Presente na culinária, na fitoterapia e até na indústria cosmética, a canela é uma das especiarias mais antigas e valorizadas do mundo. Originária da Ásia, especialmente do Sri Lanka e do sul da Índia, foi amplamente comercializada desde a Antiguidade e chegou à Europa por rotas marítimas seculares. No Brasil, foi introduzida durante o período colonial pelos portugueses.
Extraída da casca interna de árvores do gênero Cinnamomum, a especiaria é utilizada tanto na forma de pó quanto em rama (casca enrolada). Na alimentação, aparece em preparações doces e salgadas, bebidas e infusões. Já na medicina tradicional, é empregada há séculos como auxiliar digestivo e anti-inflamatório. Também compõe formulações de cosméticos e produtos aromáticos, graças ao seu aroma característico e às suas propriedades antioxidantes.
Em doses moderadas na alimentos, o ingrediente está ligado a benefícios à saúde — desde que seja consumido também em um contexto de dieta balanceada, prática de atividade física, sono adequado e manejo do estresse.
A seguir, saiba mais sobre como a canela pode contribuir com uma vida mais saudável.
1.Compostos antioxidantes
A especiaria é rica em polifenóis, substâncias que ajudam a proteger as células do corpo contra danos causados pelos radicais livres, reduzindo o estresse oxidativo. Isso pode contribuir para um envelhecimento celular mais lento, além de melhora na saúde cardiovascular e redução de inflamações crônicas.
2. Efeito anti-inflamatórios
A canela contém compostos que ajudam a reduzir mediadores inflamatórios, principalmente o cinamaldeído, responsável por seu aroma característico. Mas isso não significa que “trate inflamações”; ela pode apoiar a saúde metabólica e atuar como moduladora da inflamação crônica de baixo grau.
3. Atividade antimicrobiana
Em estudos laboratoriais, a canela demonstrou atividade antimicrobiana contra algumas bactérias e fungos. Não quer dizer, porém, que funcione como tratamento de infecções em humanos. O que podemos afirmar com base nas evidências científicas atuais é que ela pode ajudar na modulação da microbiota. Mas sempre é necessário seguir o tratamento medicamentoso prescrito pelo médico.
4. Menos açúcar no sangue
Existem evidências de que a canela pode melhorar a sensibilidade à insulina, reduzir picos de glicose pós-refeição e ajudar o corpo a usar a glicose de forma mais eficiente. O efeito não é farmacológico e funciona melhor em pessoas com resistência à insulina leve ou pré-diabetes dentro de um estilo de vida equilibrado e seguindo o tratamento proposto pelo médico.
5. Pressão arterial sob controle
Pesquisas mostram pequenos efeitos redutores, especialmente na pressão arterial sistólica, graças a melhora da sensibilidade à insulina, ação antioxidante e leve efeito vasodilatador indireto. Vale reforçar que o efeito é discreto e não substitui medicamentos para quem precisa deles.
6. Aliada da saúde cardiovascular
Algumas evidências científicas mostram redução dos níveis de triglicerídeos, LDL e colesterol total juntamente com o aumento discreto do colesterol HDL, que ajuda a manter a boa saúde cardiovascular. O impacto, porém, é moderado, não terapêutico e funciona como complemento a uma alimentação equilibrada.
7. Intestino em equilíbrio
O ingrediente tem compostos capazes de inibir bactérias patogênicas, favorecer o desenvolvimento de microrganismos benéficos, reduzir a fermentação e gases em algumas pessoas e modular processos inflamatórios no intestino. É importante frisar, contudo, que a canela não é um probiótico ou prebiótico por si mesma, mas tem efeito prebiótico leve, o que é positivo para a microbiota.
8. Ciclo menstrual regular
Em mulheres com síndrome dos ovários policísticos (SOP), a canela pode ter benefícios porque ajuda a melhorar a sensibilidade à insulina (um dos mecanismos da SOP), podendo reduzir a irregularidade do ciclo em alguns casos. Há também evidências que mostram melhora no intervalo entre as menstruações, mas o uso dela não é um tratamento isolado — ou seja, ela auxilia, mas não substitui a perda de peso quando necessária, manejo de carboidratos, exercício regular e tratamentos indicados.
Cuidados ao consumir
A maioria das pessoas pode ingerir canela com segurança em quantidades culinárias. Em geral, a dosagem segura e prática é de 1 a 2 gramas por dia (½ a 1 colher de chá). Ela vai bem em receitas do dia a dia, como iogurtes e panquecas; em sobremesas, como o tradicional arroz doce; e até em preparos salgados, como os da culinária árabe.
No mercado, pode haver dois tipos: a canela-do-ceilão e a canela-cássia (a mais comum no Brasil). A diferença entre elas é que a primeira tem menor teor de cumarina e a segunda, mais. Em excesso, a substância pode sobrecarregar o fígado.
Quando a canela é consumida em quantidades exageradas e com frequência, podem ocorrer episódios de irritação gastrointestinal, alergia em pessoas sensíveis, desconforto abdominal e risco hepático.
Há algumas interações medicamentosas que devem ser avaliadas antes do uso. Entre elas estão remédios contra diabetes (a canela pode potencializar o efeito e baixar muito a glicemia), anticoagulantes e fármacos metabolizados pelo fígado.
Lembre-se também de que o consumo de cápsulas à base da especiaria é contraindicado. A maioria tem doses altas demais de cumarina e não deve ser usada sem a indicação e o acompanhamento de um profissional de saúde.
Revisão técnica: Leandro Thome Baptista, nutricionista (CRN1 12448) do Hospital Estadual de Urgências de Goiás Dr. Valdemiro Cruz (HUGO), unidade pública gerida pelo Einstein Hospital Israelita.




