A sudorese excessiva, também chamada de hiperhidrose, ocorre quando o corpo produz suor de forma desproporcional às necessidades térmicas ou emocionais. Em vez de ser um mecanismo eficiente de resfriamento, o suor torna-se frequente e intenso em situações cotidianas, como trabalhar, assistir a um filme ou simplesmente conversar com alguém, e pode ser incapacitante.
Distinguindo o suor normal do excessivo
Nem todo suor fora do padrão é hiperhidrose, mas existem sinais que ajudam a diferenciar. Na hiperhidrose, a transpiração é repetitiva, intensa e muitas vezes localizada em áreas como palmas das mãos, sola dos pés, axilas e rosto, mesmo sem calor, esforço físico ou nervosismo.
Essa condição pode começar ainda na infância ou adolescência e persistir ao longo da vida. Em contraste, a sudorese que surge de forma generalizada, especialmente acompanhada de febre, perda de peso, dor ou sintomas noturnos, pode indicar uma condição médica subjacente, como distúrbios hormonais, infecções ou efeitos de medicamentos.
O suor excessivo vai além do incômodo físico. Roupas constantemente molhadas, mãos escorregadias e manchas visíveis podem constranger e limitar atividades simples, que vão desde cumprimentar alguém com um aperto de mão a usar objetos manuais com firmeza.
Muitos pacientes relatam evitar interações sociais, sentir ansiedade antecipada ou até mesmo se retraírem de oportunidades profissionais por medo do suor visível.
Tratamentos para a hiperhidrose
É recomendável procurar uma avaliação médica se o suor for intenso, prolongado e sem explicação clara. Ou se interferir nas atividades diárias, vier acompanhado de outros sintomas como febre ou perda de peso e ocorrer mais frequentemente à noite.
No consultório, o diagnóstico começa com uma anamnese detalhada, que inclui perguntas sobre quando o suor começou, em que regiões se manifesta, com que frequência e em que situações. O padrão de distribuição, histórico familiar e resposta ao sono também são considerados no processo de avaliação.
Com o diagnóstico de hiperhidrose em mãos, as equipes profissionais podem direcionar o paciente para uma série de abordagens terapêuticas, como:
- Antitranspirantes medicinais com compostos como cloreto de alumínio podem reduzir a produção de suor ao obstruir parcialmente os ductos das glândulas;
- Medicações tópicas e lenços medicados destinados a bloquear a estimulação nervosa local pode ser útil em áreas específicas;
- Iontoforese, procedimento em que uma leve corrente elétrica é aplicada sobre a pele para diminuir a atividade das glândulas em mãos e pés;
- Injeções de toxina botulínica, que bloqueiam os sinais nervosos às glândulas sudoríparas e podem reduzir significativamente a sudorese por meses.
Soluções definitivas
Quando esses tratamentos não conseguem controlar o problema, também podem ser consideradas intervenções mais duradouras. Isso inclui a remoção cirúrgica das glândulas sudoríparas em áreas como as axilas ou outros procedimentos definitivos que interrompem sinais nervosos responsáveis pelo estímulo excessivo ao suor.
Entre as opções está a simpatectomia torácica, indicada principalmente para casos de hiperhidrose palmar, axilar ou facial que não respondem às terapias clínicas. Trata-se de um procedimento minimamente invasivo, realizado por cirurgião torácico, no qual são interrompidos seletivamente os nervos responsáveis pelo estímulo excessivo das glândulas sudoríparas.
A cirurgia é feita por videotoracoscopia, com pequenas incisões. A recuperação é rápida e permite o retorno precoce às atividades habituais. O efeito é imediato e permanente, proporcionando melhora significativa da qualidade de vida na maioria dos pacientes cuidadosamente selecionados.
Outra opção de tratamento é o MiraDry, uma tecnologia que chegou recentemente ao Brasil e é indicada para casos de hiperhidrose axilar. O método utiliza energia térmica para destruir de forma controlada as glândulas sudoríparas das axilas, reduzindo de maneira significativa e duradoura a produção de suor, sem necessidade de cirurgia.
Revisão técnica: Leticia Leone Lauricella, cirurgiã torácica no Einstein Hospital Israelita (CRM 115832/RQE 66992)