A transição para a adolescência marca uma mudança radical no jeito de fazer e viver amizades: a espontaneidade infantil dá lugar à cautela; o medo do julgamento, a vergonha e a sensação constante de inadequação tornam os adolescentes mais seletivos e, muitas vezes, mais inseguros na hora de se abrir a novos laços.
Por outro lado, os amigos passam a ter um papel crucial na vida, em espaços que antes eram ocupados pelos pais e responsáveis. São eles que vão ouvir os desabafos, validar gostos, guardar segredos e ajudar a construir uma identidade que já não gira apenas em torno das personalidades do núcleo familiar.
Esse período é caracterizado pelo afastamento natural dos pais e responsáveis. Isso não é sinal de rebeldia nem desprezo, mas, sim, de autonomia em formação. A adolescência é uma fase em que a pessoa busca se diferenciar para se entender como sujeito. Nesse processo, as tribos funcionam como espelhos e bússolas.
Na prática, isso pode ocasionar uma série de mudanças. À medida que os gostos, valores e interesses evoluem, não é incomum que as amizades da infância deixem de fazer sentido ou deem lugar a outras relações que conversem melhor com o momento atual.
Mesmo que esperado, existe a possibilidade dessa movimentação de rompimento levar a frustrações. Para um adolescente, perder um amigo pode ser tão impactante quanto o fim de um namoro – e deve ser tratado com a mesma seriedade pelos adultos à sua volta.