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Do prontuário eletrônico à telemedicina, recursos digitais se tornam cada vez mais importantes para disseminar um atendimento de excelência
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Saúde Digital otimiza cuidados e aprimora diagnósticos cardiológicos

Do prontuário eletrônico à telemedicina, recursos digitais se tornam cada vez mais importantes para disseminar um atendimento de excelência. 

A Saúde Digital recorre a diferentes ferramentas modernas para melhorar a qualidade, a eficiência e o acesso a serviços de saúde. “Isso inclui algoritmos, softwares e tecnologias de informação e comunicação para automatizar tarefas e aprimorar a relação com paciente”, ensina Carlos Pedrotti, gerente médico do Centro de Telemedicina do Einstein e presidente da Saúde Digital Brasil (SDB), entidade que reúne os maiores players do país desse segmento.


Pedrotti explica que a evolução da saúde digital passa por três grandes etapas: 
 

1. Digitalização de registros eletrônicos de saúde;

2. Estabelecimento e melhoria da comunicação digital (que engloba e-mail, aplicativos, telemedicina e afins);

3. Automatização de processos, ancorada em instrumentos como a Inteligência Artificial
 

Os três marcos já são uma realidade no Einstein, com impacto significativo na Cardiologia

O prontuário eletrônico

O Einstein implementou um prontuário eletrônico abrangente, que permite acessar o histórico clínico do paciente em qualquer horário e local. Importado de uma empresa americana e inteiramente customizado, o prontuário, chamado Cerner Millenium, difere-se ao permitir o controle granular de cada informação. “Isso possibilitou avanços imensuráveis na qualidade dos dados clínicos”, avalia Pedrotti.

Com o tempo e o avanço da área de Big Data e Analytics, recursos de Inteligência Artificial foram sendo incorporados para aperfeiçoar o atendimento e integrar diferentes soluções de Saúde Digital.

“Hoje, nosso prontuário eletrônico sinaliza uma série de pontos importantes para os cardiologistas: exames que vieram alterados, protocolos de atenção para aquele perfil de paciente etc”, afirma Pedro Lemos, diretor do Programa de Cardiologia do Einstein. “Um exame que sugere sofrimento cardíaco imediatamente gera uma notificação no prontuário e demanda uma ação imediata”, exemplifica.

Importante destacar que recursos do tipo não visam substituir o cardiologista ou limitar sua conduta. “A autonomia do médico permanece. Ele decidirá o que precisa ser feito, mas terá todo o auxílio de ferramentas tecnológicas que dão suporte à decisão”, explica Lemos. Com isso, o profissional se dedica mais à interação com o paciente.

Uma meta já em curso na organização é promover a chamada interoperabilidade, que se refere à troca de informações entre diferentes sistemas para garantir mais dados — o que melhora o conhecimento sobre a saúde daquele indivíduo e permite ações otimizadas — e torna o atendimento menos segmentado. Ora, em vez de precisar acessar diversas plataformas para marcar exames, fazer consultas, verificar procedimentos, o paciente teria tudo isso em um mesmo local, como um aplicativo. Além disso, o próprio sistema seria capaz de lembrá-lo da hora de fazer exames, tomar vacinas ou adotar outros cuidados.

“É um novo paradigma de cuidado”, detalha Pedrotti. “Essa estrutura unificada é um dos requisitos para cuidarmos do paciente de forma integrada, em grande escala, para todos”, completa. O esforço depende de cada uma das organizações que compõem e do próprio sistema público, um dos maiores produtores de dados do mundo.

Não à toa, em 2023, o próprio governo federal criou a Secretaria de Informação e Saúde Digital (SEIDIGI) para intensificar ações nesse sentido. O Einstein participa dessas iniciativas, por meio de projetos que ajudam o SUS a integrar e unificar seus dados.

A telecardiologia

Em 2012, o Einstein se tornou a primeira organização do país a oferecer serviços em escala de telemedicina com videoconferência em tempo real, outro braço essencial da Saúde Digital. Com o tempo, ampliou sua atuação na área, ao ponto de atualmente ter um projeto que oferece consultas com médicos do Einstein de especialidades diferentes, via telemedicina, para as regiões Norte e Centro-Oeste. Batizado de TeleAMES, ele faz parte do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (PROADI-SUS).

Em resumo, um médico generalista desses locais solicita a teleconsulta com o cardiologista do Einstein e, na data marcada, recebe as orientações ao lado do paciente. Há inclusive kits básicos à disposição nas unidades que auxiliam a fazer certos exames.

Segundo dados internos, de todos os pacientes que passam pela telemedicina, 69% têm solicitação de pelo menos um novo retorno a mais e 22% recebem alta após a primeira avaliação com o especialista. Apenas 0,5% dos pacientes são direcionados a hospitais locais de referência.


“A pequena quantidade de casos encaminhados para os hospitais de alta complexidade demonstra que estamos poupando recursos, tempo e vida de pessoas que, caso contrário, talvez aguardassem meses na fila por um especialista — ou chegariam com um AVC ou infarto no sistema de saúde”, analisa Tarso Accorsi, médico do Núcleo de Cardiopatia Estrutural e da Telemedicina do Einstein.

Entre todos os diagnósticos cardiológicos realizados via o TeleAMES, nota-se:

  • 29% são de hipertensão;
  • 8%, dor torácica;
  • 7%, falta de ar

Ou seja, são casos que demandam atenção pelo risco de terminarem em problemas graves. “É difícil para o SUS oferecer especialistas altamente qualificados em todos os municípios brasileiros”, observa Accorsi. “Através da telemedicina, é possível escalonar um serviço médico com uso racional e sustentável dos recursos, o que sempre foi um desafio”, argumenta.
 

A experiência do Einstein demonstra alta satisfação com o serviço de telemedicina ofertado no SUS. O indicador de qualidade Net Promoter Score (NPS), feito tanto com os especialistas quanto com os pacientes, é superior a 85, uma média de excelência. 

Inteligência Artificial nos exames

Desde o início do século 20, quando começou a ser utilizado, o eletrocardiograma salva vidas ao detectar infartos e arritmias, por exemplo. E seu potencial aumenta com o apoio da IA, que ajuda a interpretar os resultados e sugerir diagnósticos.

“Ao analisar eletrocardiogramas com precisão, a IA pode superar cardiologistas humanos, detectando nuances que indicam um princípio de infarto, mesmo quando o eletrocardiograma parece normal”, explica Pedrotti.

Cardiologista especializado em doenças estruturais do coração, Accorsi ratifica: “Vi muitos eletrocardiogramas na minha carreira. Mesmo assim, ao receber um desses exames, não sei dizer se é de homem ou de mulher só pelo resultado. A IA reconhece o sexo e a idade, e consegue predizer a presença de algumas doenças e o risco cardiológico”.

Pedrotti avalia que essa inovação aprimora a acurácia diagnóstica de infarto na sala de emergência, tornando mais rápida sua detecção. E isso, em última instância, acelera a ação do médico, o que tem potencial para evitar sequelas. Daí porque o Einstein está estudando essa tecnologia para aplicá-la.

Esse é só um dos muitos exemplos de ferramentas de Inteligência Artificial que a organização desenvolve ou busca implantar.

“O Einstein se coloca como um desenvolvedor dessas ferramentas de maneira eloquente no cenário da Saúde Digital. Isso não significa dizer que somos um desenvolvedor solitário. Pelo contrário: buscamos sempre nos associar a organizações de referência no mundo para coproduzir soluções” 

Pedro Lemos, diretor do Programa de Cardiologia

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