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Bruxismo: entenda as possíveis manifestações e consequências do distúrbio

Atualizado em 03/09/2025
Tempo de leitura: 2 minutos

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Uma pessoa com expressão de desconforto, um dos sintomas de bruxismo.

O bruxismo é uma condição caracterizada pelo ato involuntário de apertar ou ranger os dentes de forma excessiva. Esse hábito pode gerar uma sobrecarga nas arcadas dentárias e nos músculos da face, contribuindo para o surgimento ou agravamento dos chamados distúrbios temporomandibulares (DTM). 

Se não for tratado adequadamente, o bruxismo também pode causar uma série de complicações, como desgaste nos dentes, espaçamento na arcada dentária e retração gengival — condição em que a gengiva se afasta da coroa do dente, expondo a raiz e aumentando a sensibilidade. Em quadros mais severos, o problema pode provocar trincas, além da quebra de restaurações, próteses, implantes e até dos próprios dentes.

Ao contrário do que muita gente imagina, o problema não acontece apenas durante o sono. Embora por muito tempo tenha sido associado exclusivamente ao período do descanso noturno, hoje já se sabe que muitas pessoas manifestam o hábito de apertar os dentes também durante o dia — geralmente de forma inconsciente e relacionada a tensão e estresse. Nesses casos, o quadro é chamado de bruxismo de vigília.

Sono x vigília

O bruxismo noturno tem como fator principal a hiperatividade do sistema nervoso central, além de alterações nos mecanismos de controle do sono. Nesse caso, em geral, ocorrem movimentos isotônicos concêntricos (apertamento dental) e excêntricos (ranger de dentes), influenciados por alterações nos níveis de neurotransmissores, como a dopamina e a serotonina. 

Ansiedade, estresse e depressão podem ser agravantes no padrão de movimentação muscular da boca. Mas há outros fatores que podem estar por trás: questões hereditárias, alguns medicamentos, especialmente antidepressivos, apneia do sono, fumo e ingestão de álcool e cafeína também podem piorar o quadro. 

Em relação ao bruxismo de vigília, os principais fatores estão relacionados à parte emocional, envolvendo estresse, ansiedade e depressão. Doenças neurológicas, como o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), também podem levar ao apertamento dentário enquanto acordado, assim como hiperatividade, tensão muscular e hábitos como roer unha ou morder objetos, que podem aumentar a sobrecarga sobre a articulação.

Tratamento multidisciplinar 

A variedade dos sintomas do bruxismo faz com que muitos pacientes busquem diferentes especialistas antes de descobrirem que o ideal é consultar um cirurgião-dentista especializado em disfunção temporomandibular (DTM) e dor orofacial.

Esse profissional é o mais indicado para diagnosticar e tratar alterações na articulação temporomandibular (ATM), nos músculos da mastigação e em outras estruturas da face. O uso de placas oclusais (dispositivos de acrílico que evitam o contato direto entre os dentes) costuma ser uma das abordagens recomendadas. 

Mas, em alguns casos, pode ser necessária a atuação conjunta de fisioterapeuta e neurologista. Para tratar as causas, podem ser indicadas sessões de psicoterapia, principalmente quando o bruxismo está relacionado ao estresse ou à ansiedade, além de abordagens voltadas para distúrbios do sono e outras condições associadas.


Fontes consultadas: Mayra Torres Vasques, professora da graduação em Odontologia e da especialização em Dor Orofacial e DTM da Faculdade Israelita de Ciências da Saúde Albert Einstein; Maria de Lourdes Rodrigues Accorinte, presidente da Câmara Técnica de DTM e Dor Orofacial do Conselho Regional de Odontologia de São Paulo. Este texto foi originalmente publicado na Agência Einstein

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