Alterações persistentes nas fezes podem ser um dos primeiros sinais de câncer colorretal. Entre os sintomas mais comuns da doença estão a presença de sangue vivo ou escuro no cocô, fezes muito escuras ou pretas, mudanças prolongadas no hábito intestinal, como diarreia ou prisão de ventre sem causa aparente, sensação de evacuação incompleta e aumento ou redução da frequência para ir ao banheiro.
São comuns episódios da chamada "diarreia paradoxal": ao obstruir o intestino, o tumor faz as fezes ficarem retidas. Isso leva a um supercrescimento de bactérias, provocando uma diarreia com muitos gases, mas em pouca quantidade.
Conforme o tumor evolui na região, outros sinais podem surgir. Dor abdominal constante, cólicas, inchaço na barriga e perda de peso sem motivo óbvio estão entre as ocorrências frequentes. Mais raramente, podem aparecer fadiga, fraqueza, falta de ar, redução da disposição para atividades cotidianas e pequenos sangramentos contínuos no intestino que causam anemia.
Por mais que, em alguns casos, esses sinais possam estar relacionados a condições como hemorroidas, infecções intestinais e doenças inflamatórias, quando eles persistem por três semanas ou mais, a recomendação é procurar um médico para uma avaliação. O diagnóstico precoce aumenta significativamente as chances de sucesso no tratamento.
Câncer de intestino
Também conhecido como câncer colorretal, o câncer de intestino se desenvolve no intestino grosso, estrutura responsável por absorver água dos alimentos e formar as fezes. A doença pode surgir tanto no cólon — a maior parte do intestino grosso — quanto no reto, região final do órgão antes do ânus.
Na maioria dos casos, o câncer começa com pequenos pólipos, que são crescimentos anormais na parede interna do intestino. Esses pólipos geralmente são benignos, ou seja, não têm caráter maligno. No entanto, alguns podem se transformar em neoplasias ao longo dos anos se não forem identificados e removidos.
O processo de diagnóstico costuma começar com perguntas sobre os sintomas, histórico familiar e condições de saúde. Dependendo da situação, o médico pode realizar exame físico da barriga, exame de toque retal e solicitar exames complementares, como as coletas de sangue e de fezes.
A colonoscopia é o procedimento padrão ouro para confirmar casos de câncer desse tipo. Um tubo fino e flexível equipado com uma câmera percorre todo o intestino grosso, permitindo visualizar lesões, retirar pólipos e coletar pequenas amostras de tecido para biópsia.
Caso a doença seja confirmada, outros exames ajudam a determinar o estágio do câncer. Além disso, ainda verificam se houve disseminação das células cancerígenas para outros órgãos, na chamada metástase.
Opções de tratamento
O tratamento varia conforme o tamanho do tumor, sua localização e a extensão da doença. A cirurgia costuma ser a principal estratégia quando o câncer está localizado, podendo envolver a retirada apenas do tumor ou de parte do intestino.
Em algumas situações, pode ser necessária uma colostomia ou ileostomia, procedimentos que criam uma abertura temporária ou permanente na parede abdominal para a eliminação das fezes enquanto o intestino cicatriza ou quando não é possível reconectar suas extremidades.
Dependendo do estágio da doença, a cirurgia pode ser combinada com quimioterapia, que utiliza medicamentos para destruir células cancerígenas; radioterapia, que emprega radiação para reduzir ou eliminar tumores; terapias-alvo, que atuam sobre características específicas das células cancerígenas; e imunoterapia, que estimula o sistema imunológico a combater o câncer.
Prevenção ao câncer
O câncer de intestino nem sempre provoca sintomas nas suas fases iniciais, motivo pelo qual os exames de rastreamento têm papel fundamental na prevenção. A colonoscopia pode identificar e remover pólipos antes mesmo que eles se transformem em câncer.
Além do rastreamento, manter hábitos saudáveis ajuda a reduzir o risco da doença. Alimentação rica em frutas, verduras, legumes, grãos integrais e fibras, prática regular de atividade física, controle do peso corporal, abandono do tabagismo e do consumo de alcoólicas estão entre as principais medidas preventivas.





