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O Einstein usa esses recursos para aprimorar o cuidado e também para gerir toda sua operação com eficiência. Aliás, atendimento de qualidade e excelência operacional muitas vezes andam de mãos dadas
IA e Big Data

Inteligência artificial e Big Data protagonizam transformação digital na área da saúde

O Einstein usa esses recursos para aprimorar o cuidado e também para gerir toda sua operação com eficiência. Aliás, atendimento de qualidade e excelência operacional muitas vezes andam de mãos dadas

A ideia de que inteligência artificial (IA) e análise de grandes bases de dados são trabalho para um pequeno grupo de programadores – geralmente confinados em uma sala pequena sem janelas – é completamente ultrapassada em hospitais de excelência. Hoje, essas ferramentas atravessam diferentes processos dessas organizações para assegurar segurança, qualidade no atendimento e excelência operacional, o que é especialmente importante em um cenário de aumento de custos dos tratamentos de saúde.

“É uma cultura de dados”, resume Edson Amaro, líder da iniciativa Tecnologias Avançadas Globais para a Equidade (Global Advanced Technologies for Equity, ou GATE), uma área do Einstein voltada a explorar soluções avançadas que possam promover equidade. A iniciativa se situa entre pesquisa e inovação, e se dedica a cenários futuros para incorporação e aplicação de tecnologias de última geração que têm um objetivo de espalhar o atendimento de qualidade à parcela mais vulnerabilizada da sociedade. “Usamos esses recursos para alavancar tudo o que Einstein já fazia, e para criar novas formas de atender as pessoas com menos acesso”, completa.

Há mais de 250 profissionais da carreira de dados no Einstein.

A maioria não está no setor de IA e Big Data, e, sim, distribuída em diferentes setores da organização em um desenho de centros e raios (“hub and spoke”).

Este desenho descentralizado de recursos, mas organizado e centralizado em sua gestão (governança analítica), foi fundamental. Isto permitiu que, ao mesmo tempo que a cultura de dados crescesse em toda a organização, fosse evitado o surgimento de “filas de projetos”, em um cenário onde o conhecimento ficasse em um lugar, e a utilização, em outro. No Einstein tudo fica junto na ponta, onde está a razão e utilização de dados, e IA é onde se justifica e se obtém valor de sua aplicação.

Segundo Amaro, essa “cultura de dados” é fundamental para desenvolver um cuidado baseado em informações objetivas. Mas não é fácil implementar essa visão na prática em uma organização de saúde. “Antes de tudo, precisamos organizar nossas bases de dados”, conta.

O Einstein desenvolveu, ao longo da década passada — e ainda continua a desenvolver — um sistema de data lake, repositório que organiza e armazena diferentes bases de dados da organização (dos prontuários aos registros na recepção) que se comunicam entre si e de uma forma que possam ser analisados e processados. Principalmente a partir daí, passou a usar esse manancial de informações para identificar obstáculos e aprimorar suas atividades. E também para abastecer algoritmos que auxiliam no cuidado dos pacientes e na gestão do hospital.

Uma das primeiras ferramentas de Inteligência Artificial criadas no Einstein avalia particularidades de cada paciente que entra na organização e, com base em modelos preditivos, identifica aqueles com maior risco de reinternação — quando o paciente volta ao hospital em menos do que 30 dias. Ainda durante a internação, esses indivíduos mais críticos recebem uma atenção especialmente próxima e, após a alta, as ações continuam com teleconsultas frequentes e até visitas domiciliares. Esse modelo preditivo ajudou a derrubar o risco de readmissão em cerca de 30%, o que significa maior qualidade de vida e menores custos.

Desde 2016, as aplicações se espalharam pelo hospital, inclusive com algoritmos que ajudam os médicos a tomarem decisões. Na Radiologia, um recurso de IA facilita a análise de exames de imagem para ajudar a entender risco e desenvolvimento de demências. Os algoritmos também são utilizados para auxiliar na análise de radiografias no pronto atendimento para identificar possíveis fraturas que, às vezes, passam despercebidas. Estas soluções foram testadas pela equipe de imagem do Einstein de acordo com um procedimento padronizado que procura ver a pertinência de sua adoção — além, claro, de observar se a solução está de acordo com as normas regulatórias e se há aprovação de órgãos (como a Anvisa) para sua utilização.

Entre cerca de 80 soluções testadas, sete estão em uso na rotina. Algumas até tiveram bom resultado, mas seu uso não acrescentou benefício ao cuidado do paciente ou melhora de desempenho do profissional de saúde. Ou seja, o Einstein só adota novas tecnologias quando adicionam valor.

Mais de 110 algoritmos

estão funcionando em diversas áreas do Einstein atualmente

O Einstein está conduzindo testes com uma plataforma que grava as conversas entre médicos e pacientes durante a consulta. Mas com um detalhe: ela seleciona apenas o que está relacionado à saúde e organiza as informações relevantes em textos e campos que preenchem o prontuário eletrônico. Isso traz ganhos para o médico, evitando a necessidade de fazer anotações durante o após a consulta. Como resultado, ele pode dedicar mais tempo e atenção para o paciente – um desejo tanto dos médicos quanto de quem os procura.

Do ponto de vista de gestão de segurança, o Einstein criou uma ferramenta fundamental para garantir as melhores práticas. A Central de Monitoramento Assistencial (CMOA) reúne indicadores de saúde de pacientes em diferentes áreas, o que permite ações rápidas e precisas para diminuir o risco de eventos adversos. O projeto começou em 2018, com 35 gatilhos que disparavam alertas para os profissionais. Hoje, são mais de 100 – eles vão do atraso de medicamentos à deterioração clínica. E, claro, a IA está presente na CMOA em várias etapas.

Disseminação de conhecimento e excelência

O Einstein possui diversas parcerias para compartilhar bases de dados e experiências envolvendo o uso de Inteligência Artificial. MD Anderson Cancer Center, Universidade Stanford, Massachusetts Institute of Technology (MIT) e Centro Médico Sheba estão entre os centros renomados com os quais o hospital compartilha informações para desenvolver ferramentas que beneficiam pacientes no mundo inteiro — inclusive dentro dele e no âmbito de suas parcerias públicas, claro.

Destaca-se a participação do Einstein como um dos cinco membros fundadores da Mayo Clinic Platform_Connect, uma rede que reúne dados de oito hospitais de referência no mundo para gerar conhecimento que personalize a Medicina e favoreça a criação de produtos e serviços digitais. Ou seja, é um projeto com potencial para aprimorar diversas áreas, da Medicina de Precisão à automação de processos.

“Eu não tenho dúvidas de que o Einstein hoje é a organização mais desenvolvida da América Latina e do Hemisfério Sul em saúde digital, com tudo que embarca nesse conceito, como inteligência artificial e plataformas digitais”

Rodrigo Demarch, diretor de Inovação do Einstein
 

O Einstein também possui parcerias nacionais e diferentes cursos de IA e Big Data em sua área de Ensino. Essa é uma forma de preparar os profissionais de dentro e de fora da organização para a transformação digital na área da saúde.

Mais: a organização desenvolveu vários projetos com uso de Inteligência Artificial para o SUS. Durante a pandemia de Covid-19, criou um programa que ajudava a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo a contratar o número adequado de leitos de hospitais privados para atender a demanda adicional de pacientes em cada região, com base em dados epidemiológicos da infecção e da estrutura disponível, atualizados constantemente.

“Foi uma experiência interessante, porque os operadores desse programa na rede pública começaram a sugerir alterações que nos ajudaram a melhorá-lo”, ressalta Amaro.

Além disso, a IA e o Big Data protagonizam diferentes projetos que o Einstein coordena do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (PROADI-SUS). Exemplos:

  • Tecnologia de Rápido Acesso de Dados Unificados para Mitigação da Acidentalidade (TRAUMA): criou-se um registro de “causas externas” (acidentes de trânsito, queimaduras, homicídios…), com integração e compartilhamento de informações entre diferentes sistemas usados na rede pública. Isso gera uma base de dados unificada, com atualização instantânea e um dashboard capaz de facilitar a tomada de decisão pelos gestores. Em vez de buscarem informações desencontradas em diferentes fontes, eles agora acessam tudo em um único local. Locais como Espírito Santo, Distrito Federal, Bahia e Rio Grande do Sul já possuem um termo de adesão assinado para usar essa plataforma. No primeiro, está em teste um aplicativo que conecta a equipe do SAMU com hospitais e toda a jornada do paciente. A informação que vai desde o atendimento no local da ocorrência até a reabilitação (ou, em casos mais graves, as informações do atestado de óbito) é tratada de forma integrada e alimenta as bases do DATASUS. Esse é um dado inédito no país e com potencial para conduzir o desenho de políticas públicas para reduzir este impacto: são cerca de 100 mil mortes por ano.

  • Data Initiative for Analytics (DIAna) e DIAna na APS: o Einstein desenvolveu a infraestrutura para uma plataforma nacional com alta disponibilidade de dados em saúde, e que seja flexível e segura, inclusive na Atenção Primária. Isso otimiza o SUS como um todo. Dentro deste projeto, foram desenvolvidos registros de atendimento clínico, modelos informacionais e computacionais para interoperabilidade e outras ferramentas que estão em uso pelos aplicativos e sistemas do Datasus. Por exemplo, a dispensa de medicamentos na Farmácia Popular e todo registro de dose de vacinas, inclusive o QR code de uso internacional), foram criados pela equipe. Atualmente, o DIAna-APS está mostrando em cinco cidades do interior do país a integração dos dados a processos de cuidado. Esta interoperabilidade e conexão de elementos digitais é uma antiga necessidade do país e deverá levar à melhor cuidado, evitando repetição de exames e reduzindo tempo de espera.

  • Plataforma de Auditoria e Monitoramento de Dados em Saúde (PAMDAS): por meio da Inteligência Artificial, o Einstein criou ferramentas que agilizam a auditoria do uso de recursos públicos de diferentes ações no SUS. Isso ajuda na fiscalização do sistema público e a identificar anomalias nos serviços, para que elas sejam corrigidas. Por exemplo, a utilização de medicamentos ou procedimentos de alto custo requer um cuidado específico e, ao mesmo tempo, gera muitas informações. Esse trabalho é, hoje, melhorado e ampliado em grande escala com soluções de IA que apontam potenciais desvios de utilização para que possam ser investigados adequadamente, salvando tempo e recursos dos profissionais.

“Hoje, não dá para imaginar o Einstein sem o uso de Inteligência Artificial”, arremata Amaro. Mais do que um ou outro serviço, a IA entra cada vez mais na operação dos centros de saúde que estão na fronteira do conhecimento. No Einstein, isso é uma realidade.