Embora alguns tipos de câncer do aparelho digestivo possam provocar aumento da produção de gases em estágios mais avançados, flatulências e eructações (arrotos) frequentes dificilmente são, por si só, sinais da doença.
Na maioria dos casos, esses sintomas estão relacionados a alterações digestivas comuns, como refluxo gastroesofágico, intolerâncias alimentares, prisão de ventre ou consumo elevado de alimentos ricos em fibras.
Produção e eliminação normal de gases
A produção de gases faz parte do processo normal da digestão. Em média, uma pessoa elimina gases entre 15 e 25 vezes por dia. Os arrotos também são fisiológicos e ocorrem quando o organismo elimina o ar acumulado no estômago.
Diversos fatores podem aumentar essa produção. Comer rapidamente, mascar chiclete, consumir bebidas gaseificadas, fumar ou engolir ar durante as refeições favorecem o aparecimento de eructações.
Alguns alimentos, especialmente os ricos em fibras, como feijão, lentilha, brócolis, couve-flor, repolho e cebola, também estimulam a formação de gases. Além disso, adoçantes artificiais, como sorbitol, manitol e xilitol, podem ser fermentados pelas bactérias intestinais, aumentando a produção de gases e o desconforto abdominal.
As intolerâncias alimentares, principalmente à lactose, também estão entre as causas mais frequentes desse quadro. Pessoas com doença celíaca podem apresentar sintomas semelhantes após a ingestão de glúten. Já em indivíduos sem doença celíaca ou sensibilidade ao glúten, esse alimento geralmente não provoca sintomas.
Outras condições digestivas também podem favorecer o acúmulo de gases, como síndrome do intestino irritável, doenças inflamatórias intestinais, úlcera péptica, gastroparesia e hérnia de hiato.
Como aliviar o incômodo?
Na maior parte dos casos, mudanças simples de hábitos ajudam a reduzir o problema. Comer devagar, mastigar bem os alimentos e evitar conversar durante as refeições diminuem a quantidade de ar ingerido. Também é recomendado reduzir o consumo de refrigerantes, outras bebidas gaseificadas, chicletes e adoçantes artificiais, além de identificar quais alimentos aumentam a produção de gases em cada pessoa.
Manter atividade física regular, fazer pequenas caminhadas após as refeições e fracionar a alimentação em porções menores ao longo do dia também favorecem a digestão. Outra estratégia útil é manter um diário alimentar para identificar possíveis alimentos desencadeantes.
Quando o excesso de gases merece atenção?
Embora alguns tumores do aparelho digestivo possam alterar o funcionamento do trato gastrointestinal e, eventualmente, favorecer o acúmulo de gases ou eructações, esse raramente é o primeiro sinal da doença.
Cânceres que acometem órgãos como estômago, esôfago, pâncreas, fígado e intestino podem causar sintomas digestivos, mas o excesso de gases, de forma isolada, dificilmente desperta suspeita de câncer. Na maioria das vezes, quando há um tumor, outros sinais e sintomas estão presentes.
No câncer colorretal, por exemplo, é incomum que os gases sejam a única manifestação. Já no câncer de estômago, os sintomas iniciais costumam ser inespecíficos, como má digestão, sensação de estômago cheio logo após as refeições e desconforto abdominal, o que pode retardar o diagnóstico.
O excesso de gases merece investigação quando é persistente ou vem acompanhado de sinais de alerta, como:
- Perda de peso sem causa aparente;
- Sangue nas fezes ou fezes muito escuras;
- Dificuldade para engolir;
- Náuseas e vômitos persistentes;
- Dor abdominal frequente ou intensa;
- Sensação de saciedade após pequenas refeições;
- Fadiga intensa;
- Diarreia ou prisão de ventre persistentes;
- Vômito com sangue.
A presença de um ou mais desses sintomas não significa, necessariamente, a existência de um câncer, mas indica a necessidade de avaliação médica para identificar a causa e definir a conduta adequada.





