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Inovações tecnológicas e processuais entram em cena para lidar com quadros cada vez mais complexos e uma demanda crescente por atendimento de qualidade e custo-efetividade
Cirurgia

Salas cirúrgicas inovam para apoiar os profissionais e dar mais segurança e qualidade de vida aos pacientes

Inovações tecnológicas e processuais entram em cena para lidar com quadros cada vez mais complexos e uma demanda crescente por atendimento de qualidade e custo-efetividade

A cirurgia robótica roubou a cena nos últimos anos. É justo: essa tecnologia oferece maior precisão, menor invasividade e tempo de recuperação, entre outros benefícios – o Einstein é pioneiro e líder na área. “Mas a tendência é pensar nos robôs como mais uma interface para alcançar maior segurança, controle, taxa de sucesso, qualidade de vida e outros benefícios em prol do paciente”, aponta Bruno Muller, gerente médico da Cirurgia Einstein. “Hoje, temos muitos outros recursos à disposição para alcançar esses objetivos”, completa.

Cada vez mais, centros de excelência incorporam diferentes tecnologias, algoritmos, processos e profissionais especializados para oferecer o melhor cuidado possível. Para ter ideia, já se estudam corantes dentro da cavidade cirúrgica que ajudam a marcar células tumorais. Com isso, uma câmera é capaz de apontar resquícios da doença, o que ajuda o cirurgião a delimitar a área de tecido a ser removida. Resultado: menor risco de reincidência.

No futuro próximo, estarão à disposição bisturis que analisam a fumaça gerada ao cortar um tecido para verificar se há pequenos focos de tumor escondidos. E também óculos de realidade aumentada que fundem a imagem de exames de um determinado órgão com o paciente à frente do cirurgião – o que traria ainda mais precisão. Esses e outros recursos, claro, podem ou não estar integrados em procedimentos robóticos.

A mescla da cirurgia com outras vertentes da Medicina, a exemplo da Radiologia Intervencionista, também marca essa nova era. Durante uma operação, um médico intervencionista pode aplicar medicamentos ou outros tratamentos adjuvantes para otimizar a chance de sucesso. Ou, através do uso de exames de imagem em tempo real, ajudar o cirurgião a delimitar os próximos passos do procedimento.

É também por causa disso que o Einstein criou uma sala híbrida. “É um ambiente dotado de recursos de ponta para cirurgias de alta complexidade, e que vem com equipamentos avançados para gerar imagens de alta resolução em tempo real”, introduz Rodrigo Gobbo, diretor médico do Centro de Medicina Intervencionista do Einstein.

Essa sala é altamente ajustável, dependendo do quadro. “Costumamos utilizá-la para situações complexas, como pacientes com vários traumas ou que precisam de diferentes procedimentos de uma só vez. Ela é nossa ferramenta mais potente, digamos assim”, analisa Muller.

Infográfico sobre Salas cirúrgicas inovam para apoiar os profissionais e dar mais segurança e qualidade de vida aos pacientes
Infográfico sobre Salas cirúrgicas inovam para apoiar os profissionais e dar mais segurança e qualidade de vida aos pacientes

Monitoramento detalhado 

Há, durante uma cirurgia, muitas atividades sendo conduzidas ao mesmo tempo, por diferentes profissionais. Para ajudar os envolvidos a acompanhar esses processos e verificar eventuais dificuldades ou intercorrências precocemente, câmeras inteligentes têm sido utilizadas – o Einstein já as incorporou em seu centro cirúrgico, em todas as salas.

“Todo o ambiente é filmado. Ao identificar movimentos inesperados, que fogem do padrão, a câmera notifica a Central de Monitoramento Assistencial [CMOA]. Um operador, então, vê as imagens em tempo real e, se realmente houver algum risco, é capaz de solicitar ajuda imediata”, explica Claudia Laselva, diretora de Serviços Hospitalares e Práticas Assistenciais do Einstein. É possível, por exemplo, perceber uma dificuldade para manejar a via aérea do paciente antes do cirurgião, ou mesmo movimentações da equipe que sugerem a necessidade de apoio adicional.

A Central de Monitoramento Assistencial, que não se resume ao centro cirúrgico, também possui recursos de inteligência artificial que monitoram sinais vitais e outros marcadores do paciente. Se algum deles começa a se deteriorar – como a oxigenação –, o operador recebe um alerta e, então, pode verificar a câmera dessa sala cirúrgica. Dependendo da situação, ele intercede para acelerar os cuidados e reduzir o risco de complicações.

Há até algoritmos funcionando no Einstein que ajudam os profissionais a não se esquecerem de práticas secundárias importantes, como as que reduzem o risco de infecções. Nesse caso, há um protocolo que considera pontos como:

  • Se a glicemia foi avaliada e, caso necessário, manejada com medicamentos
  • Se a temperatura do paciente permanece estável
  • Se a aplicação de antibióticos foi adequada
  • Se houve um preparo adequado da equipe e do paciente

Todos esses pontos interferem no risco de uma infecção durante a cirurgia – caso a equipe tenha falhado em algum, o programa emite um alerta. São formas de aumentar a segurança usando o que há de mais novo na área.

Gestão baseada em dados

A sala cirúrgica é uma das áreas de maior custo de um hospital. Adotar medidas para otimizar seu uso torna-se, portanto, uma prioridade em sistemas de saúde que pretendem garantir atendimento de excelência ao maior número possível de pessoas.

Para ajudar nessa missão, o Einstein desenvolveu um software capaz de aprimorar o agendamento de suas 35 salas cirúrgicas na unidade Morumbi. Esse programa considera diferentes fatores, a exemplo de:

  • Qual o tipo de cirurgia e o tamanho de sala necessário;
  • Qual a necessidade de equipamentos e de instrumental cirúrgico;
  • Qual a média de tempo gasta por aquele médico para fazer esse procedimento.

“Com base em informações assim, o sistema organiza as reservas de sala do centro cirúrgico para, de um lado, diminuir o tempo ocioso e, do outro, atrasos que comprometem a agenda dos médicos e dos pacientes”, aponta Muller.

Em paralelo, outro sistema orienta diferentes profissionais na hora de desmontar a sala. Assim que a equipe de limpeza coloca em um tablet que higienizou o ambiente, o time de desmontagem é acionado. E daí em diante. “Conseguimos acionar os profissionais e verificar pendências rapidamente, o que diminui o tempo necessário entre uma cirurgia e outra”, relata Bruno.

Isso contribuiu para que, com a mesma quantidade de salas cirúrgicas, o Einstein passasse de uma média de 100 cirurgias por dia para até 160, nos dias mais ocupados.

Em certos hospitais públicos geridos pela organização, há iniciativas parecidas, que ajudam no agendamento de diferentes processos. Ou seja, há uma possibilidade desse tipo de tecnologia ser usado pelo SUS, o que traria um ganho de eficiência e produtividade.

Dados de 2025 do Complexo Morumbi

41 138 cirurgias

195 publicações científicas

de alto impacto na especialidade
 

Processamento de 40 057 mil 

pacotes de instrumental cirúrgico por mês

Uso de 453 179 mil itens de farmácia

por mês no centro cirúrgico

Complexidade

Como em outras áreas da Medicina, a cirurgia ganhou em complexidade. Surgiram, por exemplo, ultraespecialistas em determinados procedimentos, que são capazes de trazer grandes ganhos para condições particulares. Para entrar nessa seara, o Einstein tem criado Núcleos de Especialidade Estratégica Cirúrgica. Entre os grupos já criados, pode-se citar:

  • Oncofertilidade feminina
  • Doenças pleurais
  • Doenças do peritônio e do retroperitônio
  • Preservação da fertilidade masculina e Andrologia
  • Câncer de orofaringe e relacionado ao HPV
  • Hérnias complexas

Ao mesclar essas iniciativas com o ecossistema do Einstein, que envolve Pesquisa e Ensino, cria-se um ambiente favorável para o trabalho e o desenvolvimento do cirurgião. “Aqui, o médico consegue fazer cirurgias no sistema público e privado, realizar cursos, conduzir pesquisas, focar-se em procedimentos complexos ou doenças raras. Temos um sistema que favorece a excelência profissional. E isso nos prepara para o futuro”, conclui Muller.