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Reconhecido como uma organização altamente inovadora, o Einstein incorporou a saúde digital em diferentes etapas do cuidado e de seus processos
Saúde digital

A Saúde Digital traz recursos que estão transformando todo o sistema – mas é preciso saber utilizá-los

Reconhecido como uma organização altamente inovadora, o Einstein incorporou a saúde digital em diferentes etapas do cuidado e de seus processos

“Saúde Digital não é apenas o processo de digitalização dos serviços médicos. Ela é a criação de novas oportunidades e formas de atender a população, com o apoio de diferentes recursos de tecnologia da informação”, define Rodrigo Demarch, diretor de Inovação do hospital. Dentro desse amplo guarda-chuva, estão desde recursos de telemedicina e prontuários eletrônicos até o uso de IA para predizer riscos e ajudar na tomada de decisões, passando por ferramentas que facilitam a gestão operacional.

Embora já exista há algum tempo, esse conceito se disseminou com fatores como o ganho de potência e de cobertura da internet. Em 2013, só 57% dos estabelecimentos de saúde possuíam acesso à internet. Em 2023, o acesso subiu para 98%. Isso segundo a pesquisa TIC Saúde, do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação.

De 2022 para 2023, o agendamento de consultas pela internet subiu de 13% para 34%, de acordo com a pesquisa TIC Saúde. 

Em 2023, o próprio governo criou a Secretaria de Informação e Saúde Digital (SEIDIGI) para intensificar as ações nesse sentido. Mas, muito antes, o Einstein buscava inovar na área. Atualmente, a organização possui mais de 100 algoritmos operando em suas unidades, dentro de mais de 20 diferentes soluções de problemas.

Um exemplo é o Cockpit, um software desenvolvido no Einstein e voltado para médicos com consultório no hospital. Ele oferece recursos como telemedicina e assinatura eletrônica de prescrições, além de consolidar informações do prontuário eletrônico, o que permite visualizar todo o histórico do paciente.

Mas essa ferramenta vai além. Ela possui comandos pré-definidos que, com o apoio da IA, facilitam a vida do médico. É possível pedir para que ela, com base nos dados disponíveis dentro da organização, escreva um resumo do caso clínico ou até o sumário de alta hospitalar, um documento que leva tempo para ser feito manualmente. Com isso, o profissional livra a agenda para o atendimento em si.

Através dessa mesma IA, ainda dá para fazer perguntas abertas sobre os casos atendidos – como “qual o risco de infarto para essa pessoa?”. O Cockpit deu tão certo que há estudos para ser comercializado no futuro.

Esse programa é conectado ao aplicativo Einstein Médicos, que traz todas as informações assistenciais dos pacientes atendidos na organização. Laudos de exames, sinais vitais, evolução de acordo com o time de enfermagem… Há até uma ferramenta que ajuda o profissional a agendar cirurgias. Se falta alguma documentação – ou se a sala da cirurgia foi definida – o médico recebe notificações.

“O médico, assim como o paciente, vive em um mundo virtual. Então precisamos oferecer soluções que se encaixem nesse cenário de transformação digital”

Valéria Pinheiro, gerente da área de Relacionamento TI Médico

Instrumentos de Saúde Digital também ajudam hospitais a garantir uma excelência operacional – o que é importante para a qualidade do atendimento e para um uso racional de recursos. No Einstein, foi criado o Centro de Comando Operacional (CCO), que avalia cerca de 150 indicadores das principais áreas que interferem na jornada dos pacientes, do fluxo de anestesistas à higienização dos quartos.

A partir de modelos preditivos de IA, por exemplo, o CCO avalia diferentes etapas do atendimento (como triagem, avaliação médica, prescrição de exames e medicamentos) e, em cada uma, atualiza a chance de internação. Com isso, é possível deixar o leito disponível antes, o que reduziu em 30% o tempo de espera do paciente, segundo análises internas.

O CCO ainda possui um Gerenciamento de Pacientes Crônicos que identifica particularidades de cada caso e, com base em um modelo preditivo, classifica as pessoas com maior risco de serem internadas novamente após a alta. Esses casos, então, recebem uma atenção mais próxima, com teleconsultas frequentes e até visitas domiciliares. Medidas assim reduziram o risco de readmissão em 30%.

Hoje, o CCO é usado inclusive em algumas unidades públicas geridas pelo Einstein, como o Hospital Municipal Dr. Moysés Deutsch - M'Boi Mirim.

Inovação como regra

A tendência atual, para criar ou absorver as melhores soluções de Saúde Digital, é incorporar a inovação na estrutura de um hospital de excelência. O Einstein, por exemplo, possui uma diretoria dedicada exclusivamente à inovação, que coordena diferentes ações.

Desde 2017, a organização conta com a Eretz.bio. “Ela surgiu como uma incubadora de startups ligadas à saúde, mas hoje é mais do que isso. Oferecemos um portfólio completo de serviços para que empresas desenvolvam produtos de saúde, muitas vezes em parceria com o Einstein”, conta Demarch. É a primeira aceleradora de startups de saúde dentro de um hospital no Brasil.

Graças a Eretz.bio, o Einstein está sempre em contato com soluções digitais para os mais diversos fins. Algumas dessas acabam sendo introduzidas nos processos da organização, como:

  • Um software que identifica automaticamente fratura ósseas em exames de raio-x, o que agiliza o diagnóstico e dá suporte para médicos, principalmente no pronto-atendimento;
  • Um sistema de monitoramento que avalia, em tempo real, os exames de cardiotocografia durante o trabalho do parto. Com isso, um eventual sofrimento fetal é percebido rapidamente, o que afasta o risco de complicações potencialmente perigosas;
  • Um software com inteligência artificial que, através de câmeras instaladas nos quartos do hospital, consegue identificar a probabilidade de queda de pacientes e um tempo prolongado de imobilidade na cama, o que favorece as úlceras de pressão (escaras).

Dentro da Eretz.bio, há ainda o Escritório de Validação e Incorporação de Tecnologias Inovadoras. Através dele, o Einstein dá suporte para que diferentes empresas testem e validem tecnologias em desenvolvimento.

A organização oferece desde a infraestrutura do seu centro de pesquisas até apoio com questões regulatórias. Mais de duas centenas de projetos já passaram por esse escritório.

Toda essa estrutura criada rendeu ao Einstein o primeiro lugar no Prêmio Valor Inovação de 2024, que seleciona as empresas mais inovadoras de diferentes segmentos da economia. Em 2025, foi considerado, pela nona vez consecutiva, a organização mais inovadora dentro da categoria de serviços médicos, pela mesma premiação.

Soluções digitais no SUS

As inovações promovidas pelo Einstein não se restringem ao sistema privado. Como parte do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (PROADI-SUS), a organização criou o TeleAMES, que oferece gratuitamente, via telemedicina, consultas com médicos do Einstein de 12 especialidades diferentes. São mais de 300 pontos de atendimento nas regiões Norte e Centro-Oeste.

Em resumo, o paciente e o médico do local se conectam pela internet com o especialista e, dependendo da situação, usam um kit para fazer certos diagnósticos à distância.

Ao longo do projeto, a taxa de resolução dos casos sem necessidade de encaminhamento para uma consulta física com um especialista superou os 95%. Isso, claro, economiza recursos da gestão pública.

O Einstein vem desenvolvendo também projetos para rastrear e monitorar gestações de alto risco com recursos digitais, além de iniciativas para detectar precocemente a leishmaniose. E esses são só alguns poucos exemplos.

No futuro, a Saúde Digital deve entrar cada vez mais no cotidiano do paciente, com apoio de dispositivos vestíveis. Isso converge para a tendência de, digamos, levar o hospital para a casa da pessoa. “Um desafio, hoje, é que cada sensor mede um indicador, como a glicemia ou a pressão. Nós gostaríamos que, idealmente, um mesmo dispositivo captasse todas as informações necessárias, em tempo real”, analisa Camila Hernandes, gerente de Inovação do Einstein e head da Eretz.bio.

Parece um futuro distante? Pois o Einstein já tem startups sendo testadas em sua estrutura justamente com esse propósito. É assim que a organização se mantém sempre à frente na era da transformação digital.

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