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A neurocirurgia avança com a precisão como principal foco – só assim para garantir o sucesso de abordagens invasivas em um órgão onde milímetros mudam o desfecho do tratamento
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Cirurgias para enxergar, modular e manipular o cérebro

A neurocirurgia avança com a precisão como principal foco – só assim para garantir o sucesso de abordagens invasivas em um órgão onde milímetros mudam o desfecho do tratamento

No cérebro, as cirurgias precisam ser especialmente precisas. E a precisão é alcançada com equipes experientes, equipamentos de ponta e a integração de diversas áreas e profissionais. Três pontos que o Einstein domina – não à toa, é uma referência na neurocirurgia.

Um exemplo que toca nesses quesitos é a estimulação cerebral profunda, conhecida por sua sigla em inglês, DBS (“deep brain stimulation”). A abordagem em si não é nova: ela começou a ser aplicada ainda nos anos 1990 para melhorar a qualidade de vida de pacientes com Parkinson. Contudo, os avanços nos últimos anos são notáveis – e proporcionam uma expansão do uso da técnica para outros distúrbios neurológicos, como a epilepsia.

O DBS é comparado a um “marcapasso no cérebro”. São introduzidos eletrodos em posições estratégicas do órgão para promover a estimulação de áreas associadas aos sintomas mais incapacitantes. Os cabos são implantados ao longo do pescoço, conectados por sua vez a um gerador que é implantado dentro do tórax.

A robótica e técnicas menos invasivas, como as da Medicina Intervencionista, têm ajudado a tornar esses procedimentos mais eficazes. Uma das inovações para aperfeiçoar técnicas como o DBS é a entrada da IA como suporte para os médicos.

“Os algoritmos aumentam a precisão em aspectos como o posicionamento correto dos eletrodos e a regulação dos parâmetros elétricos”, comenta o neurocirurgião funcional Fábio Godinho.

No caso da epilepsia – doença que acomete 1% da população, ou seja, mais de 2 milhões de brasileiros –, as opções de cirurgia tradicionalmente envolviam a ressecção da área onde as crises começam (em geral, o hipocampo) ou a introdução de um estimulador do nervo vago (VNS). No entanto, cada paciente responde de um jeito, e o DBS desponta como uma opção invasiva relevante para os casos resistentes aos medicamentos (a epilepsia refratária).

Embora o termo “invasivo” assuste à primeira vista, hospitais de referência conseguem executar essas estratégias com segurança. “A cirurgia para a epilepsia requer cuidados”, aponta Luís Otávio Caboclo, coordenador médico do Departamento de Neurofisiologia Clínica do Einstein. Diferentes exames, que podem incluir um eletroencefalograma com eletrodos inseridos dentro do crânio, são necessários para avaliar cada quadro. “No Einstein, temos capacidade para avaliar quem é candidato ao tratamento cirúrgico e operá-lo”, explica.

Portas abertas para o futuro

Procedimentos como o DBS não removem ou alteram estruturas cerebrais. Com isso, podem ser revertidos em caso de necessidade – algo potencialmente útil diante da perspectiva de novos tratamentos ao longo do tempo.

“Não dá para voltar atrás de uma lesão provocada no cérebro. Já com o DBS, basta desligar o aparelho para voltar à situação em que a pessoa estava antes”, argumenta Godinho.

De olho no futuro, outra aposta dos pesquisadores é que a neuromodulação como a vista no DBS seja capaz de induzir a proliferação neuronal, a chamada neurogênese. Isso contribuiria contra outros distúrbios que ainda não são contemplados pela técnica. Há estudos até em quadros de demência.

As investigações nessa área, conduzidas fora do país, estão em estágios iniciais. Mas o DBS e outros procedimentos cirúrgicos de ponta já estão no Einstein.

Avanços na neuro-oncologia

O tratamento de tumores no cérebro e no sistema nervoso também é muito beneficiado em locais com capacidade para fazer cirurgias de alta precisão. “Temos um grupo de Neurorradiologia e Medicina Nuclear que se destaca pela experiência e pelo contato constante entre as áreas de patologia, cirurgia e oncologia”, resume Suzana Malheiros, consultora em neuro-oncologia do Einstein.

As técnicas cirúrgicas em si evoluíram, porém um diferencial de destaque está no planejamento e no monitoramento dos efeitos dos procedimentos para o câncer daquele paciente. O Einstein disponibiliza, por exemplo, técnicas modernas de ressonância magnética, como a espectroscopia, que apontam exatamente onde se encontra o tumor. Além disso, conta com um software chamado TRAM (treatment response assessment maps), que auxilia a interpretar e diferenciar as alterações cerebrais decorrentes do tratamento daquelas relacionadas à própria evolução do tumor.

Como dito antes, é com base na precisão do cuidado que a neurocirurgia vem ganhando espaço.

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