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Bexiga neurogênica: quais sintomas indicam incontinência urinaria?

Atualizado em 03/09/2025
Tempo de leitura: 3 minutos

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A bexiga neurogênica, também chamada de disfunção neurogênica do trato urinário inferior, consiste na alteração do controle sobre a capacidade de urinar. Ela pode apresentar diferentes manifestações clínicas, como incontinência urinária, urgência miccional e incapacidade de esvaziamento da bexiga. Há risco de infecções urinárias recorrentes e danos aos rins, resultando na perda da função renal.

Existem muitas causas para a bexiga neurogênica, sendo que doenças neurológicas centrais e periféricas apresentam risco de ocasionar sintomas urinários.

Acidente vascular cerebral (AVC), lesão da medula espinhal e compressão da cauda equina (nervos da parte inferior da medula) são exemplos de lesões que podem resultar em bexiga neurogênica, mas o problema também pode estar relacionado a processos inflamatórios, demência, doença de Parkinson, esclerose múltipla e neuropatias periféricas, entre outros. 

No mundo, estima-se que existam 400 milhões de pessoas com disfunções vesicais decorrentes de doenças neurológicas.

No Brasil, embora não existam números consistentes, estima-se que a bexiga neurogênica em pacientes com lesão medular registre 71 casos por milhão de habitantes, um número cerca de 100% maior do que nos Estados Unidos e no Japão. Acidentes de trânsito e violência urbana contribuem para esse resultado.

Bexiga cheia x bexiga vazia

O ato de urinar envolve complexos mecanismos de integração do sistema nervoso autônomo (involuntário) e piramidal (voluntário). No ciclo normal, a urina é armazenada até a percepção de bexiga cheia e, então, é eliminada ainda com baixa pressão no órgão.

No esvaziamento adequado, deve haver relaxamento voluntário do esfíncter sincronizado com a contração do detrusor (ação involuntária). O detrusor é um músculo que precisa estar relaxado para o armazenamento da urina e contraído para que ela seja expelida.

Quando há disfunção, o relaxamento do esfíncter externo pode estar comprometido, impedindo o esvaziamento da bexiga quando ocorre a contração involuntária do detrusor. Isso aumenta a pressão interna no órgão, com risco de refluxo vesicoureteral, acarretando comprometimento e até falência dos rins, além de repetidas infecções e maior incidência de cálculo renal.

Em muitos pacientes, especialmente em casos de lesão medular, também pode haver comprometimento da função intestinal. A disfunção geralmente se apresenta no funcionamento esfincteriano, especificamente na porção externa do esfíncter anal, cujo controle é voluntário.

Na porção interna do esfíncter, cujo controle é involuntário, assim como no restante do trato intestinal, os movimentos peristálticos tendem a ocorrer normalmente, com funcionamento adequado.

Na disfunção do esfíncter externo, o mais comum é ter o relaxamento comprometido, impedindo assim as fezes de serem expelidas. Nesses casos, uma equipe multiprofissional irá orientar o paciente com dieta não obstipante, massagens abdominais e medidas laxativas. Cada caso deve ser avaliado individualmente.

Tratamento da bexiga neurogênica

Quando o quadro clínico da bexiga neurogênica apresenta urgência miccional e incontinência, existem tratamentos com medicamentos orais e aplicações de toxina botulínica. Já quando o paciente apresenta dificuldade para esvaziamento da bexiga, pode ser necessário o uso de um cateter.

O cateterismo intermitente, que consiste no uso de uma sonda uretral para o esvaziamento da bexiga, impede o acúmulo prolongado de urina, reduzindo significativamente infecções e internações, e diminuindo o risco de complicações renais. Existem diversos tipos de catéteres, que são previamente lubrificados para facilitar o uso dessa terapia.

Com a evolução da disfunção, há casos em que a bexiga sofre redução na capacidade de armazenamento da urina. Quando isso ocorre, existem cirurgias de ampliação da bexiga, que proporcionam melhora na qualidade de vida e previnem a insuficiência renal.

Revisão Técnica: Luiz Antônio Vasconcelos, especialista em clínica médica, medicina interna, cardiologia e ecocardiografia. É cardiologista e clínico das unidades de pronto atendimento e do corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein.

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