A febre maculosa, causada pela bactéria Rickettsia sp., é transmitida principalmente pela picada de carrapato. O carrapato se contamina ao sugar o sangue de animais infectados, como cavalos, capivaras ou vacas. Para transmitir a bactéria a uma pessoa, o carrapato precisa ficar grudado na pele por cerca de quatro horas. A picada pode causar coceira, mas às vezes passa despercebida, especialmente se for um carrapato jovem muito pequeno, conhecido como micuim.
No Brasil, existem duas espécies da bactéria: a Rickettsia rickettsii, mais comum no Sudeste, que causa uma doença grave com uma taxa de letalidade de até 55%, e a Rickettsia parkeri, registrada no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Bahia e Ceará, que causa quadros menos graves.
O diagnóstico da febre maculosa deve ser rápido. Após a contaminação, o período de incubação da doença dura em média uma semana, variando de dois a 14 dias. O diagnóstico pode ser difícil, pois os sintomas iniciais são bastante inespecíficos, incluindo febre, dor de cabeça, dor no corpo, falta de apetite, náuseas e vômitos. Posteriormente, surgem manchas vermelhas na pele e a condição clínica geral do paciente piora.
"A pessoa pode acabar revelando esses sinais e sintomas e demorar a procurar um serviço médico. Assim, a doença vai evoluindo", diz a infectologista Emy Akiyama Gouveia, do Hospital Israelita Albert Einstein. A febre maculosa provoca uma inflamação nos vasos que causa tromboses e formação de coágulos, levando a falhas nos órgãos devido à falta de circulação adequada. Em poucos dias, podem ocorrer complicações graves, como insuficiência renal, insuficiência respiratória e necrose de tecidos.
No início, a febre maculosa pode ser confundida com outras doenças, como leptospirose, dengue e malária. Portanto, se o paciente apresentar os sintomas, é importante mencionar se esteve em áreas de risco e teve histórico de picadas de carrapatos. O tratamento precoce com antibióticos é essencial e deve ser iniciado nos primeiros dias para evitar o agravamento da doença.




