O excesso de informações, de múltiplas conexões e de tempo gasto nos dispositivos e ambientes digitais tem causado aumento dos transtornos mentais. É parte do que revela a pesquisa Saúde Mental dos Brasileiros 2022, conduzida pelo Datafolha, com 2.098 brasileiros, em agosto do mesmo ano.
Focado em redes sociais, o levantamento mostra que o abalo na saúde mental vem sendo desencadeado por alguns fatores, entre eles:
- Medo de julgamento e ataques por conta do conteúdo postado em seus perfis;
- Sentimento de cobrança para se manter ativo online;
- Insatisfação com a própria vida pela comparação com as de outras pessoas.
Esses sentimentos, somados à exposição diária e excessiva aos ambientes online, podem levar a problemas psíquicos graves, como ansiedade e depressão.
O aparentemente belo, feliz e bem-sucedido pode gerar em muitas pessoas uma falsa percepção da realidade. Isso pode causar frustração pela pessoa não conseguir alcançar determinado padrão, seja físico, com roupas, de viagem ou até mesmo vivenciar certas experiências. Uma consequência provável e mais séria disso é o transtorno de imagem, gerado pela comparação a determinados padrões corporais.
Ainda, o uso excessivo do celular, assistindo, conversando, jogando ou praticando outras atividades online pode levar ao aumento gradativo da ansiedade, a ponto de se tornar – de fato – uma doença, com necessidade de apoio terapêutico.
Um sinal evidente de que esse excesso está se tornando um vício é quando a pessoa começa a dormir com o celular na cama, e a primeira atividade ao acordar é checá-lo. Algumas pessoas chegam a acordar no meio da noite, ansiosas pela presença do aparelho. Uma vez conectadas, essas pessoas podem desenvolver, entre outros malefícios, insônia, o que prejudica a concentração e a produtividade no trabalho e nos estudos.
Todos esses fatores podem levar a esgotamento mental e sofrimento emocional. Fazem parte do quadro: tristeza, desânimo, alterações do sono e de humor, diminuição do interesse por atividades, entre outros efeitos e sentimentos negativos. O que pode resultar, por fim, em depressão e até, em casos mais sérios, em suicídio.