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Doações

Angina

Glossário de Saúde do Einstein

CID 10 - I20

  • Condição

O que é angina?

Angina de peito (angina pectoris) é a descrição utilizada para caracterizar a dor no peito (dor torácica) causada pela falta de sangue (isquemia) que acomete o músculo do coração. A angina quase sempre está relacionada a doenças que causam obstrução nas artérias responsáveis por levar sangue ao coração, as coronárias.

Sintomas

A angina se manifesta como dor ou desconforto no centro do peito, geralmente com localização mal definida, e é descrita como:

  • aperto
  • peso
  • sufocação
  • queimação
  • estrangulamento
     

Em geral, surge após esforço físico, estresse emocional ou exposição ao frio intenso e melhora com o repouso. As crises costumam durar de cinco a quinze minutos. A dor pode se espalhar para:

  • o pescoço
  • o braço
  • os ombros
  • a mandíbula
  • as costas (mais raramente)
     

Outros sintomas que podem acompanhar as crises incluem: 

  • ânsia
  • náusea
  • indigestão
  • suor frio
  • falta de ar
  • palidez
     

Já a dor de localização bem definida (apontada com a ponta de um dedo) ou que dura apenas alguns segundos, geralmente não é angina.

Nos casos em que a dor ocorre de maneira intensa, súbita e prolongada, a pessoa pode ter um infarto do coração (infarto do miocárdio), que acontece quando há entupimento de um vaso do coração. Nessa situação, é importante buscar atendimento imediato, pois pode haver complicações.

Causas

A principal causa da angina é a aterosclerose, ou seja, o depósito de placas de gordura dentro dos vasos (coronárias) responsáveis por levar sangue ao músculo do coração. Em situações nas quais o entupimento atinge mais de 70% do diâmetro do vaso, o coração, ao ser submetido a uma demanda aumentada, como esforço físico ou estresse emocional, tem uma oferta de oxigênio insuficiente para aquela demanda, levando à chamada isquemia e com isso à angina de peito. A aterosclerose, por sua vez, é multifatorial, sendo principalmente relacionada a outras doenças ou fatores de risco, como:

Diagnóstico

O diagnóstico inicialmente é clínico, ou seja, baseia-se nos sintomas e nos fatores de risco apresentados pela pessoa. Depois, alguns exames ajudam a investigar a causa e a confirmar o diagnóstico.

Podem ser usados exames que avaliam o coração em esforço, como:

  • teste ergométrico: o(a) paciente é submetido a um esforço físico controlado em esteira enquanto uma máquina (eletrocardiograma) acompanha os batimentos cardíacos e detecta sinais de isquemia quando o coração atinge um determinado nível de aceleração
  • ecocardiograma de estresse e a cintilografia com medicina nuclear: também podem ser usados com o mesmo propósito. Em algumas situações, são usadas substâncias que provocam estresse no coração nos indivíduos que não conseguem se exercitar (estresse farmacológico)
  • cateterismo cardíaco: exame que confirma se há obstrução nas artérias coronárias

Em alguns casos, a tomografia computadorizada das artérias coronárias também passa a ser usada com mais frequência. Esses dois últimos exames têm como desvantagem o uso de contraste à base de iodo.

Tratamento

Além do controle dos fatores de risco (como hipertensão arterial e diabetes, e não fumar), existem diversos medicamentos capazes de aliviar os sintomas da angina e, em alguns casos, reduzir o risco de infarto nos(as) pacientes.

Para alívio imediato, são utilizados os nitratos, medicamentos com efeito de dilatar os vasos do coração e usados pela via sublingual durante as crises de angina. Para impedir o aparecimento das crises, são comumente utilizados os betabloqueadores, remédios capazes de reduzir os batimentos cardíacos e poupar a energia do coração em situações de alta demanda, com isso diminuindo a isquemia.

Em casos mais graves, podem ser feitas intervenções a fim de desobstruir as artérias entupidas. Uma delas é a angioplastia, procedimento no qual um balão dilata, pelo próprio cateterismo, o vaso com obstrução, sendo colocada uma armação de metal (stent) para manter o vaso aberto. Outra alternativa é a cirurgia de revascularização do miocárdio, em que enxertos (vasos retirados ou desviados do próprio paciente, como a veia safena) são usados para criar novos caminhos para o sangue chegar ao músculo cardíaco de maneira adequada, desviando da obstrução.

Cada procedimento tem vantagens e desvantagens que devem ser discutidas caso a caso com o médico, paciente e familiares. Vale ressaltar que de nada adianta o procedimento se os fatores de risco não forem combatidos. Também não existe qualquer evidência científica de que esses procedimentos devam ser feitos rotineiramente em indivíduos assintomáticos, apenas pela presença da obstrução em si. Em todos os casos, independente do tratamento, o indivíduo portador de obstrução nas coronárias deve tomar indefinidamente o ácido acetilsalicílico (AAS – Aspirina), a fim de evitar formação de coágulos dentro das coronárias e assim prevenir a ocorrência de infarto do miocárdio.

Prevenção

A prevenção da angina envolve a adoção de hábitos saudáveis, como:

  • manter uma alimentação equilibrada 
  • praticar atividade física regularmente
  • evitar o tabagismo
  • realizar o tratamento adequado dos fatores de risco, principalmente diabetes, pressão alta e colesterol alto

Incidência no Brasil

No Brasil, dados do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS) mostram que a causa cardiovascular corresponde a quase 30% das causas de morte. Dados epidemiológicos de outros países sugerem que, após 65 anos, 10 a 15% das pessoas tenham angina em algum momento, e quantidade igual ainda pode apresentar isquemia silenciosa.


 

Referências

Mayo Clinic
Cleveland Clinic