Em 2023, o próprio governo criou a Secretaria de Informação e Saúde Digital (SEIDIGI) para intensificar as ações nesse sentido. Mas, muito antes, o Einstein buscava inovar na área. Atualmente, a organização possui mais de 100 algoritmos operando em suas unidades, dentro de mais de 20 diferentes soluções de problemas.
Um exemplo é o Cockpit, um software desenvolvido no Einstein e voltado para médicos com consultório no hospital. Ele oferece recursos como telemedicina e assinatura eletrônica de prescrições, além de consolidar informações do prontuário eletrônico, o que permite visualizar todo o histórico do paciente.
Mas essa ferramenta vai além. Ela possui comandos pré-definidos que, com o apoio da IA, facilitam a vida do médico. É possível pedir para que ela, com base nos dados disponíveis dentro da organização, escreva um resumo do caso clínico ou até o sumário de alta hospitalar, um documento que leva tempo para ser feito manualmente. Com isso, o profissional livra a agenda para o atendimento em si.
Através dessa mesma IA, ainda dá para fazer perguntas abertas sobre os casos atendidos – como “qual o risco de infarto para essa pessoa?”. O Cockpit deu tão certo que há estudos para ser comercializado no futuro.
Esse programa é conectado ao aplicativo Einstein Médicos, que traz todas as informações assistenciais dos pacientes atendidos na organização. Laudos de exames, sinais vitais, evolução de acordo com o time de enfermagem… Há até uma ferramenta que ajuda o profissional a agendar cirurgias. Se falta alguma documentação – ou se a sala da cirurgia foi definida – o médico recebe notificações.
“O médico, assim como o paciente, vive em um mundo virtual. Então precisamos oferecer soluções que se encaixem nesse cenário de transformação digital”
Valéria Pinheiro, gerente da área de Relacionamento TI Médico
Instrumentos de Saúde Digital também ajudam hospitais a garantir uma excelência operacional – o que é importante para a qualidade do atendimento e para um uso racional de recursos. No Einstein, foi criado o Centro de Comando Operacional (CCO), que avalia cerca de 150 indicadores das principais áreas que interferem na jornada dos pacientes, do fluxo de anestesistas à higienização dos quartos.
A partir de modelos preditivos de IA, por exemplo, o CCO avalia diferentes etapas do atendimento (como triagem, avaliação médica, prescrição de exames e medicamentos) e, em cada uma, atualiza a chance de internação. Com isso, é possível deixar o leito disponível antes, o que reduziu em 30% o tempo de espera do paciente, segundo análises internas.
O CCO ainda possui um Gerenciamento de Pacientes Crônicos que identifica particularidades de cada caso e, com base em um modelo preditivo, classifica as pessoas com maior risco de serem internadas novamente após a alta. Esses casos, então, recebem uma atenção mais próxima, com teleconsultas frequentes e até visitas domiciliares. Medidas assim reduziram o risco de readmissão em 30%.
Hoje, o CCO é usado inclusive em algumas unidades públicas geridas pelo Einstein, como o Hospital Municipal Dr. Moysés Deutsch - M'Boi Mirim.