Não há evidências suficientes para afirmar que o aspartame causa câncer. O adoçante artificial é utilizado desde a década de 1980 para substituir o açúcar em produtos como refrigerantes, iogurtes e sobremesas de baixa caloria. Em 2023, ele foi classificado pela Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC), vinculada à Organização Mundial da Saúde (OMS), como “possivelmente cancerígeno.”
Tal classificação indica que existe uma suspeita baseada em evidências limitadas, não uma relação comprovada entre a substância e a doença. Por isso, órgãos reguladores, como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), continuam considerando seu consumo seguro.
Vale lembrar que o aspartame é cerca de 200 vezes mais doce que o açúcar. Assim, o uso de pequenas quantidades já é suficiente para adoçar alimentos e bebidas. Nos rótulos nutricionais, ele pode aparecer também pelo código E951.
Classificação de alerta
A decisão da IARC pela classificação como “possivelmente cancerígeno” foi baseada em estudos que apontaram uma possível associação entre o consumo de aspartame e alguns tipos de câncer, especialmente o de fígado. No entanto, os resultados disponíveis apresentam limitações e não são consistentes.
Pesquisas realizadas com animais e seres humanos produziram conclusões divergentes ao longo das últimas décadas. Alguns trabalhos sugeriram um aumento do risco, enquanto outros não encontraram nenhuma ligação. Diante desse cenário, a agência concluiu que as evidências são limitadas.
Limite de consumo
A ingestão diária aceitável definida pela OMS é de até 40 miligramas por quilo de peso corporal. Para um adulto de 70 kg, por exemplo, isso corresponde a 2,8 litros por dia. Isso equivale, na prática, a uma quantidade de nove a 14 latas de refrigerante zero em um único dia, sem considerar outras fontes do adoçante presentes na alimentação.
Abandonar o aspartame ou não?
As avaliações mais recentes não indicam que consumidores devam abandonar produtos com aspartame. O consumo excessivo de açúcar pode contribuir para o ganho de peso e a obesidade, fatores associados ao aumento do risco de diversos tipos de câncer. Pessoas com diabetes também podem se beneficiar dos adoçantes artificiais.
Por outro lado, os estudos disponíveis também não demonstram benefícios diretos do consumo regular de adoçantes para a saúde. A própria OMS desaconselha seu uso como estratégia para controle de peso, já que não há evidências consistentes de que favoreçam o emagrecimento a longo prazo.
Diante desse cenário, especialistas recomendam uma abordagem mais simples: sempre que possível, priorize beber água; quando ingerir café ou chá, evite adoçá-los. Para quem consome ocasionalmente refrigerantes diet ou zero, as evidências atuais indicam que o consumo dentro dos limites recomendados não representa preocupação significativa.





