Apesar de não trazerem riscos para a maioria das pessoas, quando praticadas de maneira eventual, essas atividades podem ser perigosas para alguns indivíduos. Por isso, é importante checar se a saúde está em dia antes de aderir a elas.
“O que é mais delicado nessas estratégias que estão na moda é que elas trazem uma série de riscos. É importante sempre ter uma orientação médica e fazer um check-up antes de adotar atividades físicas mais intensas ou estratégias de recuperação. É preciso ter cuidado com essas práticas da moda”, avalia Hatano.
Além de uma avaliação prévia, os especialistas também recomendam se adaptar aos poucos às temperaturas extremas. No caso da sauna ou da hot yoga, por exemplo, o ideal é começar com períodos curtos e reforçar a hidratação antes e depois da prática.
“Quando você pratica hot yoga, por exemplo, há um risco grande de desidratação, e isso pode levar até a desmaios, por exemplo. Já no frio extremo, como em uma banheira de gelo ou um mergulho em água fria, há o risco de hipotermia e de vasoconstrição”, explica Hatano.
A cardiologista Luciana Janot também destaca que práticas em ambientes muito quentes trazem dois riscos combinados: o do exercício intenso e o da temperatura extrema.
“Em um ambiente quente e úmido, como o da hot yoga, a gente tem uma vasodilatação, e isso faz com que a gente tenha aumento de frequência cardíaca e queda da pressão arterial. Quem já é hipotenso [tem pressão baixa], ou sensível ao calor, num ambiente desse vai ter grande chance de passar mal. Todo mundo passa mal? Não. Tem gente que se acostuma? Sim, mas tem que ter alguns cuidados”, explica Janot.
Além de se manter hidratado, outra precaução importante ao fazer exercício em ambientes de temperaturas altas é diminuir a intensidade da atividade para evitar lesões.
“O calor pode dar uma sensação de soltura, de analgesia, e a gente fica com a musculatura mais relaxada. Assim, a gente consegue fazer alongamentos maiores, por exemplo, e fica mais fácil passar do ponto”, afirma a cardiologista.
Já no caso das banheiras de gelo ou dos mergulhos em água fria, é indispensável ter um check-up médico em dia antes de se aventurar por conta própria. Ainda assim, é importante lembrar que muitos problemas cardiovasculares mais sutis podem não ser detectados em exames de rotina.
“Mesmo com a saúde em dia, a gente sabe que não é para todo mundo. Para quem nunca se aventurou, o tempo na água tem que ser menor. Também vai depender muito da tolerância prévia ao frio de cada um: se é uma pessoa que já tem dificuldades normalmente, eu acho que pode não ser prazeroso”, avalia a cardiologista.
Para o mergulho em água gelada, o ideal é começar com temperaturas intermediárias e aumentar o tempo de banho aos poucos, sem nunca ultrapassar a marca de 10 minutos.
“Não há razão para permanecer por mais de 10 minutos [na água gelada]. Os benefícios não vão ser maiores se você ficar mais tempo, e não adianta se basear em como você se sente, porque depois de um tempo o corpo se acostuma com a água fria, mas o organismo continua esfriando na mesma velocidade, o que pode ser perigoso”, explica Tipton.
É preciso ainda ter um cuidado redobrado com o contraste de temperatura, ou seja, com a exposição ao frio logo após o calor, ou vice-versa. É o que ocorre com pessoas que praticam mergulho gelado logo depois de sair da sauna, por exemplo.
“Para indivíduos saudáveis, fazer sauna antes do mergulho gelado provavelmente reduz o estímulo frio na imersão inicial, então se torna mais fácil entrar na água fria. No entanto, se você sofre de doenças cardiovasculares, a sauna pode ser perigosa por si só, e a imersão em água fria também”, afirma Tipton.
“Se você combina as duas práticas, você está dobrando suas chances de ter um problema”, completa o médico.