)
- pele e olhos amarelados (icterícia): a pele e a parte branca dos olhos (esclera) adquirem um tom amarelado, o que é mais comum em casos avançados de câncer de vesícula biliar. Isso ocorre devido ao excesso de uma substância amarela no sangue, a qual é encontrada no fluido produzido pelo fígado (bile). Essa substância é chamada bilirrubina
- enjoo (náuseas) e vômitos: algumas pessoas podem ter sensação de mal-estar, enjoo e vômitos
Esses sintomas podem estar relacionados a outras doenças, por isso, é importante buscar avaliação médica para obter o diagnóstico correto.
Causas
O câncer de vesícula biliar se forma quando as células do órgão localizado na parte superior direita da barriga (vesícula biliar) se multiplicam descontroladamente e formam uma massa (tumor maligno). Isso ocorre devido a alterações nas estruturas que carregam as instruções para o funcionamento dessas células (genes). Na maioria dos casos, as células afetadas são aquelas que revestem a camada mais interna da vesícula biliar (mucosa), mas, conforme o câncer cresce, ele pode se espalhar para as camadas externas.
Embora sua causa exata ainda seja desconhecida, alguns fatores de risco podem contribuir para o desenvolvimento do câncer de vesícula biliar, como:
- idade e sexo: é mais comum em pessoas do sexo feminino com mais de 65 anos
- histórico de pedra na vesícula (cálculo biliar): pode ocorrer a formação de massas sólidas semelhantes a pedras dentro do órgão (vesícula biliar) devido a um desequilíbrio na composição do líquido que auxilia na digestão das gorduras (bile), como o excesso de uma substância gordurosa chamada colesterol. Essa condição pode aumentar o risco de câncer de vesícula biliar
- condições que afetam a vesícula biliar: outras condições também podem ser associadas ao surgimento desse câncer, como o acúmulo do mineral geralmente encontrado nos ossos (cálcio) na parede do órgão (colecistite calcificante) e a inflamação persistente do órgão (colecistite crônica)
- colangite esclerosante primária: inflamação e formação de cicatrizes que bloqueiam os canais responsáveis por transportar o líquido que ajuda na digestão da gordura (bile), chamados ductos biliares. Pode contribuir para o desenvolvimento de câncer de vesícula biliar
- obesidade
Diagnóstico
O diagnóstico do câncer de vesícula biliar muitas vezes é ao acaso, ou seja, ao realizar uma cirurgia de retirada de vesícula (colecistectomia) por outra causa, como por exemplo pedras na vesícula. Em casos onde o paciente não apresentava sintomas, o diagnóstico tende a ser tardio, pois os sintomas costumam aparecer apenas em fases mais avançadas da doença. Alguns dos métodos utilizados para diagnosticar esse tipo de câncer incluem:
- exame clínico: o(a) profissional de saúde analisa os sintomas relatados, que podem incluir dor, inchaço ou caroço na barriga, bem como febre, perda de apetite e de peso e pele e olhos amarelados (icterícia)
- exames de sangue: para detectar substâncias que podem indicar a presença do câncer (marcadores tumorais). Esses exames também permitem medir a quantidade de determinadas substâncias liberadas pelo fígado no sangue (como a bilirrubina)
- tomografia computadorizada: exame que utiliza raios-x para obter imagens detalhadas dos órgãos internos
ressonância magnética: exame que usa ímãs (campo magnético) e ondas de rádio para gerar imagens do interior do corpo - ultrassom endoscópico (ecoendoscopia): consiste na introdução, geralmente pela boca, de um tubo flexível (endoscópio) com um pequeno aparelho na ponta (transdutor), que emite ondas sonoras capazes de gerar ecos. Esses ecos formam imagens dos órgãos que participam da digestão (trato digestivo)
- biópsia: pode ser necessário retirar uma amostra do tecido suspeito para análise em laboratório, a fim de determinar se há presença de células cancerígenas
- laparoscopia: procedimento em que um tubo fino e iluminado (laparoscópio) é inserido na barriga (abdome) por meio de um pequeno corte. Com esse exame, é possível observar o órgão localizado abaixo do fígado (vesícula biliar) e outros tecidos próximos. A laparoscopia pode ajudar a determinar a extensão do câncer e se ele se espalhou
Após a confirmação do diagnóstico de câncer de vesícula biliar, outros exames, além da laparoscopia, podem ser solicitados para determinar se ele está localizado em seu ponto de origem ou se chegou a outras regiões do corpo (metástase).
Tratamento
O tratamento do câncer de vesícula biliar é iniciado após a confirmação do diagnóstico e depende do quanto a doença avançou (estágio), da saúde geral do(a) paciente e de outros fatores individuais. As principais opções de tratamento incluem:
- cirurgia (colecistectomia): pode envolver a remoção da massa (tumor) e do órgão afetado (vesícula biliar). Em alguns casos, também pode ser necessário remover tecidos próximos, parte do fígado e as estruturas do sistema de defesa do corpo (linfonodos). Em algumas situações onde o diagnóstico foi ao acaso, o paciente pode ser submetido a uma nova cirurgia, com intuito oncológico.
- quimioterapia: uso de medicamentos para destruir as células cancerígenas. A quimioterapia pode ser realizada antes da cirurgia, para diminuir o tamanho da massa (tumor), ou após, para eliminar as células restantes
- radioterapia: consiste no uso de feixes de energia de alta potência (radiação) para destruir as células cancerígenas. Assim, como a quimioterapia, pode ser usada antes ou depois da cirurgia. Também ajuda a aliviar os sintomas em casos avançados
- imunoterapia: Em casos de doença avançada, a imunoterapia pode ser associada a quimioterapia no combate da doença.
- terapia-alvo: os tumores de vesicula biliar podem ser combatidos com tratamentos direcionados a mutações que ocorrem no tumor, isso chama-se medicina de precisão.
- cuidados paliativos: ajudam a controlar os sintomas dos(as) pacientes e a melhorar sua qualidade de vida. São fundamentais em casos em que não é possível curar a doença
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Prevenção
Embora não haja um método totalmente eficaz para prevenir o câncer de vesícula biliar, algumas práticas podem ajudar a reduzir o risco, como:
- dieta saudável: a obesidade pode aumentar as chances de desenvolver condições que favorecem o surgimento desse câncer (como pedra na vesícula). Por isso, é importante manter uma alimentação balanceada, com frutas (como maçã e banana), legumes (como cenoura e brócolis) e proteínas (como frango, peixe e ovos)
- praticar exercícios físicos regularmente: além de uma dieta equilibrada, é fundamental praticar atividades físicas regularmente (de 150 a 300 minutos por semana), como caminhada, ciclismo e musculação
- não fumar e limitar o consumo de álcool: o consumo excessivo de álcool e de produtos feitos com tabaco (tabagismo), como o cigarro, é um fator de risco para diversos tipos de câncer
- acompanhamento médico: realizar consultas e exames regularmente com um(a) profissional de saúde especialista no cuidado dos órgãos envolvidos na digestão (gastroenterologista) para identificar anormalidades logo no início
Referências
Cleveland Clinic
NHS - UK