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Equipamentos de automação surgem como uma forma de garantir segurança e liberar os profissionais de saúde para atividades que só humanos são capazes de fazer
Robótica

Robôs para melhorar e humanizar o cuidado

Equipamentos de automação surgem como uma forma de garantir segurança e liberar os profissionais de saúde para atividades que só humanos são capazes de fazer

Ao contrário do que filmes de ficção científica fazem parecer, o futuro da Medicina não será conduzido por robôs – mas, sim, por humanos que sabem usar os robôs e a automação de certos serviços para ganhar precisão e tempo, um fator cada vez mais crucial no atendimento de qualidade. Essa visão tende a ganhar espaço, e já é realidade no Einstein.

O hospital já se vale das cirurgias robóticas cotidianamente, com o uso de diferentes equipamentos e parcerias, além de um certificado de qualidade na área adquirido em 2017 pelo pela Surgical Review Corporation (SRC). Foi a primeira organização a conquistar isso na América Latina. Mas vai além disso.

“Na Hotelaria Hospitalar, cada vez mais introduzimos tecnologias de automação para garantir mais qualidade e agilidade nos serviços”, afirma Claudia Laselva, diretora de Serviços Hospitalares e Práticas Assistenciais do Einstein. Hoje, há mais de 100 leitos automatizados na unidade Morumbi, com previsão de um crescimento exponencial até 2027, em diferentes centros geridos pela organização.

Nesses quartos, o paciente pode pedir, através de um tablet ou da própria televisão, variados serviços, da alimentação à limpeza, passando por questões de manutenção ou até de término de medicamentos. Ele também recebe orientações básicas sobre a internação diretamente da tela.

Ganha-se, do lado do paciente, conforto e controle (até porque dá para verificar o horário de certos pedidos e a agenda para o dia). Já os profissionais, principalmente os de enfermagem, não precisam ser acionados a todo instante para receber esses pedidos, o que dá a eles mais tempo para se dedicar às práticas complexas de sua profissão, como o cuidado assistencial e a própria aplicação das medicações.  

A dispensação dos remédios, aliás, é um caso à parte. Principalmente em grandes hospitais, organizar e administrar os tratamentos de todos os pacientes é um enorme desafio. Basta imaginar a quantidade de receitas para avaliar, a necessidade de separar e abrir incontáveis blísteres, caixas e outras embalagens, a reorganização de todos esses fármacos, o ajuste das dosagens, o envio para os leitos…

Da demanda por inovações que aperfeiçoassem cada uma dessas e outras fases – todas sujeitas a erros humanos – surgiram diferentes tipos de robôs envolvidos com a dispensação de fármacos. No Einstein, há pelo menos três tipos diferentes que garantem maior segurança e agilidade nessa área.
 

A Farmácia do Einstein, que centraliza os pedidos de rotina, possui um espaço de 120 metros quadrados onde fica um grande robô dispensador, com capacidade para gerir até 52 mil doses de remédios simultaneamente. Ele é carregado com diferentes medicamentos e, a partir das receitas nos prontuários eletrônicos, usa seus braços articulados para cortar blísteres e outras embalagens, separar as drogas e, então, embalá-las em pacotes para cada paciente. “O robô também organiza as medicações na ordem de consumo, com orientações de horário”, revela Nilson Gonçalves Malta, gerente de Automação Hospitalar do Einstein.

Os farmacêuticos e outros profissionais precisam apenas abastecer esse robô e dar o comando para que ele inicie as dispensações. Com isso, ganham tempo para se dedicar às receitas e ao tratamento em si dos pacientes.

No mais, o robô evita erros de dosagem. Ele ainda é capaz de, por meio de uma câmera com inteligência artificial, verificar se a medicação colocada ali é, de fato, a que o médico prescreveu. “Se, no espaço do paracetamol, alguém por engano introduziu uma dipirona, o robô identifica isso pelo aspecto do comprimido e o descarta, notificando os operadores”, destaca Malta.

No futuro, espera-se que equipamentos similares ajudem inclusive no preparo de drogas injetáveis que exigem manipulação. Com a receita integrada no sistema, o robô mesmo misturaria os princípios ativos em bolsas ou seringas, sem risco de erros ou mesmo de intoxicação dos profissionais.

Já em cada um dos 45 centros de enfermagem do setor de internação do Einstein e nas três unidades de atendimento ambulatorial da Oncologia, há robôs de dispensação para o início do tratamento – quando o paciente acabou de ser internado –, para demandas específicas, ou para necessidades pontuais.

“Eles são muito usados para quando a pessoa sente alguma dor, ou apresenta febre”, exemplifica Malta. Esses equipamentos se parecem com uma vending machine, e garantem que os remédios só sejam liberados para os profissionais com uma prescrição no receituário eletrônico daquele paciente. É mais uma forma de minimizar erros.

O Einstein já atua com esses robôs de dispensação — as “vending machines” — há mais de 20 anos. Eles se disseminaram inclusive para o Hospital Municipal Gilson de Cássia Marques de Carvalho – Vila Santa Catarina que é gerenciado pela organização

O Einstein também possui robôs que se deslocam pelos corredores para levar medicamentos e outros itens da Farmácia até as unidades de internação. “Eles têm o mapa do hospital em sua programação e sensores que os fazem navegar no meio das pessoas”, conta Malta. “Eles usam um sistema de Wifi para solicitar o elevador e chegar no andar correto”, completa.

Ao profissional, cabe abastecer esse robô com os itens necessários e colocar, em uma interface, para onde ele deve ir. 

“Já estamos até acostumados a ver robôs andando pelo hospital, inclusive entrando em elevadores”

Claudia Laselva, diretora de Serviços Hospitalares e Práticas Assistenciais do Einstein

Esses robôs são empregados para situações específicas, como solicitações de última hora para os quais os tubos pneumáticos não podem ser usados. Os tubos, aliás, são uma espécie de sistema de encanamento que passa por todo o hospital e, através do vácuo, serve de meio de transporte para medicações e outros produtos. “Mas eles possuem limitações com volumes maiores e um risco de quebra para certos itens”, pondera Malta.

Os robôs móveis, portanto, ajudam a agilizar as entregas, sem risco de perda do tratamento. O Einstein inclusive realiza testes constantes para incorporar essas tecnologias a outros fins, como na hotelaria e na entrega de refeições. “Existem desafios para implementar esse tipo de ação, mas, ao fazer esses experimentos, entendemos o que pode funcionar para cada situação, e cada unidade que gerenciamos”, argumenta Laselva.

A proposta é seguir implantando automações e os robôs para quando eles trazem vantagens que repercutem na atuação dos profissionais e na humanização do cuidado.