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Softwares, exames de neuroimagem e novos equipamentos abrem caminho para uma Neurologia Intervencionista promissora, que já dá seus passos no Einstein
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Intervenções mínimas para um órgão especialmente delicado

Softwares, exames de neuroimagem e novos equipamentos abrem caminho para uma Neurologia Intervencionista promissora, que já dá seus passos no Einstein 

Na Neurologia, os avanços da Medicina Intervencionista são particularmente celebrados – qualquer contato direto com o cérebro pode gerar repercussões graves em diferentes sistemas do corpo, e minimizar esse risco é uma busca constante. Atualmente, o  AVC isquêmico e outros problemas neurológicos já são contornados com técnicas intervencionistas, a partir de acessos endovenosos pelos quais diferentes dispositivos são introduzidos no corpo. Mas em centros como o Einstein, até equipamentos que evitam qualquer incisão – como o HIFU – começam a ser usados para melhorar a vida dos pacientes.

Por dentro dos vasos

Aneurismas cerebrais, malformações arteriovenosas e, principalmente, AVCs isquêmicos agudos são comuns. Para contornar esses quadros, a Neurologia Intervencionista passou a usar tomografias computadorizadas de última geração e angiografias biplano para gerar imagens 3D precisas do cérebro daquele paciente.

A partir dessa visão em tempo real, especialistas usam os vasos sanguíneos como avenidas para levar equipamentos miniaturizados capazes de, por exemplo, remover um trombo que estava provocando um AVC, ou impedir a ruptura de um aneurisma. No Einstein, esses procedimentos são realizados na rotina. 
 

“Sem intervenção”

A lógica não é exatamente nova. Na radioterapia, por exemplo, feixes de radiação de alta intensidade são produzidos para eliminar o câncer, sem necessidade de qualquer corte no corpo. No entanto, recentemente a Medicina Intervencionista tem usado o chamado ultrassom focado de alta intensidade, ou HIFU, na sigla em inglês. E, na Neurologia, ele ganhou destaque contra quadros complexos.

O Einstein é o primeiro hospital do país a contar com a tecnologia HIFU nessa especialidade médica. Em um primeiro momento, o dispositivo está sendo estudado para combater o tremor essencial, uma doença genética e por vezes incapacitante, e o tremor da doença de Parkinson.

“Antes do Einstein, o HIFU existia apenas nas principais universidades dos Estados Unidos, alguns poucos países da Europa e no Chile”, comenta Polyana Piza, neurologista e Gerente do Programa de Neurologia do Einstein.

A técnica é aplicada com auxílio da ressonância magnética, que gera imagens em tempo real para guiar a equipe no direcionamento das ondas. A precisão, aqui, é indispensável: a área responsável pelo tremor essencial, no núcleo subtalâmico, mede menos de 2 milímetros.

Com o ultrassom focado, não é necessário qualquer tipo de incisão no paciente: é a própria onda de alta intensidade que penetra no tecido, atinge de forma controlada a região afetada e, então, interrompe o mecanismo por trás do tremor. “Ele provoca uma alteração de temperatura que inativa apenas a área desejada”, explica Piza. 
 

A técnica é considerada segura e possui uma ação rápida. Uma única sessão, que em geral dura de duas a três horas, basta para produzir resultados duradouros.

“Em um acompanhamento por cinco anos, o tremor não voltou em mais de 87% dos pacientes. Antes, só com a medicação, havia uma melhora de 27 a 30%. E era uma ‘melhora’, o tremor não chegava a desaparecer”, compara Piza. “É uma inovação com resultados impressionantes. O paciente muitas vezes chega sem conseguir almoçar sozinho e sai sem o tremor após uma sessão”, celebra.

infográfico sobre Intervenções mínimas para um órgão especialmente delicado
infográfico sobre Intervenções mínimas para um órgão especialmente delicado

O HIFU chega ao Einstein inicialmente para pacientes com tremor essencial cujos sintomas não respondem aos tratamentos convencionais. Mas os neurologistas acreditam que, no futuro, a técnica entrará antes na linha de tratamento, devido aos resultados que já vem reunindo.

O uso para o tremor essencial, aliás, parece ser só o começo. O mesmo princípio vem sendo testado como alternativa terapêutica para outros desafios históricos da Neurologia, como o tremor parkinsoniano e a dor neuropática.

Até mesmo o Alzheimer entrou na mira do ultrassom focado após uma pesquisa promissora em 2024. Mas, no caso, com ondas de baixa intensidade. Em vez de provocar uma lesão em um ponto do cérebro associado ao distúrbio, o ultrassom de baixa intensidade aumentaria a permeabilidade da barreira hematoencefálica por um período transitório, o que facilitaria a entrada de medicamentos utilizados contra esse tipo de demência.

“O mais novo medicamento monoclonal usado para o Alzheimer tem uma resposta mais tímida do que o esperado devido à barreira hematoencefálica”, contextualiza Piza. “Segundo artigo do The New England Journal of Medicine com o ultrassom de baixa intensidade, essa barreira ficaria aberta tempo suficiente para administrar o remédio, ainda em fases experimentais”, completa.

Há, claro, desafios em tecnologias como essa. Ora, a barreira hematoencefálica serve para proteger as pessoas contra toxinas – então é necessária uma observação próxima após uma intervenção do tipo. Mas participar, desde os primeiros passos, da aplicação de novos procedimentos permite a organizações como o Einstein aprimorarem o cuidado dos pacientes e prepararem as equipes e as próprias infraestruturas para o futuro. 
 

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