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Conheça 6 possíveis causas do excesso de gases

Atualizado em 02/01/2026
Tempo de leitura: 3 minutos

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Uma pessoa pressionando o abdômen com as duas mãos por causa do desconforto do excesso de gases.

Produzir gases é um processo natural do organismo, resultado tanto da ingestão de ar quanto da ação da microbiota intestinal na digestão de determinados alimentos. O problema surge quando essa produção ultrapassa o limite considerado fisiológico e começa a gerar desconforto, dor abdominal e constrangimento social.

Entender as causas ajuda não apenas a lidar melhor com o sintoma, mas também a identificar situações em que pode ser necessário procurar orientação médica. A seguir, listamos as principais razões para o excesso de gases e como lidar com cada uma delas.

1. Engolir ar durante as refeições

Muitas vezes, o excesso de gases não está ligado ao que se come, mas à forma como se come. Engolir ar durante a alimentação é um hábito mais comum do que se imagina. Isso acontece quando a pessoa come rápido demais, fala durante as refeições, masca chicletes com frequência ou consome bebidas gaseificadas. Todo esse ar ingerido se acumula no trato digestivo e pode resultar em eructações (arrotos), distensão abdominal e flatulência.

2. Produção natural da microbiota intestinal

O intestino grosso abriga trilhões de bactérias responsáveis por digerir nutrientes que não foram totalmente aproveitados no intestino delgado. Esse processo, chamado de fermentação, gera gases como subproduto. Em condições normais, essa produção é moderada, mas em algumas pessoas pode ser mais intensa, dependendo do tipo de alimento ingerido ou até de características individuais da microbiota.

Embora seja uma função natural, quando há excesso, pode provocar incômodo significativo. O limite considerado fisiológico varia, mas costuma ser de oito a 20 eliminações de gases por dia. Acima disso, o sintoma passa a ser considerado excessivo.

3. Intolerâncias alimentares

A intolerância à lactose, à frutose ou ao glúten está entre os fatores que mais contribuem para o aumento dos gases. Isso ocorre porque parte desses nutrientes não é digerida corretamente no intestino delgado, chegando intacta ao cólon, onde são fermentados pelas bactérias intestinais.

O resultado é a produção exagerada de gases, frequentemente acompanhada de outros sintomas, como dor abdominal, diarreia, estufamento e alterações no hábito intestinal. Identificar a intolerância e ajustar a dieta é essencial para o controle.

4. Alimentos que favorecem a fermentação

Alguns alimentos são naturalmente mais difíceis de digerir e, por isso, estão diretamente associados à formação de gases. Entre eles:

  • Leguminosas: feijão, grão-de-bico, lentilha, ervilha;
  • Verduras e hortaliças: repolho, brócolis, couve-flor;
  • Temperos: cebola, alho;
  • Frutas: maçã, pera, melancia;
  • Milho e derivados;
  • Laticínios (no caso de pessoas com intolerância à lactose).

A razão principal é que parte dos carboidratos presentes nesses alimentos não é digerida no intestino delgado, chegando intacta ao intestino grosso, onde passam por fermentação bacteriana intensa, resultando em maior produção de gases.

5. Condições de saúde associadas

Em alguns casos, o excesso de gases não se explica apenas pela dieta ou pelos hábitos de vida, mas pode estar relacionado a condições clínicas específicas. A síndrome do intestino irritável, por exemplo, está frequentemente associada a episódios de estufamento e flatulência, muitas vezes acompanhados de dor abdominal e alterações nas evacuações.

Outras doenças gastrointestinais também podem exacerbar o sintoma, exigindo avaliação médica. Nesses casos, é importante observar a frequência e a intensidade dos gases, além de outros sinais de alerta, como perda de peso inexplicada, sangue nas fezes, diarreia persistente ou dor abdominal intensa.

6. Ansiedade e estilo de vida

O aspecto emocional também tem influência direta na formação de gases. Pessoas ansiosas tendem a engolir mais ar sem perceber, principalmente durante episódios de tensão. Além disso, o estresse pode alterar o funcionamento do sistema digestivo, favorecendo desconfortos gastrointestinais.

O sedentarismo também colabora para o problema. A prática regular de atividade física, mesmo leve, como caminhar após as refeições, ajuda na eliminação natural dos gases e na regulação do trânsito intestinal.

Estratégias para reduzir os gases

Antes de recorrer a medicamentos, algumas mudanças simples de hábitos podem ajudar a controlar o problema:

  • Comer devagar, mastigando bem os alimentos;
  • Evitar conversar enquanto se alimenta;
  • Reduzir o consumo de bebidas gaseificadas;
  • Observar e moderar a ingestão de alimentos que favorecem a fermentação;
  • Manter rotina de atividade física regular;
  • Evitar o tabagismo, que também aumenta a ingestão de ar.

Em casos de intolerâncias alimentares, ajustar a dieta é fundamental. Já quando o sintoma é frequente, persistente ou acompanhado de outros sinais de alerta, a avaliação médica é indispensável para descartar condições mais graves.

Revisão técnica: Rafael Oliveira Ximenes, gastroenterologista e hepatologista do Einstein Hospital Israelita em Goiânia (CRM-GO 18.300 / RQE 12.936).

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