Existem evidências consistentes de que o consumo de carnes processadas aumenta o risco de câncer colorretal. Já a ingestão frequente e em grandes quantidades de carne vermelha também está associada a um maior risco desse tipo de câncer.
O termo carne vermelha inclui aquelas provenientes de mamíferos, como carne bovina, vitela, carne suína, cordeiro, carneiro e cabra. Já as carnes processadas são aquelas que passaram por processos como salga, cura, fermentação ou defumação, com o objetivo de aumentar a conservação ou modificar o sabor. Fazem parte desse grupo alimentos como presunto, peito de peru, salame, bacon, salsicha, linguiça, mortadela e outros embutidos.
A carne vermelha pode fornecer nutrientes importantes, como proteínas, ferro, zinco e vitamina B12. Por isso, não é necessário excluí-la completamente da alimentação, mas sim controlar a quantidade e a frequência de consumo.
Compostos cancerígenos
Pesquisas mostram que alguns componentes presentes na carne vermelha e nas carnes processadas podem contribuir para danos às células do intestino. Um deles é o ferro heme, uma forma de ferro encontrada em maiores quantidades nesses alimentos. Embora seja um nutriente importante para o organismo, seu consumo excessivo pode estimular a formação, dentro do próprio organismo, de compostos N-nitroso, substâncias com potencial carcinogênico associadas ao desenvolvimento do câncer colorretal.
Além disso, as carnes processadas contêm nitratos e nitritos, utilizados como conservantes para aumentar sua durabilidade. Durante a digestão, essas substâncias também podem favorecer a formação de compostos N-nitroso.
Modo de preparo importa
Cozinhar carnes em temperaturas muito altas, principalmente na churrasqueira, grelha ou em contato direto com a chama, pode formar substâncias que fazem mal às células. Entre elas estão as aminas heterocíclicas e os hidrocarbonetos aromáticos policíclicos, que podem se formar durante o preparo e ficar na superfície da carne. Estudos mostram que a exposição frequente a essas substâncias pode estar relacionada a um maior risco de câncer colorretal.
Algumas medidas simples podem tornar o preparo ainda mais saudável. As opções mais recomendadas são carnes assadas, cozidas, ensopadas ou preparadas no vapor. Esses métodos utilizam temperaturas mais baixas e produzem menos compostos prejudiciais.
Prefira carnes frescas e escolha cortes mais magros, como patinho, coxão mole, lagarto, filé-mignon e lombo suíno. Opte por pedaços menores, que cozinham mais rapidamente. Para temperar, utilize ervas naturais, alho, cebola, limão e vegetais como tomate e cenoura.
Quanto é seguro consumir?
A recomendação é limitar o consumo de carne vermelha a 500 gramas de carne cozida por semana, o equivalente a aproximadamente três porções semanais.
No caso das carnes processadas, quanto menor for a ingestão, melhor. Não existe uma quantidade considerada totalmente segura para o consumo frequente desses alimentos, já que mesmo pequenas quantidades podem aumentar o risco de câncer de intestino ao longo do tempo.
Vale lembrar que o risco é cumulativo. Ou seja, adotar uma redução no consumo a partir de agora pode trazer benefícios à saúde, independentemente dos hábitos alimentares anteriores.
Dieta equilibrada
A carne vermelha pode fazer parte de uma alimentação saudável quando consumida com moderação e preparada adequadamente. Em vez de eliminá-la do cardápio, a melhor estratégia pode ser buscar o equilíbrio nos pratos: variar as fontes de proteína, reduzir os alimentos processados e investir em preparações variadas. Pequenas mudanças podem fazer uma grande diferença na prevenção do câncer e na promoção da saúde.
Consumir frutas, legumes e verduras todos os dias ajuda a proteger a saúde do intestino. Esses alimentos são ricos em fibras e outras substâncias benéficas, que contribuem para o bom funcionamento intestinal e estão associadas a um menor risco de câncer colorretal.
Procure consumir pelo menos cinco porções ao longo do dia, o equivalente a aproximadamente 400g, variando os tipos e cores dos alimentos. Uma boa estratégia é incluir frutas nos lanches e legumes e verduras no almoço e no jantar, aumentando a oferta de fibras, vitaminas, minerais e outros compostos importantes para a saúde.





