A doxorrubicina é um quimioterápico da classe das antraciclinas. Ela age diretamente sobre o material genético das células tumorais, impedindo a multiplicação e promovendo sua destruição. Na prática, isso ajuda a retardar ou interromper a progressão da doença.
O medicamento costuma fazer parte de protocolos combinados de quimioterapia, embora também possa ser utilizado isoladamente em algumas situações. É indicado para o tratamento de diversos tumores sólidos e hematológicos, entre eles:
- Câncer de mama;
- Câncer de pulmão;
- Câncer de bexiga;
- Câncer de tireoide;
- Câncer de ovário;
- Câncer de estômago;
- Câncer de fígado;
- Sarcomas ósseos e de partes moles;
- Linfomas de Hodgkin e não Hodgkin;
- Leucemias agudas;
- Neuroblastoma;
- Tumor de Wilms.
Em determinadas situações clínicas, a doxorrubicina também pode ser utilizada no tratamento de outros tipos de câncer, como tumores de útero, próstata e pâncreas, além de mesotelioma, mieloma múltiplo e sarcoma de Kaposi associado à aids. A indicação depende do tipo e do estágio da doença, das condições clínicas do paciente e dos objetivos do tratamento.
Como a doxorrubicina é utilizada
Disponível na forma de solução injetável ou pó para reconstituição, a doxorrubicina deve ser administrada exclusivamente por profissionais capacitados em oncologia. A aplicação é feita por infusão intravenosa em hospitais, clínicas ou centros especializados.
A frequência de administração varia conforme o protocolo terapêutico adotado, sendo mais comum a realização de ciclos a cada 21 ou 28 dias. A duração do tratamento depende do tipo de câncer, da associação com outros quimioterápicos e da resposta clínica do paciente.
Por se tratar de um medicamento potencialmente tóxico e de uso altamente controlado, a doxorrubicina é classificada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) como medicamento de tarja vermelha, com retenção da receita. Seu uso exige acompanhamento médico rigoroso e monitoramento frequente por exames laboratoriais, especialmente para avaliar as funções cardíaca, hepática e hematológica.
Durante o tratamento, o hemograma costuma ser solicitado periodicamente para acompanhar a contagem das células sanguíneas, já que o medicamento pode reduzir a produção de glóbulos brancos, aumentando o risco de infecções. Em alguns casos, o tratamento pode ser temporariamente adiado até a recuperação da medula óssea.
Efeitos colaterais
Os efeitos adversos da doxorrubicina variam conforme a dose utilizada, o tempo de tratamento e as condições clínicas do paciente. Os mais frequentes incluem:
- Náuseas;
- Vômitos;
- Perda de apetite;
- Diarreia;
- Cansaço excessivo;
- Tontura;
- Queda de cabelo;
- Feridas na boca e na garganta;
- Irritação ocular;
- Dor abdominal;
- Alterações nas unhas;
- Coloração avermelhada da urina nas primeiras 24 a 48 horas após a aplicação.
Como o medicamento pode provocar uma redução importante das células de defesa do organismo, há aumento do risco de infecções. Por isso, sintomas como febre, calafrios, dor de garganta ou dificuldade para respirar devem ser comunicados imediatamente à equipe médica.
Entre as complicações mais importantes está a cardiotoxicidade. A doxorrubicina pode comprometer o funcionamento do coração, principalmente quando utilizada em doses acumuladas elevadas ou por períodos prolongados. Sintomas como falta de ar, inchaço nas pernas, palpitações e fadiga intensa devem ser investigados prontamente.
Também podem ocorrer reações alérgicas graves, convulsões e lesões no local da infusão caso haja extravasamento do medicamento. Em situações raras, a doxorrubicina pode aumentar o risco de doenças da medula óssea e de leucemias secundárias.
Além dos efeitos físicos, o tratamento pode comprometer a fertilidade de homens e mulheres. O medicamento pode alterar o ciclo menstrual, reduzir a produção de espermatozoides e, em alguns casos, induzir menopausa precoce.
Contraindicações
A doxorrubicina é contraindicada para pessoas com alergia conhecida ao medicamento ou a outras antraciclinas. Também não deve ser utilizada por pacientes com doença hepática grave, insuficiência cardíaca importante, infarto recente ou redução significativa das células sanguíneas decorrente de tratamentos quimioterápicos anteriores.
O medicamento também é contraindicado durante a gestação, pois pode causar danos ao feto e aumentar o risco de malformações congênitas. Da mesma forma, mulheres em fase de amamentação não devem utilizá-lo.
Pacientes que já foram submetidos à radioterapia na região do tórax ou que apresentam doenças cardíacas pré-existentes necessitam de avaliação criteriosa antes do início do tratamento, devido ao risco de toxicidade cardíaca cumulativa.
Outra recomendação é evitar vacinas sem autorização médica durante a quimioterapia, já que o sistema imunológico pode estar comprometido. Além disso, todos os medicamentos em uso, incluindo fitoterápicos, suplementos e produtos naturais, devem ser informados ao oncologista para reduzir o risco de interações medicamentosas e complicações.
Revisão técnica: João Roberto Resende Fernandes (CRM-SP 203006/RQE 91325), especialista em Clínica Médica e médico do pronto-atendimento e corpo clínico do Einstein Hospital Israelita.




