Criar um ecossistema que favoreça a bioconvergência (e a incorporação de novos conhecimentos e tecnologias) é desafiador, ainda mais em grandes hospitais, que reúnem milhares de colaboradores. “Precisamos incentivar a inovação e desenvolver estruturas para isso”, resume Demarch.
Diante disso, a diretoria de Inovação possui cinco pilares que estão sempre empurrando a organização para frente:
- Laboratório de Design em Saúde: as necessidades dos pacientes e profissionais de saúde por meio de metodologias estruturadas de inovação.
- Centros de Inovação e Tecnologia em Saúde: auxiliam o Einstein e o mercado a desenvolver soluções impactantes para o sistema de saúde — há um foco especial no desenvolvimento de softwares. Esses centros são responsáveis pela gestão de inovação e pela propriedade intelectual. O Einstein possui unidades do tipo em São Paulo, Goiânia e Manaus, por exemplo.
- Fundos de Investimento e Participações: responsável por prospectar, avaliar e investir em startups, em diversos estágios de maturidade
- Eretz.bio: fomenta um ecossistema de inovação em saúde ao apoiar o desenvolvimento de produtos e serviços de startups e grandes empresas, ao longo de toda a sua jornada de inovação.
- Construtora de Empreendimento: é a área responsável pela construção e pela escalabilidade de novos produtos, serviços e spin-offs, a partir do fluxo de intraempreendedorismo dentro do Einstein e de alianças com outras organizações de Ensino e Pesquisa.
Essa estrutura coloca o Einstein em uma posição única para identificar inovações e produzir suas próprias soluções dentro do conceito de bioconvergência.
Um exemplo envolve a Wecare Skin, uma empresa que oferece diferentes produtos para a pele de pessoas em tratamento contra o câncer. Após participarem de um evento comandado pelo Einstein — o Frontiers —, as líderes dessa startup entraram em contato com a Eretz.bio e conseguiram que ela fosse incubada. “Elas trabalham com ativos da biodiversidade brasileira. Com esse programa de aceleração, validamos clinicamente os produtos por meio da nossa infraestrutura. Um dos cremes da WeCare, voltado para radiodermite, foi incorporado aos nossos fluxos assistenciais e hoje está disponível para todos os nossos pacientes oncológicos”, conta Camila Hernandes, gerente de Inovação do Einstein. Com isso, a organização ganha um recurso adicional para oferecer qualidade de vida em um momento difícil.
A Wecare Skin, claro, também oferece seus produtos para fora do Einstein, o que mostra como a cultura de inovação é capaz de impactar no sistema como um todo.
No futuro, o conceito de bioconvergência deve ampliar o leque de recursos à disposição dos profissionais de saúde. Já se estudam nanossensores que, introduzidos no corpo, identificariam a presença de um câncer, mesmo em estágios iniciais e em locais de difícil acesso. Ou mesmo a impressão de órgãos com material biológico para transplantes.
Um dos obstáculos — além da evolução da ciência e das tecnologias — é o custo e o tempo de desenvolvimento. O investimento necessário para startups de biotecnologia não é baixo. Outro desafio, já mencionado, é o ambiente altamente regulado da saúde.
Antecipando essas e outras questões, lançou-se em 2022 o Programa Einstein de Inovação e Empreendedorismo em Biotecnologia. “Conseguimos, com esse programa, conectar profissionais assistenciais, pesquisadores, startups e grandes empresas na busca por soluções que impactem o Brasil e o mundo. Isso só é possível devido ao nosso sistema de inovação em saúde”, destaca Demarch. É com esse contínuo olhar para o futuro que o Einstein consegue trazer para o hospital as inovações que realmente trazem benefícios para os pacientes