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Os pilares da Medicina de Precisão ganham destaque pelo potencial de individualizar e melhorar o tratamento de cada paciente
Medicina de Precisão

Precisão para personalizar o cuidado

Os pilares da Medicina de Precisão ganham destaque pelo potencial de individualizar e melhorar o tratamento de cada paciente

Em 2015, pouco mais de uma década depois do Projeto Genoma, o governo dos Estados Unidos lançou a Precision Medicine Initiative. Trata-se de um programa para apoiar pesquisas e projetos envolvendo esse conceito – que está em alta e só deve ganhar relevância. “A Medicina de Precisão já era bastante debatida, mas ganhou um impulso e ficou conhecida pela população a partir desse momento”, destaca Fernando Moura, gerente médico do Centro de Multiômica do Einstein.

A Precision Medicine Initiative, nos Estados Unidos, possibilitou o sequenciamento genético de cerca de 200 mil pessoas de diversas populações, para compreender particularidades que podem interferir na saúde

A Medicina de Precisão tem três principais pilares:

  • Assinatura genética;
  • Meio ambiente;
  • Estilo de vida.

Ela parte do princípio de que, a partir da análise de características biológicas (em particular, os genes), de hábitos de vida e de outros fatores daquela pessoa, é possível delinear estratégias ideais de prevenção, rastreamento e tratamento de doenças. Uma perspectiva que, aliás, é levada a sério no Einstein – e integrada em sua estrutura.

Atualmente, a organização possui mais de uma dezena de Centros de Excelência em Medicina Personalizada (CEMPs), cada qual focado em uma condição de saúde ou área de especial interesse. Há grupos específicos para câncer de pulmão, Alzheimer, cardiogenética, saúde maternofetal, esclerose múltipla, entre outros”, enumera Moura. A meta é ampliar para cerca de 70 nos próximos anos.

Cada um desses centros conta com ultraespecialistas médicos e também outros profissionais de dados. Por exemplo: engenheiros e cientistas de dados, que avaliam as informações disponíveis de pesquisas e da própria organização para dar suporte à criação de diretrizes de personalização do cuidado. Esses guias, por sua vez, são disponibilizados para os médicos do Einstein, o que ajuda na tomada de decisões.

Esses centros também oferecem suporte aos profissionais e trazem perspectivas para que a organização como um todo se mantenha atualizada e adote as práticas mais modernas dessa tendência.

A Medicina de Precisão, hoje, apoia-se em quatro pilares – são os 4Ps.

Os 4Ps da medicina de precisão
P1 - Predição Genética

Com o avanço dos testes genéticos, centros de excelência conseguem mapear particularidades do DNA daquele indivíduo que o tornam mais ou menos suscetível a determinados quadros. O Einstein conta com o Predicta, um serviço que identifica alterações genéticas ligadas a tumores, doenças cardiovasculares, distúrbios do metabolismo e outras condições, além de um aconselhamento genético especializado para saber quais são os riscos de desenvolvimento de enfermidades e os próximos passos que o paciente precisa tomar a partir desse momento. É uma maneira de predizer riscos de eventuais doenças e, então, adotar mudanças no estilo de vida para tentar evitá-las (ou melhor lidar com elas).

“No Einstein, oferecemos um acompanhamento por cinco anos após o teste. Com isso, novas descobertas da Ciência sobre certas alterações genéticas podem ser repassadas ao paciente”, explica Moura.

Exames similares também são úteis para verificar se um determinado medicamento será eficaz e metabolizado adequadamente – o que interfere na dosagem. É a chamada farmacogenômica.

P2 Prevensão

São poucos problemas de saúde que possuem um protocolo de rastreamento populacional – alguns cânceres, hipertensão, diabetes, hipercolesterolemia estão entre eles. E mesmo esses são “genéricos”, no sentido de serem indicados para grandes grupos de pessoas, com base em características amplas (principalmente a idade).

Mas a ideia da Medicina de Precisão é personalizar de forma inédita o rastreio. Dependendo dos hábitos, do histórico de vida, de características genéticas e de outros fatores devidamente analisados, é possível já hoje antecipar exames, ou mesmo solicitar métodos diagnósticos específicos. E isso deve se popularizar ainda mais nos próximos anos. 

Através do Centro de Medicina Genômica do Programa de Medicina de Precisão, o Einstein discute e busca individualizar o rastreamento dos seus pacientes. “Estamos atentos a novas tecnologias para, se for o caso, incorporá-las rapidamente”, reforça Moura.

Um exemplo dessa tendência são os testes de biópsia líquida para rastreio de vários tipos de câncer. Trata-se de um exame de sangue em que se procura fragmentos de DNA tumoral. Com isso, amplia-se a capacidade de diagnóstico precoce de alguns tipos de câncer, levando a um aumento das possibilidades de cura. A tecnologia deve ficar disponível no Brasil nos próximos anos, e o Einstein já conduz pesquisas nesse sentido.

P3 Personalização de tratamento

De um lado, é possível realizar testes genéticos e outras avaliações para verificar qual tratamento será mais adequado para aquele paciente. Na esclerose múltipla, por exemplo, já se sabe que alguns perfis genéticos podem alterar a ordem de prescrição de medicamentos.

Do outro, em Oncologia, surgem cada vez mais fármacos que atuam em uma específica situação genética ou uma alteração molecular do câncer, a fim de personalizar o tratamento. Com isso, evita-se, muitas vezes, tratamentos quimioterápicos, oferecendo melhores desfechos e menores toxicidades para o paciente.

Além disso, é possível incorporar tratamentos inovadores na lógica da Medicina de Precisão. A teranóstica é um exemplo que pode ser aplicado em pacientes com câncer de próstata metastático, através de um radiofármaco que atua contra o PSMA (o Antígeno de Membrana Específico para Próstata). É uma espécie de Cavalo de Troia altamente eficaz contra a doença, uma vez que, ao encontrar o receptor do câncer da próstata, ele deposita de modo exclusivo a molécula radioativa dentro da célula tumoral, poupando as sadias.

Essa prática (e outras tantas da teranóstica) estão disponíveis no Einstein.

A personalização também torna o cuidado mais custo-efetivo – ora, os tratamentos são destinados para quem realmente se beneficiará deles, economizando dinheiro e recursos nos casos em que seriam ineficazes. Com essa perspectiva, espera-se alcançar mais brasileiros com tratamento de qualidade. O Einstein, por exemplo, atende muitos pacientes oncológicos do SUS através do Hospital Municipal Gilson de Cássia Marques de Carvalho – Vila Santa Catarina, e de outras unidades públicas que gerencia.

P4 Participação do paciente

As preferências e as informações que o paciente oferece são cada vez mais importantes para o tratamento. Nesse sentido, os dispositivos vestíveis despontam como aliados. 

“Antes, nós contávamos basicamente com as consultas e os exames para verificar a saúde de uma pessoa. Atualmente, começa-se a mensurar com alguma precisão diferentes marcadores por meio de smartwatches, celulares, tablets e outros equipamentos”, contextualiza Moura. Para o futuro, existe a possibilidade inclusive de empregar dispositivos que serão deglutidos para analisar o metabolismo de modo dinâmico. 

Os dados coletados por dispositivos assim têm potencial para ajudar a entender a saúde da pessoa no dia a dia, e apontar precocemente complicações de uma doença, ou o sucesso de um tratamento.

Já há, inclusive, equipamentos que detectam uma queda em um idoso e, então, automaticamente acionam o serviço de emergência. Ou dispositivos que analisam a flutuação de glicemia e alertam os pacientes em caso de uma baixa súbita. Também foram testados softwares que, via mensagem de texto, perguntam com frequência a pacientes com câncer como eles estão se sentindo em relação aos tratamentos e aos sintomas. Dependendo da resposta, o programa alerta o médico, detectando eventuais problemas no começo, quando é mais fácil lidar com eles.

O desafio é tornar os gadgets em geral realmente confiáveis como indicadores de saúde – e treinar os profissionais para lidar com essas tecnologias. “Já estamos organizando nossa estrutura para essa fase do cuidado, inclusive para não incorporar tecnologias que tragam pouco benefício ao paciente”, sublinha Moura.

O engajamento do corpo clínico, a liderança e a cultura de inovação do Einstein promovem o ambiente ideal para que a Medicina de Precisão floresça, com responsabilidade e um olhar genuíno para o paciente.

Cada um dos quatro Ps gera uma quantidade enorme de dados. A partir daí, é possível analisar esses dados, com apoio de inteligência artificial, para encontrar padrões capazes de gerar conhecimento. “Os dados são tudo, e tudo é dado que pode ser analisado no final do dia”, conclui Moura.
 

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