A necessidade de tomar (ou não) antiparasitários com frequência é definida pelo ambiente que você vive. Em áreas onde a infecção por vermes é frequente, a prescrição de uma a duas desparasitações ao ano costuma ser indicada para crianças. Já para adultos ou quem vive em locais com boas condições de saneamento básico, o uso regular de vermífugos não segue uma regra universal.
Estima-se que mais de 2 bilhões de pessoas sejam afetadas por helmintos transmitidos pelo solo. Os casos se concentram, sobretudo, em regiões com pobreza, saneamento precário e acesso limitado à água potável.
Os principais parasitas envolvidos são os chamados “vermes do solo”, como o ancilóstomo, a lombriga e o tricocéfalo. Esses micro-organismos vivem no intestino humano e se alimentam de nutrientes do hospedeiro.
Recomendação para crianças
A desparasitação preventiva faz parte de estratégias de saúde pública em áreas com alta prevalência de infecção. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda a administração anual (ou semestral, quando a prevalência ultrapassa 50%) de uma dose única de albendazol ou mebendazol para crianças de 12 a 23 meses, pré-escolares de 1 a 4 anos e escolares de 5 a 12 anos, nessas regiões.
O objetivo é reduzir a carga de infecção por parasitas em populações de risco. Infecções repetidas na infância podem comprometer o estado nutricional, o desempenho escolar e até perspectivas econômicas futuras, devido ao impacto cumulativo no desenvolvimento físico e cognitivo.
Em crianças menores de 2 anos, a dose é ajustada. A medicação costuma ser administrada em campanhas coletivas em escolas e unidades básicas de saúde, especialmente em regiões endêmicas.
Casos isolados entre adultos
Não há uma recomendação universal para que todos os adultos tomem vermífugo anualmente. A indicação depende de fatores como local de residência (área com alta prevalência ou não), condições de saneamento, hábitos pessoais de higiene, presença de sintomas e diagnóstico confirmado por exame de fezes.
Em locais com infraestrutura sanitária adequada, água tratada e baixo índice de infecção, a estratégia costuma ser individualizada. O uso indiscriminado de medicamentos pode ser desnecessário e perigoso.
Por outro lado, comunidades com alta exposição ao solo contaminado, trabalhadores rurais ou pessoas que vivem em áreas com saneamento precário podem se beneficiar de esquemas periódicos, conforme orientação médica.
Transmissão do parasita
A transmissão acontece quando ovos dos parasitas presentes nas fezes humanas contaminam o solo. Em locais sem coleta e tratamento adequado de esgoto, esses ovos podem chegar à água, aos alimentos ou às mãos.
Dessa forma, a infecção ocorre principalmente por:
- Consumo de água contaminada;
- Ingestão de frutas e verduras mal-higienizadas;
- Falta de higiene das mãos;
- Contato com solo contaminado (especialmente andar descalço, no caso do ancilostomídeo).
Por isso, esse ciclo é mais comum em comunidades com infraestrutura sanitária insuficiente.
Sinais típicos
Muitas pessoas podem permanecer anos infectadas sem apresentar sintomas. Quando eles surgem, variam conforme o tipo de verme e a intensidade da infecção. Entre os sinais mais comuns estão:
Prevenção não medicamentosa
Os medicamentos mais utilizados na prevenção dos parasitas são considerados seguros quando administrados corretamente. No entanto, seu uso indiscriminado não é isento de riscos e não substitui diagnóstico adequado. Em áreas com boas condições de saneamento e baixa prevalência de infecção, não há indicação automática de tratamento anual para toda a população.
O principal meio de prevenção é a adoção de medidas simples de higiene e saneamento. Isso inclui:
- Lavar as mãos antes das refeições e após usar o banheiro;
- Utilizar banheiros com condições sanitárias adequadas;
- Beber água tratada;
- Lavar frutas e verduras com água potável;
- Manter unhas curtas e limpas;
- Usar calçados ao andar em solo possivelmente contaminado.





