O HIFU chega ao Einstein inicialmente para pacientes com tremor essencial cujos sintomas não respondem aos tratamentos convencionais. Mas os neurologistas acreditam que, no futuro, a técnica entrará antes na linha de tratamento, devido aos resultados que já vem reunindo.
O uso para o tremor essencial, aliás, parece ser só o começo. O mesmo princípio vem sendo testado como alternativa terapêutica para outros desafios históricos da Neurologia, como o tremor parkinsoniano e a dor neuropática.
Até mesmo o Alzheimer entrou na mira do ultrassom focado após uma pesquisa promissora em 2024. Mas, no caso, com ondas de baixa intensidade. Em vez de provocar uma lesão em um ponto do cérebro associado ao distúrbio, o ultrassom de baixa intensidade aumentaria a permeabilidade da barreira hematoencefálica por um período transitório, o que facilitaria a entrada de medicamentos utilizados contra esse tipo de demência.
“O mais novo medicamento monoclonal usado para o Alzheimer tem uma resposta mais tímida do que o esperado devido à barreira hematoencefálica”, contextualiza Piza. “Segundo artigo do The New England Journal of Medicine com o ultrassom de baixa intensidade, essa barreira ficaria aberta tempo suficiente para administrar o remédio, ainda em fases experimentais”, completa.
Há, claro, desafios em tecnologias como essa. Ora, a barreira hematoencefálica serve para proteger as pessoas contra toxinas – então é necessária uma observação próxima após uma intervenção do tipo. Mas participar, desde os primeiros passos, da aplicação de novos procedimentos permite a organizações como o Einstein aprimorarem o cuidado dos pacientes e prepararem as equipes e as próprias infraestruturas para o futuro.