O Einstein implementou um prontuário eletrônico abrangente, que permite acessar o histórico clínico do paciente em qualquer horário e local. Importado de uma empresa americana e inteiramente customizado, o prontuário, chamado Cerner Millenium, difere-se ao permitir o controle granular de cada informação. “Isso possibilitou avanços imensuráveis na qualidade dos dados clínicos”, avalia Pedrotti.
Com o tempo e o avanço da área de Big Data e Analytics, recursos de Inteligência Artificial foram sendo incorporados para aperfeiçoar o atendimento e integrar diferentes soluções de Saúde Digital.
“Hoje, nosso prontuário eletrônico sinaliza uma série de pontos importantes para os cardiologistas: exames que vieram alterados, protocolos de atenção para aquele perfil de paciente etc”, afirma Pedro Lemos, diretor do Programa de Cardiologia do Einstein. “Um exame que sugere sofrimento cardíaco imediatamente gera uma notificação no prontuário e demanda uma ação imediata”, exemplifica.
Importante destacar que recursos do tipo não visam substituir o cardiologista ou limitar sua conduta. “A autonomia do médico permanece. Ele decidirá o que precisa ser feito, mas terá todo o auxílio de ferramentas tecnológicas que dão suporte à decisão”, explica Lemos. Com isso, o profissional se dedica mais à interação com o paciente.
Uma meta já em curso na organização é promover a chamada interoperabilidade, que se refere à troca de informações entre diferentes sistemas para garantir mais dados — o que melhora o conhecimento sobre a saúde daquele indivíduo e permite ações otimizadas — e torna o atendimento menos segmentado. Ora, em vez de precisar acessar diversas plataformas para marcar exames, fazer consultas, verificar procedimentos, o paciente teria tudo isso em um mesmo local, como um aplicativo. Além disso, o próprio sistema seria capaz de lembrá-lo da hora de fazer exames, tomar vacinas ou adotar outros cuidados.
“É um novo paradigma de cuidado”, detalha Pedrotti. “Essa estrutura unificada é um dos requisitos para cuidarmos do paciente de forma integrada, em grande escala, para todos”, completa. O esforço depende de cada uma das organizações que compõem e do próprio sistema público, um dos maiores produtores de dados do mundo.
Não à toa, em 2023, o próprio governo federal criou a Secretaria de Informação e Saúde Digital (SEIDIGI) para intensificar ações nesse sentido. O Einstein participa dessas iniciativas, por meio de projetos que ajudam o SUS a integrar e unificar seus dados.