O trastuzumabe é um medicamento biológico da classe dos anticorpos monoclonais, desenvolvido para se ligar à proteína HER2, um receptor presente em quantidade aumentada na superfície das células de alguns tumores. Ao ligar-se aos receptores HER2, bloqueia parte dos estímulos que favorecem o crescimento tumoral.
Ele costuma ser indicado para adultos com câncer de mama HER2-positivo, tanto em fases mais avançadas quanto no início da doença. Em alguns casos, também serve contra o câncer de estômago avançado.
O tratamento deve ser administrado por profissionais de saúde em ambiente preparado para acompanhar o paciente e tratar possíveis reações. Na apresentação intravenosa, a primeira dose é geralmente infundida ao longo de 90 minutos. Se for bem tolerada, as doses seguintes podem ser administradas em aproximadamente 30 minutos.
As aplicações podem ocorrer semanalmente ou a cada três semanas, conforme a indicação e o protocolo utilizado. Existe ainda uma apresentação subcutânea, de dose fixa e administrada em aproximadamente dois a cinco minutos.
Efeitos colaterais
Assim como outros medicamentos utilizados no tratamento do câncer, o trastuzumabe pode causar efeitos colaterais. Muitas pessoas toleram bem o tratamento, e a intensidade das reações varia de um paciente para outro.
Entre os efeitos mais comuns estão:
- fadiga ou sensação de fraqueza;
- febre e calafrios, principalmente durante ou após a primeira infusão;
- náusea;
- diarreia;
- dor abdominal;
- perda de apetite;
- dor de cabeça;
- tontura;
- dores musculares, articulares ou nas costas;
- erupções na pele (rash);
- tosse ou falta de ar.
Vale lembrar que alguns efeitos observados durante o tratamento, como alterações do paladar, formigamento nas mãos e nos pés (neuropatia), constipação e redução das células do sangue — como os glóbulos brancos, responsáveis pela defesa do organismo, os glóbulos vermelhos, que transportam oxigênio, e as plaquetas, que ajudam na coagulação — podem estar relacionados à quimioterapia administrada em associação ao trastuzumabe. Nesses casos, nem sempre é possível atribuir esses sintomas exclusivamente ao medicamento.
Efeitos adversos que merecem atenção
O efeito adverso que merece maior atenção do trastuzumabe é a cardiotoxicidade. O medicamento pode reduzir a capacidade do coração de bombear sangue, levando à diminuição da fração de ejeção do ventrículo esquerdo e, em alguns casos, à insuficiência cardíaca. O risco é maior em pessoas com doenças cardíacas prévias, idade mais avançada ou que receberam tratamento com antraciclinas, como doxorrubicina e epirrubicina.
Por esse motivo, a função cardíaca deve ser avaliada antes do início do tratamento e monitorada periodicamente durante seu uso. Na maioria dos casos, a redução da função cardíaca melhora após a interrupção do tratamento e com o acompanhamento adequado, embora alguns pacientes necessitem de abordagem específica.
Outra preocupação são as reações relacionadas à infusão, que costumam ocorrer durante a primeira administração ou nas primeiras 24 horas após a infusão, sendo em geral menos frequentes nas aplicações seguintes. Os sintomas podem incluir:
- febre;
- calafrios;
- náusea;
- vômito;
- dor de cabeça;
- tontura;
- falta de ar;
- aperto no peito;
- queda da pressão arterial;
- erupção na pele;
- sensação de fraqueza.
Na maioria dos casos, essas reações são leves a moderadas e melhoram com a interrupção temporária da infusão e o tratamento adequado. Reações graves são raras, mas podem ocorrer.
Embora incomuns, também podem ocorrer complicações pulmonares, como pneumonite e doença pulmonar intersticial, além de reações alérgicas graves. Casos raros de lesão renal também foram descritos.
Procure assistência médica imediatamente caso apresente falta de ar intensa, dor no peito, palpitações, desmaios, ganho rápido de peso, inchaço importante nas pernas ou tornozelos, febre persistente ou sinais de infecção. Se necessário, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) pode ser acionado pelo telefone 192.
Contraindicações
O trastuzumabe não deve ser utilizado por pessoas com histórico de hipersensibilidade ao próprio medicamento ou a qualquer componente da formulação. Pacientes com antecedentes de reações alérgicas graves devem informar a equipe médica antes do início do tratamento.
A gravidez representa uma importante contraindicação. Estudos e experiências clínicas demonstram que o trastuzumabe pode causar danos graves ao feto, incluindo malformações e até morte fetal. Por esse motivo, mulheres com capacidade reprodutiva devem utilizar métodos contraceptivos eficazes durante todo o tratamento e por ao menos sete meses após a última dose.
A amamentação também exige cautela. Em geral, recomenda-se evitar o aleitamento durante o tratamento e por sete meses após a última administração, pois o trastuzumabe pode passar para o leite materno.
Pacientes com histórico de insuficiência cardíaca, infarto, hipertensão arterial, arritmias ou doenças pulmonares importantes precisam de avaliação criteriosa antes do início da terapia, já que essas condições podem aumentar o risco de complicações relacionadas ao tratamento.
Revisão técnica: Louise Moreno, médica oncologista clínica no Einstein Hospital Israelita (CRM 179792 / RQE 141.678)



