Este desenho descentralizado de recursos, mas organizado e centralizado em sua gestão (governança analítica), foi fundamental. Isto permitiu que, ao mesmo tempo que a cultura de dados crescesse em toda a organização, fosse evitado o surgimento de “filas de projetos”, em um cenário onde o conhecimento ficasse em um lugar, e a utilização, em outro. No Einstein tudo fica junto na ponta, onde está a razão e utilização de dados, e IA é onde se justifica e se obtém valor de sua aplicação.
Segundo Amaro, essa “cultura de dados” é fundamental para desenvolver um cuidado baseado em informações objetivas. Mas não é fácil implementar essa visão na prática em uma organização de saúde. “Antes de tudo, precisamos organizar nossas bases de dados”, conta.
O Einstein desenvolveu, ao longo da década passada — e ainda continua a desenvolver — um sistema de data lake, repositório que organiza e armazena diferentes bases de dados da organização (dos prontuários aos registros na recepção) que se comunicam entre si e de uma forma que possam ser analisados e processados. Principalmente a partir daí, passou a usar esse manancial de informações para identificar obstáculos e aprimorar suas atividades. E também para abastecer algoritmos que auxiliam no cuidado dos pacientes e na gestão do hospital.
Uma das primeiras ferramentas de Inteligência Artificial criadas no Einstein avalia particularidades de cada paciente que entra na organização e, com base em modelos preditivos, identifica aqueles com maior risco de reinternação — quando o paciente volta ao hospital em menos do que 30 dias. Ainda durante a internação, esses indivíduos mais críticos recebem uma atenção especialmente próxima e, após a alta, as ações continuam com teleconsultas frequentes e até visitas domiciliares. Esse modelo preditivo ajudou a derrubar o risco de readmissão em cerca de 30%, o que significa maior qualidade de vida e menores custos.
Desde 2016, as aplicações se espalharam pelo hospital, inclusive com algoritmos que ajudam os médicos a tomarem decisões. Na Radiologia, um recurso de IA facilita a análise de exames de imagem para ajudar a entender risco e desenvolvimento de demências. Os algoritmos também são utilizados para auxiliar na análise de radiografias no pronto atendimento para identificar possíveis fraturas que, às vezes, passam despercebidas. Estas soluções foram testadas pela equipe de imagem do Einstein de acordo com um procedimento padronizado que procura ver a pertinência de sua adoção — além, claro, de observar se a solução está de acordo com as normas regulatórias e se há aprovação de órgãos (como a Anvisa) para sua utilização.
Entre cerca de 80 soluções testadas, sete estão em uso na rotina. Algumas até tiveram bom resultado, mas seu uso não acrescentou benefício ao cuidado do paciente ou melhora de desempenho do profissional de saúde. Ou seja, o Einstein só adota novas tecnologias quando adicionam valor.