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Ácido valproico: quais cuidados tomar ao utilizar esse anticonvulsivante?

Atualizado em 29/07/2026
Tempo de leitura: 3 minutos

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Uma pessoa tomando a medicação anticonvulsivante por orientação médica

O ácido valproico é um medicamento da classe dos anticonvulsivantes. Sua ação ocorre principalmente por meio do aumento da disponibilidade de neurotransmissores inibitórios no cérebro, especialmente do ácido gama-aminobutírico (GABA), que ajuda a reduzir a atividade elétrica excessiva dos neurônios.

Por esse mecanismo, o fármaco contribui para controlar crises convulsivas, estabilizar o humor de pacientes com transtorno bipolar e prevenir crises de enxaqueca.

Como usar o ácido valproico

Classificado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) como medicamento de tarja vermelha, o ácido valproico só pode ser comercializado nas farmácias brasileiras mediante apresentação e retenção de uma via da receita médica.

Ele está disponível em diferentes apresentações, incluindo cápsulas, comprimidos de liberação prolongada, comprimidos de liberação retardada e formulações líquidas para administração oral. A dose varia conforme o peso corporal, a condição tratada e a resposta clínica de cada paciente.

O medicamento deve ser ingerido, preferencialmente, junto às refeições para reduzir o risco de desconfortos gastrointestinais. Cápsulas e comprimidos não devem ser partidos, mastigados ou triturados, exceto quando a formulação permitir a abertura da cápsula para administração dos microgrânulos com alimentos pastosos.

O tratamento requer monitorização periódica das enzimas hepáticas, principalmente durante os seis primeiros meses de uso. Também podem ser necessários hemograma, dosagem sérica do medicamento e, em situações específicas, avaliação dos níveis de amônia no sangue.

A interrupção do tratamento não deve ocorrer de forma abrupta. A suspensão repentina pode desencadear crises convulsivas graves, prolongadas e potencialmente fatais, especialmente em pacientes com epilepsia.

Efeitos colaterais

Entre os efeitos adversos mais frequentemente relatados estão:

  • Sonolência;
  • Tontura;
  • Dor de cabeça;
  • Tremor;
  • Insônia;
  • Nervosismo;
  • Sensação de fraqueza;
  • Náuseas;
  • Vômitos;
  • Dor abdominal;
  • Diarreia;
  • Dispepsia (distúrbio digestivo caracterizado por desconforto ou dor na parte superior do abdômen);
  • Alterações do apetite.

A queda de cabelo, geralmente reversível, também é uma reação relativamente frequente durante o tratamento. Alterações visuais, como visão dupla e visão borrada, podem ocorrer em alguns pacientes.

No campo hematológico, o medicamento pode causar trombocitopenia, condição caracterizada pela redução do número de plaquetas e pelo aumento do risco de sangramentos. Alterações no peso corporal, tanto ganho quanto perda de peso, também podem ser observadas.

Em idosos, o risco de sonolência excessiva é maior, aumentando a probabilidade de quedas e de redução da ingestão de alimentos e líquidos.

Entre os eventos adversos mais graves destacam-se:

  • Hepatotoxicidade (lesão hepática);
  • Insuficiência hepática;
  • Pancreatite;
  • Encefalopatia associada ao aumento da concentração de amônia no sangue;
  • Reações cutâneas graves;
  • Agravamento das convulsões;
  • Alterações cognitivas;
  • Depressão;
  • Mudanças importantes de comportamento;
  • Ideação suicida.

Na presença desses sinais ou sintomas, recomenda-se procurar atendimento médico imediatamente. Se necessário, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) pode ser acionado pelo telefone 192.

Contraindicações

O ácido valproico é contraindicado para pessoas com histórico de hipersensibilidade ao valproato de sódio ou a qualquer componente da fórmula. Também não deve ser utilizado por pacientes com hepatite aguda ou crônica, doença hepática significativa, antecedente de hepatite medicamentosa grave ou porfiria hepática.

Outra contraindicação importante são os distúrbios mitocondriais relacionados a mutações no gene POLG, como a síndrome de Alpers-Huttenlocher, devido ao elevado risco de insuficiência hepática grave. Crianças menores de 2 anos com suspeita de doenças relacionadas a esse gene também não devem receber o medicamento.

Pacientes com distúrbios do ciclo da ureia também não devem utilizar ácido valproico, pois há risco de hiperamonemia grave e encefalopatia potencialmente fatal.

O medicamento exige cautela especial em mulheres com potencial reprodutivo. Devido ao elevado risco de malformações congênitas e prejuízos ao desenvolvimento neurológico do feto, seu uso durante a gravidez deve ser reservado aos casos em que não existam alternativas terapêuticas adequadas, sempre após criteriosa avaliação dos riscos e benefícios.

Também é necessário cautela em pacientes com histórico de pancreatite, transtornos psiquiátricos, doenças metabólicas hereditárias e naqueles que utilizam medicamentos com potencial de interação, incluindo outros anticonvulsivantes, antidepressivos, benzodiazepínicos, anticoagulantes e determinados antibióticos.

Revisão técnica: João Roberto Resende Fernandes (CRM-SP 203006/RQE 91325), especialista em Clínica Médica, médico do pronto-atendimento e do corpo clínico do Einstein Hospital Israelita.

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