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Doações

Colesterol

Glossário de Saúde do Einstein

CID 10 - E78

  • Condição

O que é colesterol?

O colesterol é uma substância essencial para o funcionamento do organismo. Presente no sangue e nos tecidos, ele contribui para a produção do hormônio cortisol, hormônios sexuais, vitamina D e de ácidos envolvidos na digestão de gorduras. Também tem papel importante na estrutura e na regeneração das células dos animais.

Embora a maior parte do colesterol nos seres humanos seja produzida pelo próprio organismo, ele também pode ser obtido por meio de alimentos como ovos, carnes e leite integral. Sua presença é indispensável para o equilíbrio das funções vitais. No entanto, quando em excesso na circulação sanguínea, ele pode trazer algumas complicações.

A mais comum delas é a formação de placas de gordura nas artérias, condição chamada aterosclerose, que pode causar o endurecimento e o entupimento dos vasos sanguíneos. Com a obstrução dos vasos, o coração recebe uma quantidade menor de oxigênio e nutrientes, o que compromete o seu funcionamento e aumenta o risco de condições como angina, infarto do miocárdio e insuficiência cardíaca. Quando acomete as artérias carótidas e cerebrais, pode levar até a acidentes vasculares cerebrais (AVC) ou derrames.

A causalidade entre a elevação do colesterol do sangue e as doenças cardiovasculares foi demonstrada em robustos estudos que envolveram mais de 800.000 indivíduos seguidos por até cinco décadas. Essa relação é reconhecida pela comunidade acadêmica, por sociedades médicas, pela Organização Mundial da Saúde e por agências reguladoras, como a agência dos Estados Unidos responsável pela regulamentação de alimentos e medicamentos (FDA) e a EMEA, na Europa.

Sintomas

O colesterol elevado nem sempre causa sintomas. Em raros casos, o excesso de colesterol do sangue pode levar à formação de nódulos nos tendões (xantomas) e de manchas amarelas ao redor dos olhos (xantelasmas). Na maioria das vezes, os sinais aparecem em consequência da formação das placas de gordura nas artérias, quando a condição pode estar em estágio mais avançado.

Quando as placas atinge as artérias do coração (coronarianas), podem causar dor no peito (angina) e infarto do miocárdio. Os sintomas mais comuns incluem:

  • dor no peito, que pode ser percebida como peso, aperto, queimação ou pontadas
  • falta de ar
  • suor excessivo (sudorese)
  • palpitações
  • fadiga

Nas artérias cerebrais, podem ocorrer os seguintes sintomas:

  • formigamentos
  • paralisias
  • perda da fala
  • sonolência 

Esses sinais neurológicos podem estar relacionados a um acidente vascular cerebral (AVC).

Tipos

O que influencia a forma como o colesterol age no organismo é o tipo predominante de lipoproteína (pequena estrutura formada por lipídios e proteínas) que carrega os lipídeos na circulação que predomina no sangue. Existem, portanto, dois tipos de colesterol: o bom e o ruim. A HDL (High Density Lipoprotein, em inglês) recolhe o colesterol acumulado nos vasos sanguíneos para eliminá-lo pelo fígado. Já o ruim, a LDL (Low Density Lipoprotein), quando acumulada, pode provocar o entupimento das artérias.

A LDL transporta o colesterol do fígado para as artérias. Dessa forma, quanto mais alto LDL-colesterol, ou seja, o colesterol carregado pelas LDL, e mais baixo o HDL-colesterol (aquele carregado pelas HDL) maior é o risco de doenças cardiovasculares. Em geral, níveis mais baixos de colesterol HDL estão associados a um risco menor.

Causas

Entre as causas do colesterol LDL-C elevado estão a alimentação desbalanceada, o excesso de peso, o uso de alguns medicamentos, como corticosteroides e aqueles utilizados no tratamento do HIV, e fatores genéticos. Entre esses fatores, destaca-se a hipercolesterolemia familiar (HF), que afeta uma em cada 260 pessoas no Brasil. Essa condição pode afetar uma em cada duas pessoas da mesma família, pois é transmitida de forma autossômica dominante. Quando não é tratada, pode fazer com que problemas cardiovasculares surjam de 10 a 15 anos mais cedo.

A presença de outros fatores de risco, como diabetes, tabagismo e pressão alta, aumenta o risco de doenças cardiovasculares associado ao colesterol LDL elevado.

Fatores de risco

Entre os fatores que aumentam o risco de colesterol elevado estão:

  • alimentação rica em gordura saturada
  • excesso de peso
  • sedentarismo
  • consumo abusivo de bebidas alcoólicas
  • estresse
  • hereditariedade
  • idade
  • sexo

Após o início da menopausa, os níveis do colesterol ruim podem aumentar.

Diagnóstico

É importante avaliar os níveis de colesterol regularmente. Para pessoas que têm histórico familiar de doenças cardiovasculares precoces, ou seja, em familiares de primeiro grau do sexo masculino (pai e irmãos) e feminino (mãe e irmãs) que sofreram um evento cardiovascular respectivamente antes dos 55 e 65 anos, ou de colesterol alto na família, o acompanhamento deve ser feito desde a infância. 

A partir dos 20 anos, a medição deve ser realizada a cada cinco anos. Caso os níveis estejam alterados, a frequência das avaliações deve ser definida por um(a) profissional da saúde. 

O diagnóstico e o acompanhamento são feitos por meio de um exame de sangue, que avalia as taxas do colesterol total, do HDL-colesterol e do LDL-colesterol. Outro tipo de lipoproteína rica em colesterol denominada lipoproteína(a) ou [Lp(a)] pode ser determinada em casos de pessoas com doença cardiovascular precoce familiar, nos casos de hipercolesterolemia familiar, ou quando o LDL-colesterol não é reduzido de forma eficaz pelo tratamento com estatinas.

Tratamento

A intensidade do controle do colesterol por meio de alimentação e/ou medicamentos depende do risco cardiovascular de cada pessoa. Para pessoas com alto risco, principalmente aqueles que já sofreram um evento cardiovascular, em diabéticos, em indivíduos com vários fatores de risco associados, quando existe extensiva aterosclerose subclínica (presença de placas coronárias em exames como angiotomografia de coronária ou escore de cálcio) ou nos portadores de hipercolesterolemia familiar recomenda-se controle intensivo do LDL-colesterol (reduções superiores a 50% dos valores iniciais do indivíduo).

Em indivíduos com graus menores de risco o controle pode ser menos intensivo, reduções de 30-50%. Além de alimentação pobre em gorduras saturadas, com aumento no consumo e mono e poli-insaturados (óleos de oliva, canola e soja) recomendam-se mudanças no estilo de vida como:

Existem medicamentos que atuam na diminuição dos níveis do LDL-colesterol, o colesterol ruim, e podem levar a um pequeno aumento nos índices do bom colesterol. Além das estatinas e ezetimiba (um medicamento que reduz a absorção do colesterol no intestino) atualmente estão disponíveis no Brasil potentes agentes biológicos que ajudam a reduzir o colesterol, estes últimos são denominados inibidores da PCSK9.

É importante enfatizar que quando bem indicados e em indivíduos sob-risco esses medicamentos reduzem de forma significativa o risco de:

  • infartos
  • derrames
  • necessidade de cirurgias cardíacas 
  • angioplastias 

O benefício será proporcional ao risco, ao tempo de tratamento e a redução do LDL-colesterol.

Os benefícios dos tratamentos superam em muito possíveis eventos adversos como problemas musculares ou risco de aparecimento de diabetes (estes vistos apenas com as estatinas em indivíduos predispostos).

Prevenção

A melhor forma de prevenir o aumento do colesterol ruim é aliar exercícios físicos à alimentação saudável, evitando o consumo exagerado de:

  • gorduras saturadas
  • óleos de coco e dendê
  • carne vermelha em excesso
  • gema de ovo
  • manteiga
  • laticínios
  • mortadela
  • salame
  • queijos amarelos
  • alimentos industrializados


A redução do consumo de álcool e a cessação do tabagismo também são indispensáveis para a manutenção da saúde e dos níveis de colesterol (cigarro reduz o HDL-colesterol). Entretanto, é importante lembrar que em indivíduos com predisposição genética a colesterol alto a dieta embora possa ajudar será insuficiente na maioria dos casos.

Referências

Cleveland Clinic
Mayo Clinic
Johns Hopkins