A cisplatina é um medicamento antineoplásico da classe dos compostos à base de platina. Sua ação ocorre por meio da ligação ao DNA das células tumorais, formando conexões que impedem a replicação celular e levam à morte das células malignas. Por atuar diretamente no material genético, o fármaco consegue reduzir o crescimento e a disseminação do câncer, especialmente em casos avançados ou metastáticos.
Essa medicação quimioterápica costuma ser empregada tanto isoladamente quanto em combinação com outros fármacos. Entre as principais indicações estão os tumores metastáticos de testículo e de ovário, câncer de bexiga e carcinomas espinocelulares de cabeça e pescoço. Em muitos desses casos, a cisplatina é administrada após procedimentos cirúrgicos ou radioterápicos, funcionando como terapia complementar para ampliar o controle da doença.
Como a cisplatina é usada
A cisplatina é administrada exclusivamente por via intravenosa, geralmente em ambiente hospitalar ou em centros especializados em oncologia. A infusão é lenta e a frequência das aplicações varia conforme o tipo de câncer, o protocolo terapêutico adotado e as condições clínicas do paciente.
A definição da dose considera fatores como peso corporal, superfície corporal, função renal, histórico de tratamentos anteriores e resposta clínica ao esquema quimioterápico. Durante o tratamento, o paciente frequentemente recebe medicamentos adicionais para prevenir náuseas intensas e reações alérgicas. Também é recomendada hidratação rigorosa antes e após a aplicação, já que a cisplatina apresenta potencial elevado de toxicidade renal.
Por se tratar de um medicamento de uso controlado e com alto potencial tóxico, a cisplatina é classificada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) como medicamento de tarja vermelha, com venda exigindo a retenção de uma prescrição médica e uso restrito a estabelecimentos especializados.
Efeitos colaterais
Os efeitos adversos da cisplatina podem ser intensos e exigem monitoramento frequente.
Entre as reações mais comuns estão:
- Náusea;
- Vômito;
- Alterações renais;
- Redução das células do sangue;
- Sintomas neurológicos (como formigamento e dormência nas mãos e nos pés);
- Alopecia (perda temporária do cabelo), dependendo da dose utilizada.
A toxicidade renal é uma das complicações mais relevantes do tratamento, podendo causar diminuição da função dos rins e alterações urinárias. Por isso, exames laboratoriais periódicos são indispensáveis durante todo o acompanhamento.
O medicamento também pode provocar danos ao sistema nervoso periférico (neuropatia), com manifestações que incluem perda de sensibilidade, dores em queimação e diminuição dos reflexos musculares. Em alguns casos, esses sintomas podem surgir semanas após a administração e tornar-se permanentes.
Outro efeito importante é a ototoxicidade, caracterizada por perda auditiva e zumbidos. Crianças submetidas ao tratamento podem necessitar de avaliação auditiva antes do início da terapia.
Além disso, a cisplatina pode reduzir a produção de células da medula óssea, aumentando o risco de infecções, anemia e sangramentos. Febre, fadiga intensa, falta de ar, hematomas e feridas na boca são sinais de alerta que exigem avaliação médica imediata. Também podem ocorrer reações alérgicas graves logo após a infusão intravenosa, incluindo dificuldade respiratória, aceleração dos batimentos cardíacos e inchaço facial.
Em alguns tipos de tumores, a cisplatina pode ser substituída pela carboplatina, droga similar mas com menos efeitos colaterais.
Contraindicações
A cisplatina é contraindicada para pessoas com histórico de alergia ao medicamento ou a compostos semelhantes à base de platina. Pacientes com comprometimento renal importante, supressão grave da medula óssea ou alterações auditivas significativas também exigem avaliação rigorosa antes do início do tratamento.
O medicamento não deve ser utilizado durante a gravidez, pois pode causar danos graves ao feto. O mesmo vale para lactantes, uma vez que a substância pode ser excretada no leite materno.
Pacientes que já receberam tratamento prévio com cisplatina, radioterapia cerebral ou outros medicamentos quimioterápicos potencialmente tóxicos devem ser monitorados com atenção redobrada.
Revisão técnica: Sergio Simon, médico oncologista do Einstein Hospital Israelita (CRM/SP 19865)



