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O que é a “dieta carnívora” e quais os riscos dela à saúde? Entenda

Atualizado em 29/05/2025
Tempo de leitura: 2 minutos

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Em uma tábua de madeira, uma peça de carne cortada em tiras após ser assada em uma churrasqueira.

Entra ano, sai ano, e as dietas da moda desfilam pelas redes sociais e pelo boca a boca com suas promessas de emagrecimento. Atualmente, uma das mais populares — e controversas — atende pelo nome de “dieta carnívora”, rica em proteínas e produtos de origem animal, como carne, ovos e laticínios. 

Quem segue a dieta carnívora exclui do cardápio grãos, frutas, hortaliças e produtos classificados como ultraprocessados, industrializados que extrapolam em gordura, sódio, açúcar e aditivos. 

Os adeptos — que consomem, além de todos os tipos de carnes vermelhas, aves, pescados, miúdos, ovos e lácteos com baixo teor de lactose — mencionam melhoras no metabolismo e perda de peso, mas a literatura científica carece de estudos robustos, bem fundamentados, sobre seus efeitos.

Por outro lado, não faltam evidências de que a falta de equilíbrio na alimentação está por trás de diversos prejuízos. Inclusive, em 2020, o cantor britânico James Blunt, que aderiu à dieta carnívora, foi diagnosticado com escorbuto — doença causada pela carência de vitamina C e que provoca sintomas como sangramentos nas gengivas e cansaço. 

A retirada de carboidrato pode resultar, no mínimo, em desânimo, já que o nutriente é fonte essencial de energia para nossas células. Ele deve ser incluído na dieta, em um contexto saudável, sem exageros, de preferência nas versões integrais.

Dietas da moda

Embora indispensável, o carboidrato sempre é o primeiro a ser riscado nesses modismos. E o movimento vem de longe. Um dos pioneiros famosos foi o cardiologista Robert Atkins, que, nos anos de 1970, criou a dieta que leva seu sobrenome. Ao longo das décadas, surgiram variações mais modernas de low carb — termo em inglês que significa “pouco carboidrato”. 

Acrescente-se à lista a dieta paleolítica, que tenta imitar o menu do tempo das cavernas. Há ainda a cetogênica, que segue um protocolo dietético, com indicações específicas, como em casos de epilepsia, por exemplo. Mas não deve ser seguida sem orientação profissional.

Além de a maioria desses cardápios excederem nas gorduras saturadas, eles tendem a carregar na quantidade de proteínas, exigindo trabalho redobrado dos rins para processar e eliminar os resíduos proteicos.  

E no caso da dieta carnívora, a ausência de fontes de fibras ainda contribui para danos ao intestino. Pode prejudicar a motilidade intestinal e a microbiota, levando a um quadro de constipação e atrapalhando, inclusive, a absorção de nutrientes, sobretudo as vitaminas e os sais minerais.


Fontes consultadas: Celso Cukier, nutrólogo do Hospital Israelita Albert Einstein; Milena Gomes Vancini, nutricionista e coordenadora do Ambulatório de Nutrição no setor de Cardiopatia Hipertensiva, Lípides, Aterosclerose e Biologia Vascular, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp)

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