Os dentes do siso, ou terceiros molares, são os últimos dentes a nascer e se localizam atrás dos outros molares. Eles recebem esse apelido porque sua erupção ocorre quando a pessoa está passando por transformações, entre a adolescência e o início da fase adulta (dos 15 aos 25 anos). Na Língua Portuguesa, siso significa boa capacidade de avaliação e bom senso.
Um problema comum causado pelos dentes do siso é que eles podem não erupcionar totalmente: nascendo apenas uma parte da coroa, eles ficam “semierupcionados”; mas também podem ficar totalmente inclusos, quando não rompem minimamente a gengiva. No caso dos semierupcionados, pode haver dificuldade em manter a higiene oral, levando a processos inflamatórios, infecciosos e dor.
Uma das possíveis consequências disso é a pericoronarite. Trata-se da uma condição inflamatória aguda ou crônica dos tecidos moles que circundam a coroa de um dente parcialmente irrompido, mais frequentemente o terceiro molar mandibular, o dente do siso.
O quadro clínico caracteriza-se por dor localizada, edema, eritema, presença de exsudato (substância líquida que extravasa dos vasos sanguíneos para os tecidos circundantes). Em casos agudos, pode haver trismo, que é a dificuldade em abrir a boca, halitose e até envolvimento sistêmico, ou seja, implicação de múltiplos órgãos e tecidos no corpo por uma única doença, condição ou processo.
A posição e o grau de erupção do terceiro molar influenciam diretamente o risco de pericoronarite. Molares em posição vertical e parcialmente irrompidos apresentam maior risco para o desenvolvimento da condição. Fatores como higiene oral deficiente, presença de infecção do trato respiratório superior e alterações hormonais também estão associados à gravidade e recorrência do quadro.
Outras indicações para a remoção dos dentes do siso
Segundo o Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (Crosp), a extração do siso é indicada em caso de:
- falta de espaço na arcada;
- dor;
- infecções;
- lesões;
- cáries;
- mau posicionamento que afeta os dentes vizinhos e prejudica tratamentos ortodônticos.
Por isso, os dentes do siso devem ser avaliados por um cirurgião-dentista. É importante sempre fazer exames, como a radiografia panorâmica e, em especial, a tomografia, para verificar a posição do dente em relação ao canal alveolar inferior (nervo da mandíbula), guiar a cirurgia e evitar parestesia (dormência).
As imagens também ajudam a determinar a posição dos dentes superiores em relação aos seios maxilares. Os exames são fundamentais para o correto planejamento cirúrgico e a segurança no procedimento.
Extração e acompanhamento
Somente um cirurgião-dentista pode indicar a retirada dos dentes, após avaliação clínica e exames complementares. Depois da remoção, deve ser feito um acompanhamento próximo, com controle microbiano local e, em alguns casos, a laserterapia é associada. A higiene regular é essencial para evitar processo infeccioso como a alveolite, inflamação ou infecção da cavidade dos ossos maxilares onde ficam as raízes dentárias, chamada de alvéolo.
É esperado um edema (inchaço) natural após esse processo, diferente do edema fruto de infecção. E, também por isso, é preciso o acompanhamento profissional. Já o uso de antibiótico deve ser avaliado caso a caso e aplicado somente em processos infecciosos já instalados.
O procedimento, na maioria das vezes, é feito no consultório, porém pode ser realizado em um hospital, especialmente nos casos em que os quatro dentes são extraídos de uma só vez, para maior conforto do paciente. Nesses casos, o pós-operatório é único.
Em ortodontia (especialidade odontológica focada em alinhar dentes e corrigir a posição dos ossos maxilares), há casos em que se pode sugerir a remoção dos dentes do siso o mais precocemente possível. Nessa fase, é comum ter formada somente a coroa do dente e o risco de proximidade ao canal alveolar é menor.
Evolução humana
O processo evolutivo humano proporcionou uma mudança importante na nossa alimentação, diminuindo a necessidade de força da musculatura para a mastigação. O reflexo direto disso foi uma diminuição do volume da musculatura mastigatória e, como consequência, uma redução também do volume dos ossos das arcadas dentárias onde essa musculatura se ancora.
Outras mudanças no estilo de vida dos seres humanos também fazem com que usemos apenas os primeiros e os segundos molares, dispensando a necessidade dos terceiros. Assim, os dentes do siso tendem a reduzir sua incidência, num processo chamado de agenesia dentária.
Revisão técnica: Camila de Freitas (CRO 5665), cirurgiã-dentista e referência técnica em Odontologia no Einstein Hospital Israelita em Goiânia, Hospital Municipal de Aparecida de Goiânia – Iris Rezende Machado (HMAP) e Hospital de Urgências de Goiás Dr. Valdemiro Cruz (HUGO).




