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Como as terapias-alvo agem no tratamento do câncer?

Atualizado em 05/08/2026
Tempo de leitura: 3 minutos

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Representação da terapia-alvo no tratamento do câncer

As terapias-alvo são tratamentos contra o câncer que atuam de forma direcionada sobre alterações específicas das células tumorais, como proteínas e alterações genéticas que permitem seu crescimento. Diferentemente da quimioterapia, que também pode atingir células saudáveis, esses medicamentos são desenvolvidos para bloquear mecanismos utilizados pelo câncer para sobreviver, tornando o cuidado mais preciso e eficaz.

Essa estratégia faz parte da chamada medicina de precisão, uma abordagem terapêutica que utiliza informações genéticas, moleculares, ambientais e clínicas individuais para direcionar o tratamento de forma mais personalizada e eficaz. Na prática, isso significa que duas pessoas com o mesmo tipo de câncer podem não receber o mesmo tratamento, já que as alterações presentes nas suas células cancerígenas podem ser diferentes.

Por isso, as terapias-alvo não são recomendadas para todos os pacientes nem para todos os tipos de câncer. Para que esse tratamento seja indicado, é necessário que o tumor apresente características específicas, capazes de serem identificadas e combatidas pelos medicamentos disponíveis.

Antes do início do tratamento, é comum serem realizados testes de biomarcadores, exames que analisam uma amostra do tumor para identificar os chamados "alvos moleculares" — estruturas muitas vezes responsáveis pela multiplicação celular e essenciais para a sobrevivência das células cancerígenas, que podem ser reconhecidas e bloqueadas pelas terapias-alvo.

Dependendo do fármaco utilizado, as terapias-alvo podem:

  • Bloquear os sinais que estimulam o crescimento do tumor;
  • Impedir a formação de vasos sanguíneos que alimentam as células cancerígenas;
  • Provocar a morte programada das células do câncer;
  • Transportar substâncias capazes de destruir o tumor diretamente;
  • Auxiliar o sistema imunológico a reconhecer e combater as células doentes.

Principais tipos de terapias-alvo

Existem diferentes grupos de terapias-alvo utilizados atualmente no tratamento do câncer. Cada um deles atua sobre mecanismos específicos das células tumorais. Os anticorpos monoclonais são proteínas produzidas em laboratório capazes de reconhecer estruturas presentes na superfície das células cancerígenas. Dependendo do medicamento, eles podem impedir que o tumor continue se desenvolvendo ou levar substâncias terapêuticas diretamente até as células doentes.

Outro grupo é formado pelos chamados inibidores do crescimento tumoral, que interferem nos processos responsáveis pela multiplicação das células cancerígenas. Já as terapias antiangiogênicas atuam impedindo a formação de novos vasos sanguíneos que abastecem o tumor. Sem esse suprimento adequado de nutrientes e oxigênio, o crescimento do câncer pode ser reduzido. Há ainda os inibidores de PARP, medicamento que dificulta o reparo do DNA das células tumorais, tornando-as mais vulneráveis ao tratamento.

Condução do tratamento

As terapias-alvo podem ser administradas de diferentes maneiras, de acordo com o medicamento indicado. Algumas são oferecidas em comprimidos ou cápsulas, que podem ser utilizadas em casa sob orientação médica. Outras são aplicadas diretamente na veia, em ambiente hospitalar ou ambulatorial.

Sua duração varia conforme o tipo de câncer, o estágio da doença e a resposta do organismo. Em determinadas situações, as terapias-alvo podem ser utilizadas isoladamente ou associadas a outras abordagens oncológicas, como cirurgia, radioterapia, quimioterapia, imunoterapia e terapia hormonal.

Por mais que sejam tratamentos mais específicos, as terapias-alvo também podem provocar efeitos adversos. Os mais comuns incluem diarreia, fadiga, alterações na pressão arterial, problemas no funcionamento do fígado, lesões na pele, mudanças nas unhas e dificuldades na cicatrização.

Os sintomas variam de acordo com o medicamento utilizado e com as características individuais de cada paciente. Em muitos casos, os efeitos colaterais podem ser controlados com acompanhamento médico e tendem a desaparecer após o término do tratamento.

Desafios das terapias-alvo

Um dos principais desafios desse tipo de tratamento é a resistência das células cancerígenas aos medicamentos. Com o passar do tempo, alguns tumores podem sofrer novas alterações e encontrar formas alternativas de continuar crescendo, reduzindo a eficácia da terapia.

Outro obstáculo é que nem todos os tipos de câncer possuem alvos moleculares conhecidos ou medicamentos disponíveis capazes de bloqueá-los. Além disso, o desenvolvimento dessas terapias é complexo e costuma envolver altos custos.

O avanço das pesquisas em genética e biologia molecular tem ampliado o número de terapias-alvo disponíveis e permitido tratamentos cada vez mais individualizados. A tendência é de que, à medida que novas características dos tumores sejam descobertas, seja possível oferecer abordagens mais precisas, aumentando as opções terapêuticas para um número cada vez mais crescente de pacientes.

Patrícia Taranto - CRM-SP 151763, Médica oncologista clínica do Einstein Hospital Israelita

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