O ácido hialurônico é um glicosaminoglicano naturalmente presente em diversos tecidos do corpo, especialmente na pele, nas articulações e nos olhos. Sua principal função está relacionada à capacidade de reter água, proporcionando hidratação, elasticidade e sustentação aos tecidos.
Além disso, a substância participa de processos relacionados a lubrificação articular, reparação tecidual e manutenção do equilíbrio celular. Por essas características, o ácido hialurônico é utilizado em diferentes contextos clínicos, como:
- Alívio da dor e melhora funcional em alguns pacientes com osteoartrite, especialmente de joelho;
- Auxílio na cicatrização de feridas;
- Tratamento de condições oftalmológicas associadas ao ressecamento ocular;
- Procedimentos estéticos voltados a reposição de volume, preenchimento de sulcos e redução de rugas.
O ácido hialurônico é absorvido pelo organismo?
Sim. Os produtos à base de ácido hialurônico utilizados em preenchimentos estéticos são biodegradáveis e tendem a ser gradualmente absorvidos pelo organismo ao longo do tempo. A duração dos resultados varia conforme o tipo de produto utilizado, a região tratada, a técnica empregada e as características individuais de cada paciente.
Como utilizar o ácido hialurônico
A forma de uso do ácido hialurônico varia conforme a indicação clínica e a apresentação do produto. A substância está disponível em formulações tópicas, como cremes, géis e séruns; oftálmicas, na forma de colírios; orais, em cápsulas e soluções; e injetáveis, para aplicações intra-articulares ou estéticas.
Nas aplicações intra-articulares, utilizadas principalmente em alguns casos de osteoartrite de joelho, o tratamento geralmente envolve um número determinado de injeções, conforme avaliação médica e características do produto utilizado.
Já nos procedimentos estéticos, como os preenchimentos dérmicos, a aplicação é individualizada e leva em consideração a região tratada, a técnica empregada e os objetivos terapêuticos ou estéticos. Por isso, é fundamental que o procedimento seja realizado por profissional habilitado.
Embora existam formulações orais disponíveis no mercado, seus benefícios podem variar de acordo com a indicação e ainda são objeto de investigação em algumas áreas da medicina.
No Brasil, a classificação regulatória do ácido hialurônico pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) depende da sua formulação e finalidade. Produtos cosméticos de uso tópico geralmente são vendidos sem necessidade de prescrição médica. Já algumas apresentações injetáveis e determinadas formulações oftálmicas podem exigir prescrição e acompanhamento profissional.
Efeitos colaterais
De modo geral, o ácido hialurônico apresenta bom perfil de segurança quando utilizado de forma adequada. No entanto, efeitos adversos podem ocorrer e variam conforme a via de administração.
Nas aplicações injetáveis, os efeitos mais comuns incluem dor, inchaço, vermelhidão e sensibilidade no local da aplicação. Em procedimentos estéticos, complicações mais raras, porém potencialmente graves, podem ocorrer quando a técnica é inadequada ou realizada por profissionais não capacitados, incluindo obstrução vascular e necrose tecidual.
No uso oftálmico, podem ocorrer irritação leve, ardor transitório ou sensação de corpo estranho. Já as formulações orais podem causar desconfortos gastrointestinais em algumas pessoas.
Reações alérgicas são incomuns, mas podem acontecer. Sintomas como inchaço facial, dificuldade para respirar ou urticária exigem avaliação médica imediata. Em situações de urgência, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) pode ser acionado pelo telefone 192.
Contraindicações
O uso do ácido hialurônico deve ser individualizado e avaliado de acordo com as características clínicas de cada paciente. Pessoas com histórico de hipersensibilidade ao ácido hialurônico ou a componentes da formulação devem evitar seu uso. Aplicações injetáveis também não são recomendadas em áreas com infecção ativa, inflamação local ou lesões cutâneas.
Gestantes e lactantes devem utilizar o produto apenas sob orientação médica, especialmente nas apresentações injetáveis ou sistêmicas, uma vez que os dados de segurança ainda são limitados para algumas indicações.
Pacientes com doenças autoimunes ou em uso de medicamentos imunomoduladores também devem ser avaliados individualmente pelo médico antes da realização de procedimentos injetáveis.
Revisão técnica: João Roberto Resende Fernandes (CRM-SP 203006/RQE 91325), especialista em Clínica Médica e médico do pronto-atendimento e corpo clínico do Einstein Hospital Israelita.



