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Quais os riscos do uso frequente de telas por crianças e adolescentes?

Atualizado em 03/09/2025
Tempo de leitura: 3 minutos

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Criança sentada à mesa interagindo com um dispositivo do tipo tablet.

É cada vez mais comum ver crianças pequenas deslizando seus dedos pelas telas de celulares e tablets. Por trás dessa prática que muitos pais podem julgar inofensiva, especialistas destacam uma realidade preocupante: as consequências do uso excessivo e precoce de dispositivos eletrônicos no processo de desenvolvimento das novas gerações.

Isso ocorre porque a exposição intensa às telas afeta diretamente o funcionamento do cérebro de crianças e adolescentes. Especialmente nos primeiros anos de vida, o desenvolvimento neural dos seres humanos é moldado pela interação com o ambiente físico e o convívio com as pessoas ao seu redor, o que não acontece nos espaços digitais. 

Correr, pular, brincar com outras crianças, manipular objetos e conversar hábitos que ativam múltiplas áreas do cérebro, contribuindo para o amadurecimento neurológico. Quando a criança passa horas apenas consumindo estímulos audiovisuais, o cérebro não é desafiado a desenvolver funções complexas, como a empatia, o autocontrole, a criatividade ou a linguagem.

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O conteúdo encontrado nas redes sociais e nos aplicativos voltados para o público infantil costuma ser marcado por estímulos rápidos, coloridos e sonoros. Esses elementos ativam os circuitos de recompensa do cérebro de forma intensa, o que torna a experiência viciante e reduz a capacidade de concentração em atividades mais lentas e complexas, como a leitura ou o estudo.

A troca das brincadeiras ao ar livre por horas diante das telas ainda traz consequências como o sedentarismo, associado a diversos problemas de saúde, como obesidade.

Papel dos pais e responsáveis

O exemplo de uma relação saudável com as tecnologias deve partir dos próprios pais e responsáveis. No entanto, o que se vê em muitos casos são adultos que reforçam, mesmo sem perceber, um comportamento de dependência das telas.

As crianças aprendem pela observação. Dessa forma, a utilização constante dos dispositivos na presença dos filhos, como durante as refeições e as brincadeiras, comunica que aquele objeto merece atenção prioritária. Isso estabelece uma relação precoce e desregulada da criança com a tecnologia. 

Um outro ponto de atenção é o chamado sharenting (ou “compartilhamento da parentalidade”). Essa atividade diz respeito à prática de compartilhar excessivamente fotos e vídeos dos filhos nas redes sociais – desde seus primeiros passos ou palavras até momentos de lazer e tensão.

Mais do que só expor desnecessariamente os pequenos, essa atitude pode ainda acarretar uma série de consequências severas à saúde deles. Crianças muito expostas ficam mais suscetíveis a desenvolver déficit de atenção e enfrentam mais dificuldade para formar vínculos ou viver de maneira espontânea. 

Educação digital

Embora não exista uma idade “ideal” para que crianças e adolescentes passem a acessar telas ou tenham seus próprios dispositivos eletrônicos, antes de fazê-lo é importante preparar o jovem para o que ele vai encontrar na internet. Cabe aos pais e responsáveis educar seus filhos sobre como se portar nos ambientes digitais, assim como eles fariam diante de qualquer nova experiência presencial.

A ausência de orientação pode tornar os jovens vulneráveis a conteúdos impróprios, além de cyberbullying, vícios e até crimes virtuais. Por isso, a educação digital deve ser tratada com o mesmo cuidado que qualquer outro aspecto da formação ética e cidadã. É fundamental que os pais estabeleçam limites claros, acompanhem o que os filhos estão consumindo e promovam diálogos frequentes.

Precisa ficar claro, por exemplo, que todas as ocorrências do ambiente virtual têm consequências no mundo real. Sendo assim, fotos e áudios podem ser compartilhados e mal utilizados. A criança deve entender os riscos e as responsabilidades que vêm junto com o uso da tecnologia.

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