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Gestão eficiente de dados, incorporação de novas tecnologias e uso adequado de algoritmos ajudam o médico a diagnosticar doenças precocemente e a personalizar o tratamento, o que amplia a humanização do cuidado
IA e Big DataNeurologia

IA no apoio às decisões do neurologista

Gestão eficiente de dados, incorporação de novas tecnologias e uso adequado de algoritmos ajudam o médico a diagnosticar doenças precocemente e a personalizar o tratamento, o que amplia a humanização do cuidado

Via de regra, recursos de IA precisam de grandes bases de dados para trazerem melhores resultados. Detalhe: esses repositórios de informação devem ser organizados e detalhados – do contrário, a máquina não consegue encontrar padrões. Diante dessa nova realidade, hospitais de excelência passaram a incorporar uma gestão baseada também em dados.

A Neurologia do Einstein se beneficiou graças à existência de centros dedicados a doenças específicas, que angariam informações pormenorizadas do tratamento e do fluxo dos pacientes. Criado em 2012, por exemplo, o Centro de Esclerose Múltipla e Doenças Desmielinizantes reúne profissionais de especialidades diversas que atuam basicamente com esse tipo de enfermidades.

As equipes multidisciplinares oferecem apoio rápido e atualizado às pessoas, recursos diagnósticos avançados de imagem e laboratoriais, terapias com medicamentos de última geração, reabilitação, fisioterapia, terapia ocupacional e suporte nutricional… “Temos diferentes tipos de tratamentos para esclerose múltipla”, resume Polyana Piza, neurologista e Gerente do Programa de Neurologia do Einstein.

Dentro do Centro de Esclerose Múltipla e Doenças Desmielinizantes, encontra-se o Centro de Terapia Medicamentosa, que possui equipe de enfermagem especializada e assistência médica contínua para os pacientes. (Crédito: Egberto Nogueira/imãfotogaleria)
Dentro do Centro de Esclerose Múltipla e Doenças Desmielinizantes, encontra-se o Centro de Terapia Medicamentosa, que possui equipe de enfermagem especializada e assistência médica contínua para os pacientes. (Crédito: Egberto Nogueira/imãfotogaleria)

Todos esses atendimentos e processos geram dados, que podem, se bem trabalhados, converterem-se em informações valiosas – ainda mais com a IA. E foi isso que o Einstein fez. O próprio centro elaborou, por exemplo, laudos de exames de ressonância de modo estruturado que permitem aos médicos acompanharem a progressão dos casos atendidos no hospital com um alto nível de detalhamento.

“Antes, os laudos eram descritivos, seguindo um padrão que não permitia melhor compreensão da complexidade da doença. O laudo estruturado conta com mais de 20 itens a serem observados de forma pormenorizada, com atualizações e implantação de novos softwares de imagem, de acordo com a evolução da tecnologia aplicada às doenças desmielinizantes”

Rodrigo Barbosa Thomaz, coordenador do Centro de Esclerose Múltipla e Doenças Desmielinizantes

Os anos de dados e de conhecimento acumulado com os laudos agora vêm abastecendo algoritmos de IA produzidos no próprio Einstein que ajudam a agilizar a avaliação clínica. “Junto com outras tecnologias, conseguiu-se antecipar e personalizar o diagnóstico, a fim de melhorar e proteger a saúde cerebral dos pacientes”, conclui Thomaz.

A união entre tecnologia, capacidade técnica e gestão baseada em dados é fundamental para o sucesso desse tipo de abordagem. Ora, novas tecnologias, quando baseadas em evidências científicas, além de agregarem benefícios para o paciente, oferecem novos dados para serem processados por algoritmos.

Pacientes recebem, no Centro de Esclerose Múltipla e Doenças Desmielinizantes, infusões de medicamentos críticos e imunobiológicos, com apoio de tecnologias para facilitar a aplicação. É um espaço dedicado e privativo. (Crédito: Egberto Nogueira/imãfotogaleria)
Pacientes recebem, no Centro de Esclerose Múltipla e Doenças Desmielinizantes, infusões de medicamentos críticos e imunobiológicos, com apoio de tecnologias para facilitar a aplicação. É um espaço dedicado e privativo. (Crédito: Egberto Nogueira/imãfotoga

Desde o início de 2024, uma tecnologia de IA disponível no Einstein é capaz de produzir mapas da substância branca cerebral, os chamados "mapas de mielina”, a partir de exames de ressonância magnética quantitativa. Ou seja, entre outros atributos, o algoritmo foi treinado para criar relatórios parametrizados da quantidade e da distribuição de mielina, uma substância que envolve as ramificações dos neurônios – e que é destruída pela esclerose múltipla.

“Esse mapa quantifica o total de mielina do cérebro de forma individualizada e o compara com pessoas não afetadas, da mesma idade e gênero, a partir dos bancos de dados populacionais”, afirma Thomaz.

A ferramenta parece complexa – e, de certa forma, é –, porém seu objetivo sempre foi claro: ajudar os médicos a enxergarem lesões da esclerose múltipla que poderiam passar despercebidas em uma avaliação a olho nu da ressonância magnética.

“Muitas pessoas com esclerose múltipla possuem lesões difíceis de serem detectadas”, explica Thomaz. É a chamada “substância branca de aparência normal”. Na prática, são alterações mais escondidas, que não saltam aos olhos de quem avalia uma ressonância realizada da maneira típica.

Com o mapa de mielina e outros aspectos avaliados em poucos minutos (a integridade da substância branca e cinzenta e o volume do líquor, para citar dois parâmetros), essa ferramenta gera dados que permitem ao neurologista entender se aquele cérebro pode estar sendo acometido pela esclerose múltipla de modo mais profundo Ela, portanto, pode ir além do olhar de um profissional, por mais experiente que ele seja.

A inovação foi desenvolvida pela SyntheticMR. E o interessante é que o procedimento foi viabilizado graças à aliança com a Eretz.bio, a incubadora do Einstein que apoia diferentes startups, inclusive usando a estrutura da organização para validar as tecnologias. É uma forma de estar a par de novas formas de beneficiar os pacientes.

“A IA não está tomando decisões sozinhas ou interferindo diretamente na decisão do médico. Ela nos ajuda a avaliar os casos e a entender as correlações clínico-radiológicas para individualizar cada abordagem”, pontua Thomaz. Ou seja, se bem empregado, esse recurso na verdade humaniza e personaliza o tratamento. “Mas, para isso, é fundamental manter o padrão de qualidade no registro dos dados”, conclui.

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